Santos, terra natal de José Bonifácio e ponto de partida de Dom Pedro I antes da proclamação da Independência, é um lugar repleto de eventos históricos importantes e ao mesmo tempo assustadores.
Ficha Técnica
| Nome Atual | Santos |
| Nome Antigo | Povoado do Enguaguaçu |
| Fundação | 1546, por Brás Cubas |
| Data de Elevação à Vila | 26 de janeiro de 1546 |
| Data de Elevação à Cidade | 1839, em 26 de janeiro |
| Localização | Litoral do estado de São Paulo, Brasil |
| Símbolos Culturais | Nossa Senhora do Monte Serrat (padroeira), Engenho dos Erasmos, Monte Serrat |
| Eventos Históricos | Saque por Thomas Cavendish (1591), epidemias do século XIX |
| Importância Histórica | Uma das cidades mais antigas do Brasil, ponto estratégico durante o ciclo do café e na Independência. |

Linha do Tempo
| 1500 a 1531 | Corsários invadiam Santos em busca de pau-brasil, enquanto a Coroa Portuguesa se concentrava nas Índias. |
| 1531 | O primeiro nome da aldeia foi “Povoado do Enguaguaçu”. Dom João III envia no mesmo ano o fidalgo Martim Afonso de Souza, que chega a Santos com uma esquadra. |
| 1531 | Martim Afonso encontra um pequeno povoado e um atracadouro, conhecido como Porto de São Vicente. |
| 1531 | Martim Afonso expulsa Cosme Fernandes, um degredado que havia criado uma colônia junto com indígenas. |
| 1531 a 1543 | A vida do novo povoado passou a girar em torno do engenho e do plantio. No mesmo período, Cosme Fernandes se vinga por ter sido expulso e invade Santos com o apoio de indígenas. |
| 1530 a 1543 | Um tsunami/maremoto atinge Santos. |
| 1543 | Conclusão da construção de uma capela no outeiro em homenagem a Santa Catarina. |
| 1543 | Brás Cubas transfere o porto para o sítio do Enguaguaçu, cria o hospital Santa Casa de Misericórdia de Todos os Santos, que deu origem ao nome da cidade. |
| 1545 | O povoado de Santos é elevado à categoria de vila, com nome simplificado para “Santos”. |
| 1552 | Chegada dos jesuítas à cidade. |
| 1589 | Instalação da ordem dos carmelitas. No mesmo ano, Santos sofre invasões e saques de corsários. |
| 1591 | O pirata inglês Thomas Cavendish invade Santos. |
| 1839 | Santos é elevada à categoria de cidade em 26 de janeiro. |
Passagem de Dom Pedro I por Santos

Por volta das quatro da tarde do dia 5 de setembro de 1822, o Príncipe Dom Pedro I, futuro Imperador do Brasil, chegou com sua comitiva ao Porto do Bispo, situado no largo da Travessa da Alfândega Velha (atual Rua Frei Gaspar), em Santos.
Naquela época, a cidade de Santos tinha cerca de 4.800 habitantes, com a maioria vivendo na região central.
Dom Pedro foi recebido com festa pela população, por figuras importantes da vila santista, membros da Câmara Municipal, do Clero, das milícias locais, que na época eram soldados oficiais, e por cidadãos comuns.
As ruas por onde o cortejo do Príncipe passava estavam lotadas de pessoas, enquanto as sacadas das casas brilhavam com brocados, flores e folhagens.

As senhoras e moças lançavam braçadas de rosas e outras flores sobre o cortejo. Um parque de artilharia realizou as tradicionais salvas de tiros. Para alegria dos súditos, Dom Pedro e sua comitiva passaram por algumas ruas.
Na noite de 5 para 6 de setembro, o Príncipe Dom Pedro ficou hospedado na ala esquerda do antigo Convento dos Jesuítas, onde hoje está localizado o edifício da Alfândega. No dia 6 de setembro, ele visitou as fortificações da vila, atravessando o estuário de barca.
Ao retornar da inpspeção às fortificações, Dom Pedro visita a Igreja da Misericórdia — que era a edificação mais importante — localizada onde hoje funciona a atual sede da municipalidade, no Largo da Misericórdia, devido à presença da igreja naquele local.
À noite de 6 para 7 de setembro, Dom Pedro esteve na casa de José Bonifácio, que lhe ofereceu um jantar que causou desconforto intestinal a Dom Pedro. Depois do jantar, o Imperador deslocou-se à casa do Coronel Antônio Pereira Lobo.

