Recontando Histórias: A Ilha Perdida

Como Descobri A Ilha Perdida

Nas aulas da professora Edna, o foco era na literatura. Até hoje, não me esqueço de duas crônicas que ela utilizou para fazer leituras compartilhadas: ‘Uma vela para Dário’, de Dalton Trevisan, e ‘A Última Crônica’, de Fernando Sabino.

Falando assim, pode parecer que eu era um aluno aplicado, mas, na verdade, fui expulso de todos os saraus da professora Edna.

Lembro-me de que devolvi o livro antes de terminá-lo. Anos depois, meu primo trouxe alguns livros que ganhou da professora de português – com eles, veio ‘A Ilha Perdida’, e só então finalizei a aventura de Eduardo e Henrique.

Recordo-me também outros títulos que estavam na caixa: ‘A Ilha do Tesouro’, de Robert Louis Stevenson, e ‘Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda’, de Howard Pyle.

Querido professor, este material foi elaborado para uso em sala de aula, voltado para alunos do 1.º ao 7.º anos. O objetivo desta aula é recontar oralmente uma história, utilizando imagens e textos literários lidos pelo professor como suporte, alinhando-se às habilidades da BNCC: (EF15LP19, EF15LP18, EF15LP17, EF15LP16, EF15LP15).

Sobre o Livro

A aventura de Eduardo e Henrique ficou conhecida nacionalmente após o seu relançamento com os livros da Série Vaga-Lume – uma coleção brasileira de livros voltada para o público infantojuvenil, que estreou em janeiro de 1973, pela Editora Ática.

Na obra de Maria José Dupré, não há a descrição exata da cidade onde ficava o sítio do Padrinho, mas podemos inferir a partir da localização do Rio Paraíba do Sul.

Nas linhas abaixo, ousei deduzir que o sítio estava situado em Pindamonhangaba, e a Ilha Perdida de Simão onde hoje é o Bosque da Princesa.

Esta é a foto da ilha no Bosque da Princesa em Pindamonhangaba:

Sobre a Aula

A publicação a seguir é um texto expositivo sobre o livro “A Ilha Perdida”, de Maria José Dupré“. Publicado em 1944, ‘A Ilha Perdida’ é um clássico da literatura nacional. Gerações e mais gerações de pais, filhos e netos embarcaram no mundo da literatura através dos livros dessa querida autora, que também publicou: “A Montanha Encantada”, “Cachorrinho Samba”.

Como sou nativo de São José dos Campos, essa história se torna um gancho para resgatar o folclore e a cultura do Vale do Paraíba, que foram gradualmente esquecidos com a industrialização que começou no início do século XX. Caso você pertença a outra localidade, sinta-se à vontade para adequar o contexto de acordo com sua região.

As imagens que acompanham esta história foram geradas com a ajuda da inteligência artificial.

INÍCIO

Professor, situe a história no contexto da década de 1940, uma época marcada pela ausência de celulares, computadores e videogames.

Descreva o ambiente onde a narrativa se desenrola, misturando elementos históricos e fictícios para criar uma atmosfera rica e envolvente.

Lembre-se de que, em literatura, o essencial é pintar um quadro vívido, mais do que relatar fatos como em jornalismo.

A ILHA PERDIDA

Quico e Oscar, dois meninos de 8 anos, viviam em um sítio em Pindamonhangaba. Nos fundos da casa deles, corria o rio Paraíba: extenso, sereno e de águas turvas, que se esvanecia na vegetação densa…

Quando eles subiam o morro da fazenda, conseguiam ver o rio a quilômetros de distância. Bem no meio dele, havia uma ilha que, na fazenda, chamavam de “Ilha Perdida”.

Solitária e coberta de verde, a ilha parecia realmente perdida entre as águas caudalosas. Os dois meninos passavam horas imaginando: “quem moraria lá? Será que era habitada? Haveria algum animal escondido na mata? — Onça? Impossível… Como uma onça iria parar no meio do rio?” “Quando vocês forem mais velhos, faremos uma excursão à ilha…”, dizia o pai.

Durante as férias de novembro, Henrique e Eduardo, os primos mais velhos, foram passar uma temporada no sítio do padrinho. Com 12 e 14 anos, respectivamente, esses dois jovens exploraram meticulosamente cada pedaço de mato em extensos passeios durante a primeira semana de FÉRIAS.

