Recontando Histórias: A Montanha Encantada

Sabe aquela sensação quando você lê o poema “Meus oito anos”, de Casimiro de Abreu? “Naquelas tardes fagueiras, à sombra das bananeiras, debaixo dos laranjais!”? Pois bem, é o que sentimos ao ler “A Montanha Encantada”.

O sítio do padrinho é propício para conspirações infantis. Lá encontramos morros altos, de onde é possível avistar toda a natureza da região; espaço no qual as vacas pastam, e os rios Piracuama e Ribeirão fluem.

Esses rios deságuam no Paraíba do Sul, onde está localizada a “Ilha Perdida” de Simão e onde Eduardo e Henrique se perderam; há também o pomar com os pés de manga, de onde as crianças enxergaram a luz azul brilhando na Serra.

Aliás, a visão que se tem lá debaixo em dias de tempestade, quando as nuvens cinza descem de Campos do Jordão, é assustadora e lembra aquelas cenas na “Terra Média” em “O Senhor dos Anéis”.

Todavia, a maior riqueza são os moradores, e nesse livro conheceremos as primas Vera, Lúcia e Cecília, e os cachorrinhos Pingo e Pipoca – que farão tanto sucesso, que terão um livro só para eles.

Sobre o Livro

A publicação a seguir é um texto expositivo do livro A Montanha Encantada, da autora paulista Maria José Dupré.

Editado originalmente em 1945, o livro é um clássico da literatura infantojuvenil brasileira e faz parte de uma coleção chamada “Cachorrinho Samba”, em alusão aos dois animaizinhos que acompanham os personagens na aventura na montanha.

A história que você vai ler é uma continuação das aventuras de Eduardo e Henrique na ilha perdida.

Os dois irmãos retornam da aventura para terminar as últimas semanas das férias escolares na chácara do padrinho em Pindamonhangaba.

Porém, o enredo principal agora se passa com os primos mais novos: Quico, Oscar, Vera Lúcia e Cecília.

Caro professor, este material foi formatado para ser utilizado em sala de aula (alunos do 1.º ao 7.º anos). É importante entender o propósito desta aula: recontaremos oralmente uma história, utilizando imagens e textos literários lidos pelo professor como apoio, alinhando à habilidade da BNCC: (EF15LP19, EF15LP18, EF15LP17, EF15LP16, EF15LP15).

O Contexto

Caso opte por usar esse resumo em sala de aula, peço que contextualize o cenário da história. Para isso, use a interdisciplinaridade, explique conceitos de geografia para falar da Serra da Mantiqueira e do Vale do Paraíba. Isso é importante para que os alunos compreendam melhor o contexto em que a história se passa e possam fazer conexões com o mundo real.

A Montanha Encantada

Depois da aventura na ilha perdida, as crianças passaram uma temporada sem novidades. Eduardo era convidado todas as noites para contar as histórias de Simão e de sua ilha cheia de animais. A fazenda do padrinho era rodeada por montanhas altas da Serra da Mantiqueira, e uma delas chamava a atenção de todos pela sua grandiosidade.

Certo dia, em um final de tarde, quando todos os primos estavam reunidos na escada da varanda (Quico, Oscar, Eduardo e Henrique), Cecília, a última prima a chegar ao sítio e a mais nova, levantou-se assustada e disse ter avistado uma luz azul brilhando no alto da montanha mais alta da serra. Os primos tentaram visualizar a luz novamente e ficaram discutindo o que poderia ser.

Na noite seguinte, as crianças estavam novamente na varanda contando estrelas, quando Eduardo levantou de repente, assustado, e apontou para o cume da montanha. Todos os primos ficaram boquiabertos, pois a luz azul estava brilhando mais uma vez na montanha (não era invenção da prima).

Eduardo correu para chamar os padrinhos. Quando chegaram na varanda, a luz já havia sumido. Bento e os meninos passaram a noite toda debatendo se a montanha poderia refletir uma luz azul.

Perguntar para os alunos o que poderia ser

— Os primos começaram a debater uma possível excursão até o topo da montanha.

Em uma tarde fagueira, as crianças saboreavam mangas no pomar, quando Cecília avistou novamente o brilho enigmático na Serra da Mantiqueira. Desta vez, a luz azul parecia ainda mais intensa do que na noite anterior. Os primos ficaram fascinados, pois sabiam que, normalmente, apenas pedras preciosas brilhavam durante o dia – nunca uma rocha comum.

