11 Coisas Que Todo Joseense Já Fez – Parte 4

Continuando a seleção de fatos sobre São José dos Campos. Se não viu a terceira parte (veja aqui).

Confesso que essas listas são mais lembranças dos anos 90, do que comportamentos típicos dos joseenses!

Se você não viveu os anos 90, pode mostrar essas pérolas para os seus familiares e observá-lo fazer cara de quem encontrou um dinossauro no meio da sala.

1- Viajou Para Aparecida de Pássaro Marrom e Conheceu a Mulher Cobra

A primeira vez que fui a Aparecida tinha 8 anos. Como eu não entendia muito bem o que estava acontecendo, não guardei muitas recordações sobre ter visto a Imagem de Nossa Senhora.

Contudo, lembro-me de que havia um clima sobrenatural em cada ponto dessa cidade, desde a rodoviária, os prédios com galerias de bugigangas católicas, até a feira livre.

A lembrança mais bizarra desse dia foi a da visita à “Mara, a mulher cobra”.

Lembro-me que passamos ao lado de um predio com uma escada lateral, cuja rua em frente havia um homem anunciando uma atração de um suposta mulher cobra, enquanto um outro homem entregava os panfletos.

Ficamos curiosos e decidimos comprar os ingressos para a atração desse circo de horrores.

Dentro do prédio, fomos conduzidos a uma sala um pouco escura, que era iluminada com cores quentes, certamente pensadas para criar um clima de sobrenaturalidade.

Esperamos o resto do grupo terminar de subir e então a equipe do circo de horrores abriu as cortinas.

No fundo de um cercadinho de corda, havia a cabeça de uma mulher negra com o cabelo amarrado em coque em cima de uma estrutura de madeira.

Saindo da cabeça dela, havia uma “cauda” de cobra, também sustentada por uma estrutura de madeira. Não podíamos tocá-la e, apesar do frio na barriga, até eu, com 8 anos, lembro-me de entender que aquilo havia sido forjado para enganar trouxas.

Alguém perguntou se podia tocá-la, e o cara do circo disse que ela era amaldiçoada, e se o fizesse, traria desgraça para a vida da pessoa.

Ele então conversou com a suposta cobra, a qual afirmou ter se transformado em um réptil após a mãe dela rogar-lhe uma maldição.

Veja mais sobre a mulher cobra: Lendas de Aparecida

Curiosidade

A empresa Pássaro Marron, originalmente chamada de Pássaro Azul, mudou seu nome devido a uma curiosa circunstância.

Os ônibus da empresa, que eram pintados de azul, frequentemente ficavam cobertos pela poeira marrom das estradas de terra.

Em dias de chuva, as crianças costumavam sujar as laterais dos veículos com barro, afirmando que os ônibus “não eram azuis, mas sim marrons”. A empresa acabou adotando o nome Pássaro Marron em resposta a essa observação popular

2- Foi ao Cinemark Assistir “O Rei Leão” e “A Bela e a Fera

Eu não assisti a esses filmes no cinema, admito, mas me lembro de como fizeram sucesso nos anos 90, com muitas pessoas comentando sobre eles. A animação do leãozinho estreou no Brasil em 24 de junho de 1994 e arrecadou US$ 763 milhões em todo o mundo, superando outros clássicos da Disney, como “A Pequena Sereia” e A “Bela e a Fera”.

Todo mundo na década de 90 sabia cantar “hakuna Matata” e também já tinha jogado o game do “Simba” no Mega Drive. Segundo o canal “Cine Pop”, para a geração que cresceu nos anos 90, assistir “O Rei Leão” é como fazer uma maravilhosa viagem a um parque de diversões com um ente querido.

Você ri, você chora de felicidade, você se diverte e se emociona de forma incrível.

3- Ficou de Saco Cheio da Menina da Sua Rua que se Gabava de Ter Assistido Titanic 549 vezes

Eu também não assisti Titanic no cinema, porque na época eu tinha apenas 10 anos e minha única preocupação era se a merenda ia ser bolacha ou fruta! Acabei vendo só em 1998, quando um colega conhecido como André Cabeção decidiu levar o VHS da mãe dele para a escola, achando que isso era mais comum que ouvir “passa o lanche!” no recreio. E, para ser sincero, muita gente ali nem sabia o que era uma geladeira, quanto mais um VHS!

4- Colecionou Tazos

Dá até um arrepio de nostalgia lembrar dos tazos, aqueles discos coloridos que a gente achava que eram mais valiosos que um diamante! Eu não tinha muitos, mas os que eu tinha, guardava como se fossem relíquias de um tesouro perdido, temendo que um amigo desavisado quisesse fazer uma troca desleal!

5- Nos Anos 90, Ouviu A Sua Avó Católica Mencionar Infinitas Vezes Os Nomes: Padre Léo E Monsenhor Jonas Habib

Nos anos 90, era comum ver quadros do padre Marcelo Rossi e Padre Léo com as mãos levantadas em gesto de benção pregados na parede da sala da casa da nossa avó, ao lado do relógio da Marabrás do Zezé Di Camargo e Luciano. É claro, e, muito provavelmente, você também já ouviu a sua avó, profundamente católica, citar frases e ensinamentos do padre Léo ou do monsenhor Jonas Abib durante as conversas na cozinha:

“(…) Bem que o monsenhor Jonas disse outro dia (…)”.