Após escutarem os relatos dos empregados do padrinho, os jovens ficaram fascinados pela ilha perdida. Com essas histórias gravadas em suas mentes, dedicavam horas, junto dos primos Quico e Oscar, a repercutir sobre as possibilidades do que poderia existir naquela pequena ilha cercada pelo rio Paraíba.

Em um dado momento, Henrique assobiou para chamar Bento, filho da cozinheira Eufrosina, que, segundo os moradores, sabia algo sobre a misteriosa ilha. O menino, que cuidava dos animais, subiu o morro para conversar com eles. Bento então contou que, quando era pequeno, viu uma fumacinha surgindo das copas das árvores da ilha perdida.

Depois de falarem com Bento, Henrique e Eduardo não conseguiam tirar a ilha perdida da cabeça. Um dia, enquanto caminhava sozinho pela fazenda, Henrique voltou para casa empolgado e sussurrou para Eduardo que tinha encontrado uma canoa abandonada. Eles decidiram manter o segredo e começaram a planejar uma viagem secreta.

No domingo, já tinham deixado tudo pronto para sair cedo na terça. Na segunda, cobriram a canoa com galhos e folhas para ninguém ver. Pediram estopa e piche à cozinheira e começaram aos poucos a tapar os buracos.

Eles passaram a tarde de segunda-feira ajeitando a canoa e consertando os remos. No jantar, enganaram o padrinho dizendo que iriam visitar a fazenda de um parente distante e pediram à empregada que preparasse comida para levar na viagem.

A ansiedade era tanta que Eduardo e Henrique não conseguiram dormir naquela noite. Ao chegarem à beira do rio, perceberam que ele estava muito cheio por causa da chuvarada da semana.

Ao notar a força da correnteza, Eduardo hesitou. Henrique riu e sugeriu que ele voltasse, pois seguiria sozinho. Envergonhado, Eduardo entrou na canoa enquanto o irmão a empurrava. A canoa deslizava devagar pelo rio e, depois de trinta minutos, avistaram a ilha perdida. Celebraram com entusiasmo.

Henrique levou a canoa até a borda do barranco da ilha, onde uma árvore crescia enconstada no rio Paraíba. Após amarrarem a embarcação, perceberam que as roupas estavam totalmente encharcadas e resolveram pendurá-las nos arbustos e esperar para secá-las.

Enquanto aguardavam, abriram o lanche e a laranjada da Dona Eufrosina e aproveitaram para tomar o café da manhã.

Eduardo e Henrique caminharam por horas, mas só se depararam com mato e árvores na ilha. Não viram fumaça branca nem moradores — apenas serelepes, capivaras e macacos que os observavam com curiosidade. Eduardo sugeriu voltar para casa, já que o meio-dia se aproximava.

Henrique concordou e comentou que, se acelerassem o passo, chegariam a tempo para o almoço. Resolveram voltar, mas a mata da ilha era tão fechada que tiveram dificuldade para encontrar a margem do rio onde a canoa estava presa. Passaram a tarde toda tentando refazer o caminho e, quando perceberam, o sol já estava se pondo. Teriam que passar a noite na ilha, o que os deixava apavorados — afinal, o padrinho ficaria furioso com eles.

Eduardo subiu até o topo de uma árvore para tentar avistar a canoa, mas não conseguiu ver nada, pois o crepúsculo deixava tudo impossível de distinguir — de todos os lados, só enxergava a água do rio cercando a ilha por completo.

O silêncio da noite era assustador. Os dois meninos se encostaram numa árvore, imóveis, ouvindo o rugido do rio Paraíba borbulhante, misturado ao som de grilos, cigarras, sapos, rãs e toda a fauna da Mata Atlântica. Horas se passaram até que Eduardo percebeu passos se aproximando.

Eduardo segurou o braço trêmulo de Henrique. De mãos dadas, levantaram-se e correram para longe. Ao chegarem à margem oposta de onde haviam atracado, deitaram-se e lamentaram a aventura.

Pergunte aos alunos: “O que poderia ter se aproximado de Eduardo e Henrique? Uma onça, um morador da ilha ou o padrinho?”