Quem sabe o que poderia estar lá – um tesouro? Os primos correram para chamar o padrinho. No pomar, padrinho, madrinha, Eufrosina e Bento também notaram a luz brilhando no alto da montanha. Durante o jantar, o padrinho sugeriu uma excursão para desvendar o mistério da Montanha Brilhante.

Uma semana depois da promessa, o padrinho organizou uma caravana para buscar a luz na montanha. Um peão experiente na Serra da Mantiqueira foi à frente para abrir o caminho.

O plano era que cada um fosse com seu cavalo e levasse dois burros pequenos e resistentes para carregar os mantimentos, que incluíam comidas, barracas, cobertores e remédios para picadas de cobra.

A comitiva partiu antes do amanhecer. Na despedida, a madrinha aconselhou as crianças sobre obediência e higiene. Todos estavam animados. Cruzaram pastos, cafezais das fazendas vizinhas e chegaram ao limite das montanhas. Lá, os funcionários do padrinho os aguardavam, com facões na cintura para abrir caminho pela vegetação.

A subida era lenta, com os animais avançando cautelosamente por conta do terreno escorregadio. Depois de uma hora, Quico reclamou de sede, e o padrinho decidiu fazer uma pausa para se refrescarem. Eles abriram as cestas de mantimentos e aproveitaram a limonada preparada por Eufrosina.

Eles notaram que os animais também estavam com sede, mas o padrinho havia trazido apenas limonada e se esquecera de levar água para eles. Por isso, ele resolveu dividir a comitiva em três grupos para procurar água no alto da serra e combinou um sinal de três assobios para quem encontrasse água primeiro.

O cachorrinho Pingo foi o primeiro a encontrar a água, mas o riacho ficava em um declive acentuado, na ribanceira da nascente da serra. Por isso, o padrinho precisou descer um balde para puxá-la.

A comitiva seguiu o curso do rio, enfrentando uma subida cada vez mais íngreme. Em alguns trechos da serra, a vegetação densa fazia o dia parecer noite. Por fim, chegaram a uma cascata. O padrinho achou que aquele era o lugar perfeito para montar as barracas, pois o terreno era plano e havia água disponível.

Eduardo e Henrique descarregaram o burrico, enquanto Quico e Oscar foram buscar água, e as meninas saíram em busca de gravetos secos para acender a fogueira. Os empregados do padrinho tinham ido cortar a madeira necessária para montar as barracas e organizar o acampamento.

Depois de organizarem tudo, todos comeram os lanches feitos por Eufrosina, enquanto o padrinho preparava um café fresco. Eram apenas seis da tarde, mas parecia noite cerrada. O padrinho mandou todos irem dormir, pois precisariam acordar às quatro da manhã.

Uma hora depois, com a escuridão já tomando conta do acampamento, Eduardo acordou sobressaltado por um ruído. Seu coração disparava dentro da barraca que dividia com os primos (o padrinho estava na tenda com os empregados, e as meninas ocupavam a barraca do meio).

Eduardo e Henrique debateram se o barulho do lado de fora poderia ser o padrinho verificando algo com os animais; no entanto, os cachorros estavam latindo furiosamente e não atacariam ninguém do acampamento.

Com cuidado, todos deixaram suas barracas. Os cães e os cavalos estavam inquietos. O padrinho, em tom baixo, conversou com os empregados, que sugeriram a possível presença de uma jaguatirica.

Eduardo, ainda com os olhos pesados de sono, revelou ter ouvido passos fora de sua barraca. Henrique, com um olhar intrigado, perguntou quem poderia se aventurar por aquelas alturas, enquanto seu irmão mencionava a luz azul que haviam visto na fazenda do padrinho.

CONTINUAÇÃO: PARTE 2

O padrinho entregou a lanterna e a espingarda para que Bento ficasse de vigia durante a noite. Às quatro da manhã, ele acordou as crianças, que lavaram o rosto e escovaram os dentes na cascata antes de tomarem café. Depois de desmontarem as barracas e encilharem os cavalos, seguiram viagem montanha acima.