Por causa das dores abdominais, deu ordens para que reunissem a comitiva e se encaminhassem ao Porto do Bispo onde embarcaram e foram em direção ao Porto Geral do Cubatão. Às 9hs da manhã estavam prontos.
Ao chegar ao alto da serra, às margens do riacho Ipiranga, Dom Pedro encontrou Paulo Bregaro, que lhe entregou o Correio que chegara de São Paulo na véspera, trazendo correspondências da corte de Lisboa que deveriam ser abertas pelo Príncipe.
O conteúdo das correspondências inflamou os ânimos de Dom Pedro que proclama a Independência do Brasil ali mesmo. Não fosse o desconforto abdominal, muito provável que a Independência tivesse sido proclamada em Santos.
A Calçada do Lorena

A Calçada do Lorena, construída em 1792, é considerada um dos mais importantes remanescentes históricos de São Paulo. No final do século XVIII, foi a principal via de ligação entre o Planalto Piratininga e o Porto de Santos.
A construção foi iniciativa de Bernardo José Maria de Lorena, capitão-mor da Capitania de São Paulo entre 1788 e 1798, sendo executada pelos Oficiais do Real Corpo de Engenheiros de Portugal.
A Calçada tinha cerca de sete quilômetros de extensão e conectava o planalto a uma base no pé da serra, onde atualmente fica a cidade de Cubatão. Esse projeto marcou o início da construção de infraestrutura para inserir São Paulo no cenário do comércio internacional.
Uma das viagens mais marcantes realizadas por essa via aconteceu em 1822, quando o Príncipe-Regente D. Pedro subiu a serra rumo a São Paulo, onde, no dia 7 de setembro, proclamou a Independência do Brasil.
Chaguinhas, o Tiradentes Santista
A história narra os eventos que envolveram militares e civis santistas na luta pela independência do Brasil. No ano de 1821, em meio ao crescente descontentamento com as imposições da Coroa Portuguesa, surgiu em Santos um movimento conspiratório liderado por figuras como José Olyntho de Carvalho e soldados como Francisco das Chagas — este último desempenhou um papel importante em nossa história.
| 1780 (aprox.) | Nascimento de Chaguinhas em Pernambuco. |
| 1821 | Participação no Motim de Santos, uma revolta de soldados contra atrasos salariais. |
| Junho de 1821 | Chaguinhas é condenado à morte por enforcamento como líder do motim. |
| 20 de Setembro de 1821 | Execução fracassada devido à ruptura da corda por três vezes consecutivas. Populares interpretam o fato como intervenção divina. |
| Após a morte | Corpo enterrado no Cemitério dos Aflitos, em São Paulo. Sua história alimenta uma devoção popular. |
| Século XX | Início de manifestações religiosas e populares na Capela dos Aflitos em sua memória. |

Os soldados brasileiros, explorados e em condições precárias, foram incentivados a se rebelar.
Chagas e Cotindiba, líderes da revolta, incitaram a tropa a atacar oficiais portugueses, resultando em violência e saques na cidade.
Apesar do apoio inicial de líderes locais como os Andradas, a precipitação da revolta comprometeu a causa, levando à sua repressão.
Francisco das Chagas foi capturado e condenado, mas conseguiu escapar graças a uma trama liderada por aliados, como os Andradas. Apesar do revés inicial, a conspiração em Santos foi retomada, culminando no engajamento decisivo da cidade nos preparativos para a Independência.
A cidade foi reconhecida como peça-chave no processo, e líderes como José Olyntho receberam honrarias e cargos importantes. Essa narrativa destaca o papel de Santos e de seus cidadãos na busca pela liberdade e consolidação da independência brasileira.

