Continuando a seleção de fatos sobre São José dos Campos… Se não viu a segunda parte (veja aqui)
1- Paricipou de Festas Juninas da Escola
| Quem não se lembra das festas juninas na escola? Das barracas de pesca, das comidas típicas… marcaram a infância de quem cresceu nos anos 90. |

Os anos 90 foram uma época estranha, não é? Lembro-me de uma apresentação na escola E.E. Jardim Castanheiras (hoje Amintas), em que as alunas da 4ª série fizeram uma performance que hoje seria considerada inadequada — e até caso de polícia.
Em 1997, eu estava na 3ª série e lembro-me como se fosse hoje: logo após a quadrilha da festa junina, seis alunas subiram no palco e simplesmente reproduziram a coreografia do grupo É o Tchan!, tal como Carla Perez, inclusive com uma indumentária semelhante à dela.

E, pasmem, ninguém acionou o “Conselho Tutelar”, a “Secretaria da Educação”, muito menos o “ECA” foi evocado. 😮
Afinal, vivíamos o auge dos anos 90, época em que Luiza Ambiel aparecia de biquíni na Banheira do Gugu tentando impedir Compadre Washington, de sunga, de pegar os sabonetes — tudo isso transmitido em plena hora do almoço no Domingo Legal.
Nota: Na verdade, não sei se os pais dos alunos acionaram algum desses órgãos públicos para reclamar, pois eu tinha 9 anos e minha única preocupação era não perder o episódio de Pokémon que passava depois do programa da Eliana.
2- Passeou no Vale Desconto Shopping
| Um ponto de encontro para jovens e famílias, com fliperamas, cinema e lojas que marcaram época. |

Sendo da zona leste, eu costumava ir bastante ao Centervalle, principalmente porque minha mãe trabalhou na Mesbla em 1994. Ainda assim, lembro-me dos relatos dos ‘boys’ dos anos 90 contando que foram ao Vale Desconto Shopping comprar uma camiseta da HD.
O mais próximo que cheguei desse shopping de playboy foi encontrar uma pipa escrita “Vale Desconto Shopping” na antena da minha casa no bairro “Jardim Castanheiras”, que apareceu na primeira semana após a minha mudança.
3- Brincou Muito na Rua
| Esconde-esconde, kingoraia e futebol com chinelos eram comuns nos anos 90 |

Com a chegada da internet de banda larga, crianças e adolescentes passaram a se reunir para jogar online, ao contrário dos anos 90, quando as interações ocorriam nas ruas.
Lembro-me bem da minha rotina na década de 90: durante o dia, eu passava o tempo andando de bicicleta, enquanto as noites eram dedicadas a brincadeiras como esconde-esconde, kingo ou raia, sendo esta última especialmente atrativa para os meninos, por causa da porradaria que rolava solta.
A rua da minha infância era um lugar mágico. Eu me lembro até hoje de como eu fazia: 1 – chegava da escola à tarde; 2 – engolia qualquer coisa na cozinha; 3 – trocava de roupa, calçava um chinelo; 4 – corria para chamar o meu melhor amigo na casa dele para brincar.
Você já parou pra pensar na última vez que chamou um amigo na casa dele e disse: “Vamos brincar”?
4- Foi na Feira do Rolo, Feira do Carro
| Não consigo definir essas feiras nem como elas surgiram, a única certza que tenho é que 90% dos eletrônicos vendidos não funcionavam. |

Na feira do carro na Av. Pres. Juscelino Kubitschek, trabalhei um dia vendendo salgados e sucos com a família de um vizinho que tinha uma barraca.
Já a feira do rolo, que acontecia na rua do Paço Municipal, era uma verdadeira tragédia! Lembro-me de ter comprado uma fita de Mega Drive do jogo Quack Shot que, adivinha só? Não funcionou! O único “quack” que ouvi foi o que meu Megavision ao não reconhecer a fita!
5- Foi Em Algum Evento, Acampamento, Ou Grupo De Oração Na Comunidade Católica Magníficat
| Uma versão joseense da comunidade Canção Nova |

Os eventos na comunidade atraiam um grande número de adolescentes de São José dos Campos; até pelo prórpio carisma da comunidade (salesianos), conhecidos pela filosofia de São João Bosco (Dom Bosco), fundador da Congregação, que acreditava que a igreja deveria estar presente na vida dos jovens como amigos e guias.
Lembro-me de ter assistido a uma apresentação de uma banda cover do Rosas de Saron no início dos anos 2000; no entanto, não estou completamente certo se o evento ocorreu naquele local ou em uma chácara próxima.
Meus amigos contavam histórias sobrenaturais sobre os acampamentos de jovens do Magnificat, e uma história que chamou a atenção foi sobre uma dinâmica na qual a pessoa subia em um lugar alto e deixava-se soltar e cair de costas, com os braços abertos, sendo amparada pelos colegas embaixo. Segundo o colega que participou dessa dinâmica no retiro, a pessoa experimentava uma sensação sobrenatural e catártica.
6- Participou da Cristoteca na SAB Novo Horizonte
| Um bailinho promovido pela Paróquia Coração Eucarístico de Jesus onde a juventude dançava as versões católicas das músicas profanas do momento |

Quem nunca se jogou num funk proibidão remixado com as letras do Padre Marcelo Rossi? Pois é, na melhor homenagem a Renato Russo, essa reunião de criaturas exóticas poderia ser resumida assim: “festa estranha com gente esquisita”!
7- Foi Feliz Sem Saber
| A vida resumida em “encontros e despedidas”. |

Alguém que você gosta certamente estava vivo na década de 90, e você teve a oportunidade de aproveitar cada momento ao lado dessa pessoa, mas não ofez, pois não sabia aqueles anos seriam os últimos.
Os anos 90 foram bem isso, éramos felizes e não sabíamos. Passávamos as festas de final de ano com as pessoas mais importantes e nem nos dávamos conta desse privilégio.
6- Ouviu Falar Numa Vidente Católica Que Pregou o Fim do Mundo Em São José nos Anos 90
| Lenda urbana joseense da década de 90 |
NOTA: Na imagem abaixo está o local exato onde a vidente teria prognosticado o fim do mundo.