Passaram a tarde inteira subindo a montanha, sempre acompanhando o curso do rio. Quando o dia começou a terminar, estavam exaustos e precisando de um banho. Padrinho encontrou um trecho onde o rio formava um pequeno lago. As crianças aproveitaram para tomar banho, já que haviam levado sabonete e toalha.

O padrinho decidiu que Tomásio e Jeromão se revezariam na vigília. Tomásio sentou-se entre as duas barracas, segurando a espingarda com uma mão e o cigarro na outra.

Todos dormiram. Durante a noite, Vera sonhou que estava em um teatro, ouvindo uma linda melodia de sinos. Ela acordou com um trovão e percebeu que a música ainda tocava; beliscou a própria perna para ter certeza de que não estava sonhando. Não estava.

Levantou-se para perguntar ao vigia se também ouvia a música; ao levantar o cobertor, percebeu que Pipoca, o cachorrinho, dormia tranquilamente aos seus pés. Quando colocou a mão no zíper da barraca…

Ao colocar a mão no zíper da barraca, ouviu outro trovão e uma chuva torrencial desabou sobre a barraca. Ela voltou a dormir.

No outro dia, Tomásio contou que havia sonhado com uma música, já que dormira durante a vigília. Padrinho e os primos não acreditaram; riram e chamaram a montanha que canta de encantada.

A comitiva alcançou o topo da montanha. Lá de cima, podiam avistar todas as fazendas da região, além do rio Paraíba serpenteando pelas matas como uma fita estreita. O padrinho armou as barracas próximo à nascente da cascata que haviam descoberto no primeiro patamar da montanha. Depois, todos foram dormir.

No dia seguinte, bem cedo, Vera, Lúcia e Cecília foram as primeiras a acordar e aproveitaram para contemplar a vista. Quico e Oscar vieram logo depois.

Depois de um tempo admirando a paisagem, as crianças sentiram um tremor no chão e, de repente, perceberam que a enorme pedra do penhasco tinha girado, como a portinhola de uma caixa de correio, fazendo com que caíssem em um buraco escuro.

O QUE TERIA NESSE BURACO?

Dentro do buraco escuro, apareceu uma criatura com menos de um metro de altura, barba longa que chegava à cintura, chapéu pontudo e roupas antigas, surgindo diante das crianças.

O QUE SERIA ESSA CRIATURA?

O pequeno homem, com um olhar bondoso, revelou a Lúcia que era um anão quando ela o questionou. Ele mostrou grande interesse pelos cachorrinhos Pingo e Pipoca, mencionando que os antigos moradores da caverna também tinham cachorros, mas eles haviam morrido há muito tempo. Ele contou que vivia ali com outros cem anões e conduziu as crianças para dentro da caverna.

O anão sentinela guiou as crianças pelas ruas da caverna, onde elas notaram que o chão era feito de um material escorregadio e brilhante, que suspeitaram ser ouro. Os primos também repararam nas várias casas esculpidas nas rochas. Pequenas criaturas espiavam de suas janelas enquanto as crianças passavam. Comparadas aos anões, as crianças pareciam gigantes…

As crianças foram levadas pelo anão até o salão real, onde encontraram o príncipe dos anões. O monarca as recebeu com cordialidade e compartilhou a história de seu povo. Contou que os anões chegaram ao Brasil junto com os portugueses, na época de ‘Mem de Sá’, como parte de uma companhia de teatro que tinha a missão de alegrar as pessoas daquela época.

No entanto, ocorreu uma guerra entre os portugueses e os índios tamoios pelo Rio de Janeiro, e os anões, assustados com o conflito, fugiram. Durante a fuga, foram perseguidos pelos índios até a Serra da Mantiqueira, onde cavaram buracos para se esconder. Acidentalmente, encontraram uma caverna dentro da montanha, repleta de ouro e pedras preciosas.

O rei anão revelou que a luz azul era resultado de um experimento com diamantes feito por um cientista anão excêntrico, que tentava enviar uma mensagem para atrair os habitantes da lua.

O príncipe ordenou que as crianças fossem mantidas como prisioneiras na caverna até que ele decidisse o que fazer com elas. Quico e Oscar protestaram, dizendo que os adultos estariam desesperados à procura deles.

A princesa, ao ser informada dos visitantes, dirigiu-se ao salão real e chegou justamente no momento em que o príncipe anão proclamava o seu decreto real 👑. Demonstrando sua bondade, ela ofereceu sua casa como hospedagem.

