Escolas Assombradas: Dorival Monteiro de Oliveira

Dorival Monteiro de Oliveira é uma escola estadual situada no Parque Novo Horizonte, bairro da zona leste de São José dos Campos.

​⚠️ Atenção: Antes de investigarmos as lendas relacionada a essa escola, é preciso abrir um parêntese: É impossível entender o que acontece dentro da escola Dorival Monteiro sem primeiro falarmos do bairro onde ela está inserida; um lugar que, nos anos 90, conseguia ser tão assustador quanto as histórias que o cercam.

Sobre o Novão

Durante os anos 90, o Novo Horizonte tornou-se conhecido em toda a região pela disseminação de uma lenda urbana macabra.

Moradores relatavam a existência de uma ‘lista’ fixada nos fundos da paróquia Coração Eucarístico de Jesus, situada na praça central do bairro.

A tal lista preconizaria quem seria assassinado durante os três dias da Festa de 1.º de Maio.

Contexto Dorival: A Agenda Oculta do 1.º de Maio

A Festa de 1.º de Maio, também conhecida como “Festa do Macarrão” ou “Festa do Novão”, é a principal quermesse da região do Vale do Paraíba.

No dia 28 de abril, uma missa tradicional inaugurava os festejos — talvez para encomendar, antecipadamente, as almas das futuras vítimas; e, em 1.º de maio, a celebração encerrava-se em meio a supostos assassinatos.

Nota: Atualmente, o evento de 1.º de Maio no Novo Horizonte já não tem o mesmo formato de antes, ficando restrito à distribuição de macarronada e à Rua de Lazer. Esse enfraquecimento se deve principalmente ao fim das quermesses com shows e palcos após a pandemia.

Nota 2: Nos dias atuais, o bairro não é mais tão perigoso quanto nos anos 90.


As histórias sinsitras que você vai ler abaixo, no entanto, não aconteceram durante a Festa 1.º de Maio, muito menos em alguma rua sombria com nome de profissão do Novo Horizonte, mas sim na escola Dorival Monteiro de Oliveira, que, como mencionado, está situada a poucos metros de onde a “lista mortuária” era afixada, bem em frente à praça da igreja; outro lugar cheio de lendas; que talvez eu conte aqui no blog algum dia.

Não se sabe ao certo em que ano esses relatos aconteceram. Os textos a seguir foram elaborados a partir de excertos coletados de redes sociais.

Leia Também: O Castigo da Festa do Novo Horizonte

A Origem dos Relatos

As pessoas comentavam fatos interessantes, incluindo lendas urbanas. Por sorte, salvei na época alguns comentários no “Google Keep” e os encontrei recentemente. Resolvi então juntar as informações e reescrever os fatos relatados.

Relato De Uma Antiga Estudante do Dorival

Quando eu estava na oitava série, ouvi rumores de assombrações contados pelos funcionários da escola. Aqui estão as histórias:

Em meados de 2004, por volta das onze da noite, o vigia trancava a sala de informática quando presenciou os monitores ligarem simultaneamente. O fenômeno ocorreu no exato instante em que ele fechava as portas.

Naquela sala estavam os poucos computadores que a escola tinha. O vigia contou que saiu correndo, assustado com o que presenciou.

Na escola, há quatro pavimentos, com as quadras de esportes localizadas no primeiro e no último andar.

Em outro relato, ocorrido uma semana após o incidente, um segundo vigia apagava as luzes quando viu uma garotinha atravessando o corredor das salas.

Ele conta que desceu rapidamente as escadas para confrontar o invasor, mas a menina que corria desapareceu como um borrão de luz, sem deixar vestígios.

Lembro que, na época, enquanto o vigia contava essa história, minha amiga e eu reparamos que os pelos do braço dele se arrepiavam.

Ele afirmava escutar passos na quadra, e o outro vigia que fazia turno com ele relatou ter visto uma menina e um menino com aparência oriental vagando por lá.