Em 1997, uma história ganhou destaque acerca de uma vidente católica que, durante uma quermesse, ao ser entrevistada pelo padre, fizera uma profecia sobre o fim do mundo. De acordo com esses augúrios, o fim dos tempos estaria iminente, com a possibilidade de ocorrer ainda naquele mês de novembro do mesmo ano.
Na data exata daquele arrebatamento, segundo ela, as pessoas que conseguiram ficar na terra para uma, digamos, segunda chamada, deveriam fechar as portas, acender velas e permanecer enclausuradas rezando o terço. Segundo a vidente, o diabo ia aparecer na porta disfarçado de um parente, porém, se você abrisse, ele carregaria toda a sua família para o umbral.
A quermesse, na qual foi proferida essa profecia na década de 90, ocorreu no Bairro Vista Verde, especificamente no terreno onde hoje está o supermercado Dia
Nota: talvez a profecia acontecesse na virada de 31 de dezembro de 1999 para 2000, já que essa era a mística da época: Nostradamus, bug do milênio, Armagedom etc.
7- Foi em Uma Feira-Livre do Seu Bairro e Comeu Pastel
| Um clássico do povo brasileiro junto com filtro de barro e vira-lata caramelo. |

No Novo Horizonte, os fiéis saíam da missa na “Paróquia Coração Eucarístico de Jesus”, e em vez de ir para casa, corriam para comer um pastel com caldo de cana, como se fosse a recompensa divina por terem suportado o sermão do Padre Cândido!
8- Primeiras Experiências Em Locadoras de Vídeo
| A geração ‘torrent’ e Netflix jamais sentirá a emoção de encontrar todos do seu bairro em uma sexta-feira à tarde na locadora, atrás do clássico ‘Do que as Mulheres Gostam’! |

Atualmente, nenhum dispositivo eletrônico consegue replicar o fascínio quase mágico que o videocassete exerceu sobre o imaginário do brasileiro médio. Eu lembro da cena da garota mais bonita da minha rua se vangloriando de ter gravado o filme Mortal Kombat em uma fita.
Essa era uma prática comum na década de 90, pois não havia internet como a conhecemos hoje. Certamente Mano Brown profetizou os fetichismos de mercado da década de 90: Internet, videocassete, os carros locos ♪♫.
9- Pagou para Jogar em um locadora de Games
| Robson Games foi a sensação nos anos 90 |

Nos anos 90, os menos afortunados passavam o tempo jogando minigame e dominavam no Tetris, enquanto os mais humildes se divertiam com o Master System, explorando Alex Kidd ou Sonic no Mega Drive. Já as famílias que tinham casa própria se sentiam abastadas com um Super Nintendo, curtindo Donkey Kong. Por outro lado, o PS1 e o Nintendo 64 pareciam miragens no deserto – luxos reservados para os boys que assinavam Directv e ostentavam um Corsinha Wind na garagem.
10- Sentiu Aquela Adrenalina Gostosa ao Matar Aula
| Matar aula? Gostoso demais! |

Nos anos 90, eu estudava na célebre escola Geraldina Coelho Monteiro, onde aprendi a arte de “matar aula”. Meus momentos de liberdade eram passados soltando pipa e fumando cigarros baratos (Pagode, Derby, quem se lembra?).
Era um arrependimento tão gostoso que, até o arrependimento se arrependia de estar arrependido. Quando o relógio marcava 17h15, eu e meus amigos voltávamos pra casa como se fôssemos alunos de cursinho, todos tranquilos.
Às vezes, a monotonia era tanta no morro do Santa Inês que eu não aguentava e voltava pra casa às 15h00, dando uma mentirinha básica pra minha vó dizendo que saímos mais cedo. Afinal, quem nunca?
Há alguns meses, fui matar aula, mas lembrei que agora eu era o professor e, se eu faltasse, descontariam no meu salário, e muito provavelmente a diretora ligaria no Zap pedindo explicações. 😢
11- Fez Algum Curso de Informática
| Informática, rock, MTV, Walkman, CD-ROM, disquete, apaerelho de videocassete, pager, agenda eletrônica, Carla Peres — eram termos super descolados nos anos 90, mas que hoje são coisas de tiozão |

Informática era o termo do futuro em 1997, quase como dizer que faltava pouco para os atores sairem do videocassete – o equivalente atual seria “Inteligência Artificial”, mas, na verdade, só queríamos que o o Chatgpt listasse os links dos torrents…!
Até hoje eu tenho o diploma da Millenium Informática com as disciplinas: MS-DOS, Windows 95, etc.
Chegamos ao fim da nossa lista!😮😊💣 Convido-os a dar uma olhada na parte 4 aqui!.
FIM