Na casa da princesa, Eduardo descobriu que o som que ouvira na madrugada era de um anão chamado Julião, uma sentinela da caverna responsável pela segurança dos anões, designado pelo príncipe para investigar os intrusos.

Ela disse que o anão tinha passado por uma porta secreta até o acampamento do padrinho. Também mencionou que o sino era para anunciar o noivado dela com o príncipe dos anões.

As crianças visitaram a cidade dos anões. Lá, entraram em um prédio onde os anões produziam mel, sua única fonte de açúcar. As abelhas eram dóceis e voavam tranquilamente entre os anões sem picá-los.

Eles visitaram o edifício onde aranhas teciam fios para que os anões confeccionassem suas roupas e sapatos.

Por fim, eles visitaram o local onde os anões criavam centenas de galinhas, alimentadas com minhocas, pequenos insetos da terra e verduras.

Enquanto Quico e Oscar exploravam o interior da montanha, descobrindo o estilo de vida dos anões, eles examinavam atentamente todo o perímetro em busca da saída secreta da caverna.

TERCEIRA PARTE

Durante a visita, os anões fizeram perguntas curiosas: perguntaram às crianças se os índios ou os portugueses ainda estavam em conflito lá fora ou se ainda queriam capturá-los — entre outras questões peculiares. As crianças explicaram que os índios haviam se dispersado há muito tempo e que, nos dias de hoje, lá fora, existiam cidades, casas com jardins e flores. Os anões, sem saber o que eram flores, pediram a Cecília que desenhasse uma no chão.

Eles disseram que só conheciam flores das histórias folclóricas contadas pelos seus ancestrais. Além disso, nunca tinham visto pássaros, livros ou escutado música – o único instrumento disponível para eles eram os sinos, que tocavam em ocasiões importantes, como o anúncio do casamento do príncipe, que Vera ouviu na barraca e achou ser um sonho.

Um anão idoso concluiu, após ouvir a explicação da garota, que, apesar de a caverna estar cheia de ouro, os anões eram pobres, pois a verdadeira riqueza está em apreciar as belezas da vida, como os pássaros e as flores, bens naturais aos quais eles não tinham acesso.

Este é o principal ensinamento do livro de Maria José Dupré: “Mesmo cercados por toneladas de ouro, ainda podemos ser pobres, pois a verdadeira riqueza vai além dos bens materiais. Quão pobre é aquele que tem dinheiro, mas não tem tempo para apreciar a beleza de uma flor ou saborear uma boa comida.”

Na véspera do casamento do príncipe, as crianças participaram de um jantar. Elas voltaram para a casa da princesa e, quando todos já dormiam, tentaram escapar. Saíram silenciosamente, mas não conseguiram fugir, pois as ruas formavam um círculo eterno, sem saída.

No dia seguinte, as crianças participaram do casamento da princesa. Na véspera, os anões tiraram as medidas e fizeram os trajes para a cerimônia. Vera vestiu um traje cor de sonho, com gaze leve que chegava até os pés.

O vestido de Lúcia era azul, repleto de estrelas brilhantes, enquanto o de Cecília exibia as cores do arco-íris. Os cachorros usavam jaquetas e penas na cabeça. Já os meninos vestiam meias compridas, calças curtas e volumosas, jaquetas curtas e também tinham penas na cabeça.

As crianças decidiram fugir após o banquete. Os monarcas celebraram seu casamento em uma igreja repleta de ouro, já que não havia flores naqueles ambientes sombrios. As damas de honra espalhavam confetes dourados enquanto os noivos passavam. A princesa vestia branco, com um véu que alcançava o fim do corredor da igreja. O príncipe usava azul e carregava uma pesada coroa na cabeça.

Depois do casamento, as crianças aproveitaram o banquete. Na mesa, havia crista de galo, língua de galo, ovos cozidos, fritos, com mel, com casca e sem casca. De barriga cheia, elas foram para o baile. Como não havia instrumentos para música, os anões tocavam sinos e apresentavam coreografias medievais.

Enquanto a dança acontecia, as crianças tentavam fugir.

No momento em que encontraram a passagem por onde haviam entrado na caverna, foram surpreendidos pelo vigilante Julião, que desconfiou deles. As crianças inventaram uma desculpa e voltaram para a festa.