As manifestações ocorriam principalmente à noite, após as aulas do EJA.

Os funcionários tentaram diversas vezes surpreender os ‘intrusos’, mas as aparições se limitavam a uma única testemunha.

Leia também: A Lista de Mortuária do Novo Horizonte

Esta parte da história que vou narrar me dá arrepios só de lembrar, pois aconteceu comigo. Eu estava no intervalo e logo em seguida faria uma prova; não me lembro de qual matéria, então decidi passar no banheiro antes de entrar na sala.

Escolhi o banheiro de cima, pois o de baixo estava lotado. Foi uma péssima decisão, porque quando cheguei lá, as janelas estavam abertas e um vento forte soprava, emitindo um som sinistro de terror.

Costumava usar o último box, mas ao chegar, ouvi uma descarga sendo acionada sem que ninguém a apertasse.

Saí em disparada e corri tanto que por pouco não fiz xixi nas calças. Cheguei sem ar ao final do corredor e encontrei a inspetora com minhas amigas, que estavam me esperando.

Eu estava pálida de medo. Decidi voltar ao banheiro com elas, e desta vez a torneira estava aberta. Foi uma cena estranha, pois não havia ninguém naquele banheiro.

A inspetora brincou: “Deve ser a garotinha japonesa que vaga por aí…”

Leia também: O Trem Fantasma de S. José dos Campos

Dossiê Dorival Monteiro de Oliveira

Linha do tempoDescrição
Inauguração e primeiros anosA escola foi inaugurada em 1979, e a primeira sala de aula era feita de madeira.
Primeira professoraA primeira leva de alunos foi alfabetizada pela professora Elsa.
Uniforme da década de 80O uniforme era composto por saia xadrez, ou short, camiseta branca; era comum também os alunos usarem congas nos pés.

Os antigos alunos do Dorival contam que, quando a escola foi inaugurada, as salas eram barracões de madeira com muitas frestas no piso, e quando um lápis caía nos vãos, ficava preso para sempre.

Em 1979, a segunda Festa do Trabalhador foi organizada na escola, e foi na cozinha do Dorival que fizeram a famosa macarronada.

A primeira festa do trabalhador aconteceu no dia 24 de setembro de 1978, com um churrasco na Av. Tancredo Neves, perto da casa do fazendeiro sr. José Carlos. (Para saber mais sobre a lenda da festa 1º de maio, CLIQUE AQUI.

Veja Também: Relato de Terror: Festa 1º de Maio e castigo por consumir uma oferenda.

A Origem da Escola: No Brasil, é comum que as escolas públicas recebam o nome de um professor marcante e já falecido. Mas será que alunos e professores já pesquisaram para descobrir quem foi o Professor Dorival Monteiro de Oliveira?

Ficha Técnica

NomeDorival Monteiro de Oliveira
Nascimento10/02/1891
Falecimento12/04/1967
Atividades PedagógicasIniciou suas atividades na Escola do bairro do Caethê, atuou no Grupo Escolar Olímpio Catão, na Escola Noturna e na Escola Santa Cruz.
Carreira AdicionalServiu como Escrivão de Polícia e Coletor Estadual em Bragança Paulista até sua aposentadoria após 44 anos de serviço.
Pós-AposentadoriaNomeado Chefe de Gabinete da Prefeitura de Bragança Paulista.
FalecimentoFaleceu repentinamente em sua mesa de trabalho nas dependências da prefeitura.
LegadoSua dedicação e contribuição à educação e ao serviço público deixaram um legado significativo, sendo lembrado e celebrado pela comunidade até hoje.

Mitologias Ginasiais – Verdade ou Lenda Urbana?

1- O professor Marinho é um viajante do tempo:

Segundo rumores de antigos alunos, a aparência do professor Marinho é a mesma desde a chegada dos portugueses no Brasil em 1500.