Os dois garotos, com fome, lembraram-se das sobras de comida da Dona Eufrosina. Depois de comerem, encontraram no fundo do pacote uma caixa de fósforos, mas não conseguiram acendê-los devido à umidade deixada pela forte chuva do dia anterior.

Sem alternativa, só restava esperar o amanhecer. Os dois irmãos adormeceram sentados, encostados um no outro. Ao despertarem, perceberam que o rio havia subido bastante.

Eduardo e Henrique caminharam pela margem do rio e, por pouco, encontraram a canoa a tempo. Com a enchente, a corda gasta que segurava a parte de trás quase se rompia. Eles se apressaram para amarrá-la de novo e, exaustos, se deitaram na beira do rio.

Esperaram horas para a enchente baixar, mas o nível das águas só aumentava. O rio levava na correnteza tudo o que aparecia: cabras, pneus, galinhas mortas, mas nada de sinal de resgate.

Foi então que perceberam uma árvore inteira sendo levada pela correnteza em direção à canoa. Desesperados, os garotos se levantaram e tentaram puxar a embarcação pela corda, mas já era tarde. A árvore bateu na canoa, arrastando-a rio abaixo.

Com medo de sentir fome e sede na ilha, Eduardo começou a chorar desesperadamente. O irmão, tentando tranquilizá-lo, disse: “Vamos achar frutas por aqui, não vamos passar fome.” Depois, sentaram-se lado a lado em silêncio.

Pergunte aos alunos: “O que vocês fariam se ficassem presos em uma ilha?”

No dia seguinte, os meninos:

No Dia SeguinteDetalhes
1. Procuraram um abrigo sob um barranco.Os meninos buscaram um local seguro para se protegerem.
2. Fizeram uma cama de folhas.Construíram uma cama improvisada usando folhas encontradas.
3. Vasculharam a ilha à procura de galhos secos.Procuraram galhos secos para fazer uma fogueira à noite.

O sol se pôs mais uma vez, e a comida havia acabado, restando apenas um ovo cozido para ser dividido. Deitados sobre a cama improvisada com folhas, antes de adormecerem, os dois se perguntaram: “Será que Bento e o padrinho se recordarão da ilha perdida?”. No dia seguinte, os jovens decidiram começar a construir uma jangada.

Para isso, eles teriam que explorar a ilha em busca de cipós para amarrar os troncos e também procurar comida.

Por volta das três da madrugada, foram acordados pelo barulho de um motor, e levaram a um susto. Henrique prontamente acendeu uma fogueira para sinalizar onde estavam, mas logo se deitaram, frustrados ao perceber que o som vinha de um avião, e não de um barco vindo resgatá-los.

Eles ficaram ainda mais tristes ao perceber que haviam usado quase todos os palitos de fósforo.

No dia seguinte, Henrique pendurou a camiseta no alto de uma árvore para chamar a atenção dos ribeirinhos e, ao subir a árvore, encontrou um ninho cheio de ovos de passarinho. Ele guardou os ovos para que pudessem prepará-los no almoço.

Eles atravessaram a ilha e encontraram uma bananeira, mas os frutos ainda estavam verdes; mesmo assim, resolveram comer. No fim do dia, passaram mal e se deitaram com dores. Depois de uma hora, Henrique melhorou e foi buscar a corda da canoa, que estava do outro lado da ilha. Eduardo, porém, continuou deitado sentindo dores.

Após algumas horas, Eduardo ouviu um ruído e se levantou, certo de que era o irmão: “Demorou, Henrique!”

Mas não era o irmão… Pergunte aos alunos: “Quem vocês acham que vai aparecer? O padrinho? Um morador da ilha? Uma onça?”

Termina aqui a primeira parte.

Na próxima aula, você pode dar continuidade à segunda parte, mantendo os alunos curiosos. Faça perguntas para instigá-los:

PerguntaPossíveis Respostas
1. Quem é o senhor que apareceu:– O morador da ilha.
– Alguém perdido.
2. O que ele vai fazer com Eduardo:– Prendê-lo.
– Ajudá-lo a sair da ilha.

2.ª parte

Ao se levantar, Eduardo se deparou com um velho de cabelos e barba brancos parado bem à sua frente. O homem disse que o garoto devia estar espionando ou caçando os animais da ilha, que eram seus amigos, e, por isso, iria torná-lo seu prisioneiro.

