Lenda Urbana: A Lista de Mortuária do Novo Horizonte

O que você faria se encontrasse seu nome em uma lista de condenados à morte? Parece cena de seriado sobre investigação policial, mas aconteceu em São José dos Campos nos anos 90.

A Lenda

Poucos dias antes da tradicional quermesse do Dia do Trabalhador, no muro dos fundos da Paróquia Coração Eucarístico de Jesus, uma lista escrita à mão era colada.

Nela, estavam os nomes das pessoas marcadas para serem executadas durante os três dias do evento.

Imagine o clima que tomava conta do bairro ao ver aquele rol de futuras vítimas exposto bem na parede da igreja?

O Contexto da Cidade

São José dos Campos é uma cidade do interior de São Paulo, reconhecida pela sua vanguarda em tecnologia, mas que ainda mantém características e traços provincianos.

Marcada por inquéritos sobre sacis (leia aqui), corpo seco (leia aqui), a cidade foi palco de um intrigante caso de assassinatos em série.

Os moradores da Zona Leste da cidade contam que, durante os três dias de celebração da Festa do Trabalhador, uma lista era afixada na parte de trás da paróquia Coração Eucarístico de Jesus, com os nomes das pessoas que, segundo diziam, ‘partiriam para a cidade dos pés juntos“.

Existem vários relatos do final dos anos 90, provenientes da escola Dorival Monteiro, sobre alunos que, após se envolverem em confusões e verem seus nomes na lista atrás da igreja, fugiram para Brasópolis, Itajubá.

A Festa do Trabalhador no Parque Novo Horizonte acontece desde a década de 70, e reúne cerca de noventa mil pessoas todos os anos. 

Leia Também: Escolas Assombradas: Dorival Monteiro de Oliveira

Nota: Os rumores da lista de morte teriam começado na década de 90, época que as quermesses eram subterfúgios da bandidagem; onde bebiam corote, esbarravam nos transeuntes e arrumavam confusão. 

A Disseminação da Lenda

Um morador do bairro Santa Helena, conhecido como Fuca, foi testemunha do caso. Ele teria visto um indivíduo colando a lista na parede atrás da paróquia.

— Esse relato é do início dos anos 2000. Quando Fuca interrogou o meliante, ele teria recuado, e alegando estar somente cumprindo ordens.

De acordo com relatos dos moradores do Novão e alunos do Dorival, existia uma regra que a criminalidade precisava seguir: nenhuma vida poderia ser tirada na presença da namorada ou da mãe durante uma festa.

Esta norma seguia a “cartilha de conscientização do PCC“, que menciona a palavra “família” em 35 ocasiões, conforme indicado:

No entanto, a verdade é que apenas algumas poucas pessoas tiveram acesso à lista, transformando essa história em uma verdadeira lenda urbana.

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