No salão do castelo, encontraram a princesa Filó, que anunciou a decisão que havia tomado com o príncipe: libertá-los. O príncipe anão afirmou que, por terem sido crianças obedientes e não tentarem fugir em nenhum momento (claro, ahã!), concederia a eles a liberdade. As crianças ficaram vermelhas de vergonha.

As crianças se preparavam para a despedida, trocando de roupa e devolvendo os trajes de festa. Enquanto tirava o casaco de Pipoca, Vera percebeu que Pingo havia desaparecido. Desesperadas, Vera, Lúcia e Cecília começaram a procurar o cachorro. A aia da princesa apareceu para lembrar que já estavam atrasados, mas as crianças decidiram que só voltariam depois de encontrar Pingo.

Vera e Lúcia saíram gritando e enfiando a cabeça nas janelas das casas dos anões, que se sentiram invadidos em sua privacidade. Quico acusou os anões de terem roubado seu cachorro, deixando-os indignados. Revoltados, eles se aglomeraram ao redor das crianças, gritando por sua prisão por importunação e calúnia.

Será que os quatro ficarão presos para sempre na caverna?

PARTE 4

O príncipe e a princesa ouviram um barulho vindo da cidade e decidiram sair para descobrir o que estava acontecendo. Na praça, encontraram uma manifestação de anões que alegavam ter sido acusados pelas crianças de roubar o cachorrinho. Enquanto os anões protestavam, a caixinha da princesa, onde ela guardava sua coleção de pulgas, caiu no chão.

Sim, eles nunca tinham visto pulgas ou cachorros, e por isso os consideravam extremamente valiosos. Quando pegou a caixinha, a princesa percebeu que as pulgas haviam sumido, o que a deixou muito triste. O príncipe então ordenou que todos os anões procurassem pelas pulgas. Eles se abaixaram para procurar e acabaram se esquecendo das crianças. Foi nesse momento que Pipoca farejou algo, levantou as orelhas e correu em disparada até a casa da princesa, com as crianças logo atrás dele.

O cachorrinho parou diante da porta do quarto da aia, a criada da princesa.

Será que ela tentou roubar Pingo?

A aia, sempre tão carinhosa, estava furiosa e ameaçou contar tudo ao príncipe caso invadissem seu quarto, avisando que seriam presos. Mas as crianças não se importaram e entraram mesmo assim para resgatar Pingo.

Lá fora, as crianças ajudaram os anões a encontrar as pulgas. No final, o príncipe não atendeu ao pedido de alguns anões que queriam que as crianças fossem presas. Ele se despediu delas e avisou que Julião já estava pronto para guiá-las para fora da caverna.

Na despedida, as crianças convidaram os monarcas a passarem uma temporada no sítio do padrinho. Vera comentou que havia tantas coisas que eles ainda não conheciam, como chocolate, café, leitão assado e sorvete de coco.

Perguntar para os alunos o que eles acham que a princesa e o príncipe deveriam experimentar.

O príncipe agradeceu e disse que havia jurado aos seus antepassados nunca abandonar a caverna, já que, embora não tivessem muitas posses, viviam em igualdade e harmonia, livres das vaidades do mundo exterior.

Em essência, é como escolher entre ficar na toca dos anões, com um cardápio eterno de frango e mel, mas uma paz constante, ou viver no mundo fora da caverna, enfrentando as dificuldades da sociedade, mas aproveitando chocolates e porco assado. No fim das contas, o que realmente importa é encontrar o equilíbrio!

Julião guiava as crianças pelas enormes e sombrias fendas da caverna. Conforme seguiam, viam as rachaduras refletirem a luz das estalactites, que pingavam um líquido iridescente no chão.

Quico e Oscar combinaram sinais para memorizar a saída, caso precisassem voltar algum dia. Porém, foram pegos de surpresa quando Julião apagou a tocha, deixando-os na escuridão.

As crianças ouviram o barulho de uma mola sendo apertada; em seguida, o som de uma serra cortando…

E, antes que percebessem, estavam sendo lançados para fora da caverna como uma bala de canhão.

As crianças foram lançadas para longe do ponto onde haviam entrado na caverna. Sem perder tempo, começaram a procurar o acampamento.