Será que Henrique vai conseguir salvar Eduardo?

Eduardo insistia em esperar pelo irmão, dizendo que ele tinha ido até o outro lado da ilha buscar a corda e que já estavam quase prontos para ir embora. O velho, porém, não aceitou as explicações e ameaçou o garoto.

Eduardo não teve alternativa a não ser segui-lo. Simão ia à frente, abrindo caminho com um facão. O menino até pensou em fugir, mas o papagaio no ombro de Simão mantinha-o sob vigilância. Tentando deixar uma pista para o irmão, Eduardo fincou um canivete no tronco de uma árvore.

Eduardo sentia as pernas latejando, mas continuou caminhando até o anoitecer, seguindo o velho. Simão o conduziu por uma trilha escondida no coração da mata, que terminava em uma escada talhada na pedra, camuflada entre as folhagens.

Após alguns minutos de caminhada, chegaram a uma clareira onde havia uma gruta, provavelmente a morada do velho. Lá, encontraram uma onça que soltou um “ufffff” ao ver o garoto, mas voltou a se deitar quando o velho falou com ela.

Na gruta, havia uma cama de bambu com um colchão recheado de penas de pássaros. Simão avaliou a saúde do garoto e lhe ofereceu uma bebida amarga em uma caneca de madeira. Depois de beber, Eduardo foi instruído pelo velho a se deitar. Cansado, o menino adormeceu rapidamente.

Ao acordar, percebeu que o velho preparava o jantar. A noite já caíra, e uma luz suave iluminava uma vasilha de barro. Eduardo notou que o velho usava óleo de capivara na lamparina. Ao ver o olhar surpreso de Eduardo, o homem explicou que vivia na ilha desde os 20 anos e que tinha como companhia corujas, morcegos, uma onça e um papagaio.

Cinco macacos entraram na caverna carregando ovos e maracujás. Logo depois, o velho deu a Eduardo uma folha de bananeira com ovos mexidos e carne de capivara. Simão trouxe outra folha com frutas e mel. O menino comeu e voltou a se deitar. O velho pediu que Eduardo dormisse, pois já era noite. Eduardo adormeceu pensando no irmão, que provavelmente estava aflito procurando por ele.

Na manhã seguinte, Eduardo ficou curioso com os animais que havia visto na caverna na noite anterior, que pareciam ser treinados. Simão contou que resgatou a onça de uma enchente quando ainda era filhote, assim como os macaquinhos. Desde então, foram domesticados e passaram a viver em harmonia com ele na gruta.

O velho serviu mamão no café da manhã, enquanto os macaquinhos buscavam cocos nas árvores. Comentou que também comia alguns animais e que, de vez em quando, os macaquinhos traziam ovos. Ao fim da refeição, Simão levou Eduardo até um “chiqueiro” onde criava capivaras para obter carne e óleo para lamparinas. Além disso, tinha um pomar atrás da gruta, onde cultivava legumes e frutas. Por último, apresentou um cervo de estimação chamado Lucas.

No dia seguinte, Simão e os macaquinhos subiram na árvore para colher cocos, e foi então que Eduardo pensou em fugir; mas desistiu ao ver a onça deitada. Naquela tarde, os macacos trouxeram outro companheiro com a pata quebrada para o velho cuidar. Simão contou que os bichos já haviam feito o mesmo por ele quando esteve doente.

Toda vez que Eduardo tentava fugir, os animais o capturavam e o levavam de volta. O garoto estava angustiado e sem notícias do irmão.

Eduardo já havia perdido a noção de quantos dias estava na ilha. Em uma certa manhã, saiu com Simão para pescar no Paraíba. No caminho, perguntou se ele o deixaria voltar para casa. Simão disse que não, pois, se isso acontecesse, ele contaria tudo para as pessoas tudo o que viu, que acabariam indo caçá-lo na ilha.

Eduardo estava abatido, mas quando Simão pediu que ele buscasse um anzol na caverna, viu nisso a oportunidade perfeita para fugir. Lá, vestiu o casaco, pegou a machadinha do velho e correu para escapar. No trajeto, machucou as mãos nos espinhos de uma planta e ainda foi atacado por formigas gigantes. Enquanto isso, os animais da ilha começaram a se comunicar, revelando onde o menino estava.