Havia também o momento das visitas da nossa avó (a minha mora em Pindamonhangaba), quando ela parava tudo para rezar o terço da misericórdia às 15h — que ela nunca deixava de ouvir. E certamente você deve ter decorados as jaculatŕias de Santa Faustina que ecoavam pela casa, transmitidas pela rádio Canção Nova (95,9 FM):

“Ó Sangue e Água que jorrastes do Coração de Jesus…”.

Nota: No final dos anos 90 e começo dos anos 2000, as pregações do Padre Léo e do Monsenhor Jonas Abib lotavam a Canção Nova, em Cachoeira Paulista, com peregrinos que passavam o dia ou acampavam, exercendo forte influência sobre os fiéis. Até mesmo quem nunca os tinha visto pessoalmente sabia exatamente quem eram.

6- Foi “Posar” na Casa da Sua Vó e Acordou 7 Horas da Manhã Com os Efeitos Sonoros da Missa na Rádio Aparecida

Para começar, talvez vocês não saibam, mas o termo “posar”, no sentido de “repousar”, só existe no Vale do Paraíba e foi criado pelos tropeiros que vinham de Minas Gerais e chegavam às cidades de Jacareí e ao distrito de São Francisco Xavier.

Voltando ao tópico, uma reminiscência marcante da minha infância é a de acordar na casa da minha avó em Pindamonhangaba ao som da homilia da missa transmitida pela rádio Aparecida: “E tomou o cálice em suas mãos, deu graças novamente e o deu a seus discípulos, dizendo: Tomai, todos, e bebei: este é o cálice do meu sangue (…).”

7- Sabia de Cor a Música “Papo de Jacaré”

Eu não sei por que decorei a letra dessa música, muito menos por que havia adultos que adoravam essa banda na década de 90. Lembro-me de uma parante minha, casada e com filho, que comprou o disco do P.O. Box.

Tudo bem uma criança de dez anos ter um gosto duvidoso, mas uma marmanjona? Hoje em dia, ela é evangélica e só ouve músicas que fazem parecer que o armagedom está a caminho — Mudei de opinião, sou a favor de adultos ouvirem “Papo de Jacaré” SIM, pelo menos o grupo “P.O. Box.” não era uma banda tóxica – talvez um pouco reptiliana…

8- Sabia de Cor o Nome dos 150 Pokémons

Eu confesso que aprendi o nome dos pokémons antes da tabuada; eu confesso que me entreguei à febre Pokémon, a ponto de colecionar a Revista Pokémon Clube e gastar uma quantia significativa com o álbum de figurinhas da Panini, na época em que só existiam 150 monstrinhos!

Ah, como era divertido! Anos depois, mergulhei na onda do rock e transformei minha vida em uma trilha sonora melancólica do Nirvana. Entre os muitos vícios lícitos que acumulei ao longo da vida — como Pokémon, Nirvana e fundamentalismo religioso — posso dizer, sem dúvidas, que Pokémon foi bem menos prejudicial do que os cultos baseados em folclore do Antigo Testamento.

9- Ajudou a Pintar a Rua Para a Copa de 1998

Eu me lembro de ter ajudado a pintar o mascote da Copa do Mundo de 1998, um galo azul chamado Footix. Olha só que ironia: perdi o jogo final entre Brasil e França porque, ao invés de estar torcendo, eu estava no ônibus da Pássaro Marrom, voltando da casa da minha vó em Pindamonhangaba! parecia que a copa estava mais longe que o último gol do Ronaldo!

10 – Possui hoje Gosto Musical Duvidoso por Conta das Músicas Que te Lembram dos Anos 90

Vamos falar a verdade: as letras das músicas dos anos 90 eram tão horríveis que até as maritacas se incomodavam! E aquelas melodias fanhas? Meu Deus, eram mais cafonas que as camisas do Agostinho Carrara ou os relógios do Faustão.

Mas o mais engraçado é que, se ainda escutamos essas músicas, não é pela qualidade delas, mas porque nos transportam diretamente para o churrasco de família, onde a estrela da festa era a salada de maionese da sua tia, que se achava a própria Paola Carosella só por ter acrescentado pedacinhos de maçã na receita — tudo isso embalado ao som do Raça Negra! (di di di di Ê ♪♫)

11- Confeccionou Cartões de Natal no Final do Semestre da Escola

Era simplesmente maravilhoso criar esses cartões! Geralmente os fazíamos na última semana de aula, e a expectativa das festas de fim de ano fazia com que tudo fosse extremamente mágico.

Finalizo aqui a última parte de “As (…) Coisas Que Todo Joseense Já Fez”. Se gostou, comente e deixe a sua própria lista nos comentários; quem sabe eu não preparo a parte 5. Abraços!

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