Relato de Terror: A Coisa de Salto na Varanda

Em várias culturas e tradições, ouvir alguém batendo à porta de madrugada pode significar mau agouro ou um convite para entidades adentrarem à sua casa. Você atenderia à porta nesse horário?

Quando eu era mais novo, um versículo do livro de Apocalipse me deixou alarmado, com receio de Deus bater à minha porta de madrugada e eu não abrir:

“Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo… (Ap. 3:20)”

Afinal, é certo ou errado abrir a porta de madrugada? Só sei que o versículo foi tão marcante na época que coloquei esse quadro na prateleira: (imagem anexada) – Chega de contexto, vamos para a história.

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O Relato

Minha mãe criou três filhas sozinha: Giovana, 26 anos, Paola, 25, e eu, hoje com 23. Em 2006, minha mãe se casou com um homem vinte anos mais novo.

Mudamos para uma casa no mesmo bairro e, assim que arrumamos os móveis, ouvimos a história da antiga inquilina:

“Não contaram para vocês? A Regina, uma jovem de 20 anos que estava noiva, encontrava-se sentada nesta mesma varanda que estamos agora, uma semana antes de seu casamento, quando uma telha se soltou ecaiu em sua cabeça, matando-a instantaneamente…”

‘Que ótimo, pensei, só agora nos avisaram…’

Não havia um único morador do bairro que não tivesse avistado a tal ‘Regina’ perambulando pelo quintal. Outro motivo para eu não gostar dessa casa era o fato de ter MUITAS baratas, muitas mesmo.

Uma noite, Paola e eu colocamos o colchão na sala, porque apareceu uma barata voadora no quarto (como se não houvesse baratas em toda casa). Eu dormia um sono profundo, quando a Paola me chamou.

Olhei no relógio e marcava 3 horas da manhã. Ela perguntou se eu estava ouvindo. Fiquei quieta, até ouvir passos na varanda; mas não eram apenas passos, era alguém de salto alto andando de um lado para o outro.

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Vocês não sabem, mas sou uma grandíssíma medrosa. Cobri a cabeça e minha irmã se levantou para chamar a minha mãe.

Ela e meu padrasto se levantaram, enquanto nos perguntávamos:

‘Como pode ter alguém perambulando no quintal, se os dois portões estão trancados com cadeado?’

Havia duas ruas que cortavam o bairro – a rua principal e a rua que chamávamos de ‘a rua de dentro’ – nossa casa ficava no meio dessas duas ruas. Sendo assim, havia saída para as duas ruas, por isso, os dois portões.

Meu padrasto, que sempre gostou de chamar atenção para si, foi ver quem era. Quando ele abriu a porta, deparou-se com um senhor moreno, que aparentava ter 65 anos. A presença do senhor não era o problema, e sim o seu calçado.

Notei que ele usava um chinelo de dedo, sendo, portanto, impossível ele ter produzido os ruídos de salto alto na varanda.

Me arrepio só de pensar. Meu padrasto perguntou o que ele queria no quintal dos outros a essa hora da madrugada. O senhor disse: ‘Meu nome é fulano (não me lembro do nome) e eu vim visitar minha filha que mora aqui.’

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Meu padrasto disse que a filha dele não morava mais lá e que nós éramos os atuais moradores, mas o senhor insistiu – ‘Vim visitar minha filha ‘Regina’, ela mora aqui!’ Então minha mãe chamou meu padrasto e disse: ‘Léo, ‘Regina’ era aquela mulher que morava aqui, mas morreu com a telha, lembra?’

Foi nesse momento que meu padrasto voltou para a porta e convidou o senhor para entrar. Os dois se sentaram em uma cadeira na copa e meu padrasto falou para ele:

‘Meu senhor, sua filha não mora mais aqui, ela já morreu faz tempo, o senhor não se lembra?’ E, para meu pavor, o senhor disse: ‘Não, não… É claro que ela ainda mora aqui, ela está sentada bem ao seu lado, olhe aí!’

Meu padrasto congelou a face. Horas se passaram. Paola e eu fomos dormir com minha mãe na cama dela, enquanto Léo e o senhor conversavam como se fossem amigos de longa data.

Por volta das 5 da manhã, o senhor disse que precisava ir embora, pois morava numa cidade chamada ‘Rio das Flores’, a 40 minutos.

Meu padrasto perguntou como ele faria para voltar, e o senhor respondeu que do mesmo jeito que veio: andando.

Então, ele pediu um pedaço de papel para anotar o número só seu telefone, porque tinha gostado do meu padrasto. Ele anotou, e meu padrasto o levou até o portão.

Quando meu padrasto entrou, minha mãe questionou o porquê de colocar um homem desconhecido dentro de casa àquela hora da madrugada. Meu padrasto estava desordenado e não ouviu o que minha mãe falou.

Ele voltou para se certificar de que os dois portões estavam trancados.

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Entrou na sala e trancou a porta, e, quando foi procurar o número do senhor que ele havia deixado na mesa da copa, não encontrou o papel. Ele ainda procurou por 30 minutos antes de dormir.

Nas semanas seguintes, ele quis saber a respeito do senhor e descobriu que todas as características dele batiam com o pai de Regina, porém ele havia falecido há dois anos, um ano depois dela.”

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