Os macaquinhos levaram o fugitivo de volta à caverna, onde Simão o esperava com expressão séria. Ele tratou dos ferimentos de Eduardo, aplicou remédio e lhe deu comida; o menino, por sua vez, pediu desculpas.

Cada dia da semana, Simão se dedicava a uma tarefa para garantir sua sobrevivência na ilha. No dia seguinte à tentativa de fuga, Eduardo começou a aprender a trançar sandálias e cestos usando um cipó que só existia naquele lugar.

Já estava quase anoitecendo quando Lucas, o cervo, apareceu na caverna, fazendo gestos para que Simão o seguisse e mostrando com expressões no rosto que um amigo estava ferido e precisava da ajuda. Simão e Eduardo juntaram comida em um cesto, acenderam archotes, separaram os remédios e partiram.

À noite, a ilha perdida era muito mais escura e silenciosa do que o sítio do padrinho. Simão e Eduardo conseguiam ouvir cada passo que davam sobre folhas e gravetos. Eduardo, encantado com o canto dos grilos, sapos e cigarras, levou um susto quando o cervo Lucas e o papagaio Boni se agitaram com um movimento nos galhos.

Simão apontou o archote em direção ao barulho. No mesmo instante, uma cobra enrolada num galho tentou atacar. Ágil, Simão recuou e cortou a serpente ao meio. Eduardo ficou impressionado com sua rapidez. Em seguida, eles continuaram a jornada.

Lucas, o cervo, guiou-os até um descampado, onde encontraram outro cervo com um tiro na costela, quase sem vida. O ferido estava cercado por outros cervos. Simão tentou retirar a bala, mas não conseguiu salvá-lo, pois o machucado era muito profundo. No fim, o cervo morreu.

Logo em seguida, Eduardo testemunhou algo que jamais imaginaria: todos os cervos da ilha apareceram para velar o corpo do animal. Eles choravam de tristeza ao ver o cervo morto, o que deixou Eduardo surpreso, pois ele não sabia que os animais podiam chorar.

Eduardo cochilou encostado em uma árvore e, ao abrir os olhos, se deparou com outra cena impressionante: desta vez, não eram só os cervos, mas todos os animais da ilha que haviam aparecido para prestar solidariedade ao cervo morto.

Simão comentou com Eduardo que, provavelmente, o animal tinha sido caçado fora da ilha e nadado até lá para morrer, pois a ilha perdida era o santuário onde nasceu.

Eduardo já estava acostumado à vida na ilha e havia se tornado amigo dos animais de Simão. Ele aprendeu a escalar os galhos mais altos das árvores junto com os macaquinhos, e até a onça deixava que ele fizesse carinho em sua barriga.

Com o passar dos dias, numa certa manhã, Eduardo estava cabisbaixo em um canto da caverna. Simão quis saber o motivo da tristeza, e ele contou que sentia falta dos pais em São Paulo e dos padrinhos em Pindamonhangaba, que provavelmente estavam aflitos, pensando que ele havia morrido afogado. Mesmo assim, mostrou-se conformado, dizendo que apreciava a vida na ilha.

Simão apreciou a sinceridade do garoto e garantiu que no dia seguinte libertaria Eduardo. Afirmou que o acompanharia até a metade do caminho, indicando a direção da prainha. Ressaltou ainda que, se perguntassem onde ele esteve, deveria dizer a verdade, já que ninguém acreditaria na história.

Na manhã seguinte, Simão e os animais se despediram de Eduardo. Antes de ir embora, Simão pediu que ele prometesse respeitar os animais para sempre, a partir daquele dia.

Eduardo caminhou por cerca de meia hora até ouvir o som do rio, sinal de que estava chegando à prainha do Rio Paraíba. Ao chegar, chamou pelo irmão: “Henrique! Henrique!”

3° PARTE: A ILHA PERDIDA

Eduardo passou o dia todo procurando pelo irmão e, exausto, recostou-se em uma árvore, acabando por adormecer. Foi acordado por uma voz distante chamando seu nome; a princípio pensou que fosse o papagaio “Boni”, mas logo percebeu que era o próprio irmão.

