Relato de Terror: O Castigo da Festa do Novo Horizonte

O que você faria se, no caminho para casa, encontrasse um ébó — o famoso ‘trabalho de santo’? Essas oferendas geralmente ocupam as encruzilhadas, locais onde as ruas se dividem e que, nas religiões de matriz africana, simbolizam decisão, mudança de destino e transformação espiritual.

— Comida, dinheiro, bebidas e cigarros são deixados como agrado às entidades nesses entroncamentos. Sabendo desse significado espiritual, você teria coragem de consumir ou interagir com esses itens?

Aviso: Se histórias sobre entidades causam medo em você, interrompa a leitura deste relato agora.

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Minha Tia Recebeu um Castigo por Consumir uma Oferenda

Quando o frio da serra descia para São José dos Campos, eu sabia que já estava chegando o tempo da Festa do Trabalhador (vulgarmente chamada de festa do macarrão), que acontecia no final do mês de abril no “novão”.

No ano em que esse relato ocorreu, eu era adolescente, e morava na zona sul da cidade (Morumbi) e costumava ir todo ano, no final do mês de abril, ao Novo Horizonte para participar da Festa de 1º de Maio.

Nessa época, no final dos anos 90, eu geralmente dormia na casa da minha tia, na Rua dos Encanadores, localizada atrás da Paróquia Coração Eucarístico de Jesus.

Como a festa terminava depois das 22h e, nesse horário, não havia ônibus para retornar ao meu bairro, acabava dormindo lá.

As apresentações no palco da festa Primeiro de Maio sempre terminavam cedo, e às 23h as barracas já estavam totalmente desmontadas. Mesmo assim, minha prima Cibele e eu sempre ficávamos até de madrugada naquela praça assustadora conversando.

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Já passava da meia-noite quando minha prima e eu decidimos voltar para casa. Voltamos pelas sombras e, ao abrirmos a porta da sala, encontramos minha tia deitada no sofá dormindo. Ela despertou abruptamente ao ouvirmos o som da porta se fechando.

Na televisão, a vinheta de jazz do programa do Jô Onze e Meia tocava, enquanto Rita Lee era entrevistada.

Nota: Tenho uma recordação vívida desta entrevista, e com uma busca rápida na internet, confirmei a ano da entrevista no Programa do Jô Onze e Meia no SBT: 01 de maio de 1998.

Tomamos banho e voltamos à sala para comer um pão e tomar um copo de café com leite antes de dormir. Enquanto a vinheta do Super Cine passava na televisão, perguntei à minha tia por que ela não gostava de participar da festa, e ela respondeu com certa repulsa na voz:

– Eu, hein! O que eu ia querer andando por aquele lugar à noite?!
– Minha prima questionou. – É só uma festa… –, Por que você odeia tanto, mãe?
– Hoje é o último dia… já devem ter desmontado as barracas, e a rua dos Vidraceiros está vazia…

– ela disse, se encolhendo no meio das cobertas.
– Por que a senhora odeia tanto essa festa — O que aconteceu no passado?
– Conta, tia!

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E foi assim que minha tia narrou os acontecimentos daquela noite, ocorrida dez anos antes:

“Em 1990, eu tinha 20 anos, era solteira e voltava da Festa de 1º de maio com uma amiga.

Nesse dia, bebíamos um copão de farmácia, que compramos antes da barraca de bebidas fechar. Naquela época, a festa acontecia no local onde hoje é uma creche…

Estávamos caminhando antes de voltar para casa. Passávamos pela calçada que leva à SAB, onde agora é o UPA, quando vimos os seguintes objetos na encruzilhada:

Ela contava nos dedos enquanto enumerava os objetos.

Prato de farofa
Garrafa de Velho Barreiro
Maço de Carlton
Velas

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(…) Naquela época eu fumava e estava sem cigarro. Sem pensar duas vezes, peguei o maço, acendi um e comecei a fumar. Olhei no relógio: eram 23h30, e só havia eu e minha amiga naquela rua escura. Depois de algumas tragadas, apaguei o cigarro e não me lembro de mais nada.

Quando acordei, estava nua, caída entre o meio-fio e a rua, e minha amiga tentava me acalmar, e ela também não entendia o que estava acontecendo.

Desesperada, vesti as roupas que encontrei no chão e perguntei o que tinha acontecido.

Nota: No axé, o termo de origem iorubá Ebó designa a “comida de santo” e significa oferenda ou sacrifício, podendo incluir elementos de origem animal ou vegetal.

Fiquei em choque ao ouvir o relato dela:

— Amiga, você começou a fumar cigarros um atrás do outro, gritando palavras obscenas…

— Minha amiga, assustada, continuou a explicação —, Em seguida, você pegou uma bebida da oforenda e bebeu tudo direto da garrafa, dançando pela rua e se insinuando para mim; até o momento em que tirou as roupas e ficou pelada. — Nesse momento, você não me escutava mais, e quando tentei te ajudar, fui empurrada…

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De volta à sala da casa da minha tia no final dos anos 90, naquela noite após o relato, custamos a pegar no sono, e minha tia acabou indo dormir conosco no quarto.

Continuamos a conversa no escuro do quarto. Minha tia revelou que, na época, ela não seguia uma religião específica, apenas acreditava em Deus. Porém, naquela noite em que perdeu a consciência, ela disse que compreendeu que há situações que simplesmente não têm explicação.

Hoje sou espírita, frequento centros e reconheço que o que ela fez foi errado. Como consequência, acabou sendo incorporada por uma entidade. Ela aprendeu da forma mais difícil a não mexer com o sobrenatural.

Nota: Que este relato sirva de lição para você, leitor: se encontrar uma oferenda na rua, mesmo que não goste, respeite e mantenha distância.

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