(VERDADE)

2- A professora Elionet é motoqueira:

Reza a lenda que Elionet, professora de Artes, que lecionou no Dorival do final dos anos 90 ao início dos anos 2000, era motoqueira.

(VERDADE)

3- Ao atravessar a ponte do Majestic, você adentrava no mundo de Jurassic Park:

Havia muito preconceito nos anos 2000 em relação aos alunos que moravam no Bairrinho, Capão Grosso e Majestic.

Tenho um amigo que namorou uma menina que morava no Capão Grosso.

Lembro-me de que ficávamos horas na calçada da casa dele criando teorias sobre criaturas e universos que ele encontraria ao visitar a namorada.

Leia Também: 11 coisas Que o Joseense Já Fez (Parte 3)

A história mais engraçada foi a de que “Jurassic Park” teria sido gravado no Capão Grosso. Apesar de soar infantil, rimos até desmaiar.

(LENDA)

4- Os alunos matavam aula para nadar no riozinho do Bulica:

Para saber mais sobre a lenda, clique AQUI. De fato, havia um “córrego” com esse nome no Santa Helena, onde os alunos costumavam matar aula para nadar e fumar maconha. (VERDADE)

5- Todos os anos, um aluno do Dorival era assassinado

Sempre havia um aluno que morria. Não vou citar nomes, mas, na minha época, ocorriam todo tipo de obituário: acerto de contas, débito por drogas, afogamento na represa da Pousada do Vale…

(VERDADE)

6- Alguns alunos que moravam no Majestic vendiam o vale-transporte e compravam salgadão e refrigerante Dolly:

No início dos anos 2000, ainda não existiam os cartões de vale-transporte como os de hoje, onde os créditos são cobrados automaticamente na catraca e carregados pela escola no final do mês de maneira digital. As passagens eram de papel, e muitos alunos as revendiam.

Os comerciantes, por sua vez, trocavam essas passagens por produtos alimentícios. Por exemplo, se a passagem valia R$ 1,20, no comércio ela era trocada por R$ 1,00.

Assim, muitos alunos preferiam ir a pé para a escola e guardar o “passe” para comprar um salgadão e um refrigerante Dolly. (ou até mesmo pagar uma conta em casa).

Mas preste atenção à frase anterior, eu disse “alguns”. Talvez esse seja o motivo de “essa minoria” que vendia o vale transporte, chegar na escola com um certo “excesso de hálito corporal”.

Nota: O comercial com o boneco mascote da Dolly e da Mil Mix fizeram sucesso nessa época.

(VERDADE)

7- Antigamente, não existiam portões separando os pavimentos, e era possível caminhar livremente pela escola.

Fiquei assustado ao ver as fotos atuais da escola. Todos os pavimentos estão separados e trancados com grades. É sufocante!

(VERDADE)

8- O professor Marinho se lembra do sobrenome dos alunos que deu aula na época de José de Anchieta:

Reencontrei o professor Marinho depois de uma década, e ele me chamou de “Del Passo” (nem eu lembrava o meu sobrenome).

(VERDADE)

9- No dia do ataque às Torres Gêmeas, os alunos foram dispensados para assistir ao episódio de Dragon Ball em que Goku se transformava em Super Saiyajin nível 3 na TV Globinho:

Esse rumor falso pode ser visto como resultado do “efeito Mandela”, que ocorre quando a sociedade compartilha memórias falsas.

Pesquisando sobre eventos do início dos anos 2000, encontrei uma matéria que revela que, 20 anos depois, a produção da Globo desmentiu essa lenda, confirmando que, no momento do anúncio do plantão que noticiava o ataque às Torres Gêmeas, o programa infantil “Garrafinha” estava no ar — e não Dragon Ball.

Sem brincadeira, lembro que, naquele dia, o professor Fernando (de história) teve uma discussão séria com a turma sobre a represália dos EUA.

O que aconteceu de fato: os EUA atacaram o Afeganistão e o Iraque.