Henrique surgiu com um aspecto estranho, claramente subnutrido. Contou que havia procurado por ele durante uma semana e, sem encontrá-lo, pensou que tivesse se afogado no rio. Estava magro, com os olhos encovados, consequência da carestia.

Ele contou que a enchente tinha trazido a machadinha, que ele usou para construir sozinho uma jangada. Henrique quis saber onde Eduardo tinha estado, mas, quando o irmão explicou, não acreditou e disse que ele estava delirando.

PERGUNTAR AOS ALUNOS: Será que Eduardo estava delirando? E se ele tivesse sobrevivido apenas comendo raízes durante todo esse tempo, incluindo a “Ayahuasca”, e acabado entrando em um estado de viagem lisérgica, acreditando ter visto uma onça, um papagaio e um macaco?

Henrique teve que se alimentar de raízes e frutas na ilha para matar a fome. Pergunte aos alunos se eles conhecem algumas dessas frutas típicas da Mata Atlântica.

Eduardo e Henrique passaram a noite sob uma árvore. Na manhã seguinte, bem cedo, colocaram no rio a jangada que Henrique havia construído. Mas não conseguiram chegar ao outro lado por causa da forte correnteza, temendo serem arrastados pela água para longe do sítio do padrinho.

A correnteza do rio Paraíba começava a soltar as madeiras presas com cipó da jangada. Eduardo e Henrique discutiam sobre o que fazer, até que foram interrompidos ao avistar, ao longe, um grande barco vindo na direção contrária. Henrique amarrou a camisa no remo e começou a acenar.

Quando avistaram Eduardo e Henrique, os tripulantes se apressaram para resgatá-los. Eram funcionários do padrinho, remando com força. Os homens ficaram impressionados ao saber que Henrique havia construído a jangada sozinho.

Eduardo falou sobre Simão e a caverna, enquanto os empregados do padrinho trocavam sorrisos cúmplices, perguntando-se se o garoto não estava delirando. Pouco depois, a canoa do padrinho chegou, deixando os meninos constrangidos pela situação, já que haviam saído sem avisar.

O padrinho contou que o desaparecimento dos dois causou um grande alvoroço nos arredores do sítio, e todos achavam que eles tinham se afogado. Então, ele soprou um apito três vezes, explicando que era o sinal para avisar a madrinha de que eles tinham sido encontrados.

Na chácara, todos aguardavam ansiosos pela chegada de Eduardo e Henrique. Após a emoção do reencontro, a madrinha deu uma bronca nos dois. Quico e Oscar estavam cheios de curiosidade para conhecer todos os detalhes da aventura na ilha. Os meninos tomaram um banho com sabonete cheiroso e comeram muito bem, especialmente Henrique, que havia passado todo esse tempo sobrevivendo de raízes e frutas.

Quico e Oscar estavam ansiosos para ouvir a história da ilha, mas o padrinho os mandou dormir. No dia seguinte, Eduardo contou as aventuras de Simão e a caverna, mas ninguém acreditou, achando que era só conversa fiada.

Vera e Lúcia, primas de São Paulo, decidiram também passar as férias de dezembro no sítio. Depois de uma semana ouvindo Eduardo narrar histórias sobre Simão e os macaquinhos, o padrinho, movido pela curiosidade, acabou convencido a organizar uma excursão para a ilha perdida. A viagem seria em um barco grande, levando todos da chácara para acampar na ilha.

Encerre a história nesse momento, mantendo os alunos curiosos para saber o que vai acontecer: será que o padrinho encontrará Simão pessoalmente?

Se você é professor e atua em uma sala de leitura ou possui uma biblioteca na escola, coloque este livro à disposição para leitura. Mostre também a versão digital e ensine os alunos a baixar o arquivo em PDF, já que, dependendo da idade, eles podem não saber como encontrá-lo.

Obrigado por terem lido até aqui!

FIM

3 comentários em “Recontando Histórias: A Ilha Perdida”

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  1. Muito legal estga sua resenha Diego. Sou um apaixonado por este livro. Já li quase umas 10 vezes nos meus quase 50 anos de vida. Já li com os meus filhos também. Sua resenha ficou muito legal com toda esta riqueza de imagens. Parabéns!!!

    Elias Jr. G. Caprini

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