O padrinho está procurando por eles ou já considera eles mortos?

O tempo mudou e começou a garoar. As crianças precisaram buscar um lugar para se abrigar do temporal que se aproximava. Encontraram uma grande pedra e se esconderam embaixo dela.

Anoiteceu, e a visibilidade desapareceu por completo; a chuva caiu forte, formando rapidamente um lago ao redor deles. O volume de água aumentou cada vez mais, e após duas horas de tempestade, já alcançava os joelhos das crianças.

Quando estavam quase desistindo, aflitos pelo frio e pela fome, Cecília avistou uma luz na escuridão (literalmente). Os meninos imploraram para que ela não fosse ver o que é, temendo o desconhecido; mas foi então que Pingo escapou dos seus braços. Sem hesitar, Cecília correu em direção à luz, atrás do animal.

O que seria essa luz? O que encontrarão?

A luz era proveniente da lanterna de Henrique.

Logo depois, o padrinho chegou com os cachorros, que haviam farejado o acampamento e dado o alerta. Ele levou as crianças de volta às barracas, onde trocaram as roupas molhadas, tomaram um café com leite quente e comeram bolachas.

Quando terminaram o lanche, o padrinho iluminou cada um com a lanterna e disse: — Muito bem. Agora vamos conversar. Oscar, o mais velho, vai contar onde vocês estiveram desde ontem de manhã…

 As crianças fizeram um relatório do período em que ficaram presos na caverna – explicando de onde vinha a luz azul e o som de sino, e contando detalhes do local. Ninguém acreditou na história, muito menos o padrinho.

As crianças, na tentativa de convencer o Padrinho, entregaram as pedras preciosas que haviam recebido da princesa como recordação. Ele comentou que eram pedras bonitas, mas sem valor, comuns na montanha. Quando terminaram de relatar a história, já era mais de meia-noite, e o Padrinho mandou todos para a cama.

No dia seguinte, começaram a descida, mas desta vez foi mais lenta que a subida – por causa de uma garoa incessante que deixava as rochas escorregadias. Durante a noite, enquanto acampavam, Bento desapareceu e só foi encontrado no dia seguinte. Ele explicou a todos que tinha ido atrás dos anões e do tesouro.

Eles retomaram a descida e, no meio do caminho, enquanto aguardavam a chuva diminuir, todos ficaram em silêncio ao ouvir o som de sinos tocando, exatamente como as crianças haviam descrito. Depois disso, o padrinho passou a acreditar nas histórias, mas Henrique ainda estava desconfiado.

As crianças contaram para madrinha como era a montanha encantada, e descreveram todas as riquezas de lá: a)casas com janelas emolduradas de safira, b) portas cravejadas de esmeralda, c) ruas de ouro, d) – mas ressaltaram: a) nunca entrava sol, b)não havia flores, c) músicas, d) livros – o que levou madrinha e padrinho a concluírem que eles eram pobres.

Montanha EncantadaCasas com janelas emolduradas de safiraNunca entrava sol
Portas cravejadas de esmeraldaNão havia flores
Ruas de ouroNão havia músicas
Não havia livros
Conclusão da Madrinha e do PadrinhoEles eram pobres

perguntar para as crianças: “o que é riqueza para vocês?”

Passou o mês de janeiro. As crianças continuaram a andar a cavalo, a percorrer as matas e a andar a pé por caminhos cheios de sombra, mas nunca mais viram nada tão extraordinário como a cidade dos anões, lá dentro da montanha.

Antes de ir embora, as crianças se despediram dos vizinhos; em seguida foram ao riozinho, ao grande Paraíba; beijaram as mãos dos padrinhos, agradeceram pela temporada passada na fazenda e embarcaram no automóvel junto com Pingo e Pipoca.

Quando o automóvel virou a curva da estrada, elas ainda se voltaram para trás, procurando os padrinhos, que acenavam ao lado de Quico e Oscar no terraço da fazenda. Em seguida, lançaram um último olhar para o alto da montanha, tentando enxergar Julião, o pequeno anão barbudo que abria a porta da cidade encantada. Mas Julião não estava lá!

Quico e Oscar choravam, e as meninas também tinham os olhos marejados. Mas, em meio às lágrimas de todos, combinaram um novo passeio à montanha para o próximo ano.

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