(LENDA)

10- Dorival Monteiro era considerada a pior escola de São José nos anos 90:

  • Nos anos 90, não só a escola, mas o bairro também era considerado o mais perigoso de São José, rivalizando com o Campo dos Alemães.
  • Contam que os bandidos do campo tinham medo de colar na festa “1 de Maio” e ver o nome na lista atrás da igreja. Para saber sobre essa lenda.
  • LEIA AQUI! (VERDADE)

11- Os alunos do Dorival juntavam dinheiro para comprar revistinhas do Pokémon Club, Ação Games, Recreio, na banca do Seu João:

  • Na foto⤵️, a banca do Seu João no começo da década de 90, quando a Praça 1º de Maio ainda não era arborizada.
  • Sobre as revistinhas: a criançada gastava mais dinheiro com esses álbuns de figurinhas que sorteavam “jogo do mico” e “caça varetas”.
  • O golpe vinha logo na capa do álbum: havia a imagem de um Nintendo 64, Ford Ka, mas o máximo que você conseguia sortear era um jogo de dominó.
  • (VERDADE)

12- DM na camiseta significava “Doente Mental”:

  • Na época, os alunos contavam essa piada, hoje considerada capacitista, de que o “DM” da camiseta do uniforme significava na verdade “doente mental(LENDA)

Nota: Uma piada capacitista é aquela que ridiculariza, desvaloriza ou perpetua estereótipos negativos sobre pessoas com deficiência, seja ela física, intelectual, sensorial ou mental. Em outras palavras, é fazer humor com algo que causa grande sofrimento para as famílias que convivem com essas pessoas.

In Memoriam ✝️

Recordamos com carinho o nosso colega Lucas Ramires do Nascimento, ex-aluno do Dorival, assassinado em 2022. Lucas estudou nos períodos da tarde e da noite no Dorival.

Lucas tinha uma risada “patética” e, nos momentos de silêncio na sala, costumava rir alto (às vezes até gemer), assustando os professores e causando vergonha alheia em todos.😂😭) – RIP

Quero também relembrar a professora Nilce Conceição Lima, que lecionou no Dorival Monteiro de 2007 até 2011, permanecendo lá até o dia de seu falecimento.

Hoje, a escola estadual localizada no Jardim São Leopoldo, em São José dos Campos, recebe seu nome: E.E. Professora Nilce Conceição Lima.

“Mito” ou EntidadeO que diz a lendaVeredito Humorístico
Professor MarinhoDizem que ele tem a mesma cara desde que Pedro Álvares Cabral pisou no Brasil em 1500.Imortal. O homem não usa protetor solar, usa formol. É o único professor que deu aula para os dinossauros e para a Geração Z.
A “Jurassic Park” do MajesticQue ao atravessar a ponte do bairro Majestic, você entrava no set de filmagem de Steven Spielberg.Efeito Especial. O preconceito da época era tanto que a galera achava que ia encontrar um Velociraptor no Capão Grosso em vez de um vizinho.
Professora Elionet (A Motoqueira)A professora de Artes que, entre um desenho e outro, dominava as estradas em duas rodas.Fato. Enquanto os alunos sofriam para desenhar casinha, ela provavelmente estava planejando sua próxima rota na Rodovia Dutra.
O Riozinho do BulicaUm córrego onde os alunos iam para “estudar a natureza” (leia-se: matar aula e fazer coisas ilícitas).Clube de Campo. O “Bulica” era o resort particular de quem não estava a fim de aguentar a 3ª aula de matemática.
A Maldição do AnuárioA ideia de que, todo santo ano, pelo menos um aluno da escola passava desta para a melhor.Triste, mas Real. Entre afogamentos e “acertos de contas”, o seguro de vida para alunos do Dorival nos anos 2000 devia ser caríssimo.

E você, aluno ou funcionário, tem alguma história marcante sobre a Escola Dorival Monteiro registrada na memória para compartilhar nos comentários?

9 comentários em “Escolas Assombradas: Dorival Monteiro de Oliveira

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