As Lendas
O Milagre da Santa
A partir da segunda metade do século XVI, Santos vivenciou eventos paradoxais: em 1589, enquanto recebia os padres jesuítas e a ordem dos carmelitas, a cidade também enfrentava invasões e saques realizados por corsários.
Em 1591, o pirata Thomas Cavendish saqueou a cidade de Santos, junto com outros corsários. Contudo, esse ataque bárbaro deu origem à lenda do milagre de Nossa Senhora do Monte Serrat, padroeira da cidade.
| Nome | Thomas Cavendish |
| Nascimento | 19 de setembro de 1560, em Trimley St. Martin, Inglaterra. |
| Explorações notáveis | Realizou a terceira circunavegação do mundo entre 1586 e 1588. |
| Atividades piratas | Conhecido por saquear colônias espanholas e portuguesas. |
| Saque de Santos (1591) | Invadiu a vila de Santos, destruiu infraestruturas e saqueou riquezas. |
| Última expedição (1591) | Tentativa de repetir sua circunavegação; fracassou devido a condições adversas. |
| Morte | 1592, perto do Estreito de Magalhães, em condições desconhecidas. |
| Legado | Cavendish é lembrado como um dos notórios piratas e navegadores do período elisabetano. |

Conta a lenda que a população santista se refugiou num dos morros da cidade, o morro de São Jerônimo, para escapar aos piratas.
Neste morro havia uma capela à qual um fidalgo espanhol trouxera uma imagem de Nossa Senhora de Montserrat (daí o nome dado ao morro, Monte Serrat).
A população orava na capela de Montserrat quando os piratas começaram a subir para atacá-los quando um deslizamento de terra, atribuído à Santa, os fez fugir.
Desde então, Nossa Senhora do Monte Serrat é celebrada como padroeira da cidade, e seu dia é comemorado no dia 8 de setembro.
Cavendish também destruiu o Outeiro de Santa Catarina e o Engenho dos Erasmos, sendo um dos responsáveis pelo declínio da incipiente economia canavieira da Capitania de São Vicente.

Thomas Cavendish permaneceu por dois meses em Santos, saqueando o que podia, chegou a roubar dois sacos de ouro que teriam vindo de uma mina no pico da Jaraguá.
Partiram daí para o Estreito de Magalhães com a finalidade de atacar as colônias espanholas, mas devido ter se demorado muito em Santos, pegaram mau tempo no Estreito de Magalhães onde ficaram presos, muitos de sua tripulação morreram de frio e de fome, tendo retornado a Santos para pedir ajuda na Santa Casa.
O Falso Milagre

No final do século XIX, garotos perceberam que suas vozes, ao serem gritadas pelas tubulações de água do Monte Serrat, ressoavam pelos tubos até as saídas das bicas espalhadas pela região.
A descoberta gerou temor em muitas mulheres que se dirigiam ao local para coletar água, que atribuíram as vozes a fenômenos extraordinários.
Conscientes do poder que essa revelação lhes conferia, as crianças passaram a solicitar oferendas, como guaraná, entre outros itens.
No entanto, o verdadeiro temor era provocado pelo apagador de lampiões que, ao captar uma conversa entre os meninos sobre um filme que exclamava: “Foge Cristo, que lá vem o Diabo com a lança”, se via em um combate ilusório contra a assombração, desferindo golpes no ar e também em muros.
Fonte: Cidade e Cultura
O Rato que Virou Sobrenome

Francisco José Ribeiro era o proprietário de uma significativa casa comercial de secos e molhados, localizada na rua Setentrional, no Beco do Arsenal, atualmente conhecido como Praça da República.
Este estabelecimento enfrentava um sério problema de infestação por roedores de diversas espécies.
A gravidade da situação levou ao apelido de “Armazém do Rato” para o local. O Sr. Francisco, logo denominado como Sr. Rato, tomou uma medida legal e decidiu incluir “Rato” em seu sobrenome, passando a ser conhecido como Francisco José Ribeiro Rato. Ele deixou uma linhagem de descendentes com esse sobrenome e faleceu em 1854.
Fonte: Cidade e Cultura
O Vulcão de Santos

No dia 29 de dezembro de 1896, Santos acordou sobressaltada por uma notícia alarmante: um vulcão havia emergido no bairro do Macuco.
Do solo, jorravam lama e chamas que subiam a mais de dez metros de altura, acompanhadas de um som ensurdecedor, semelhante ao apito de uma máquina a vapor.
A visão era tão impressionante que logo se espalharam rumores de que algo sobrenatural estava acontecendo — ou talvez o fim do mundo estivesse próximo.

O espetáculo atraiu uma multidão. Pessoas chegavam de todas as partes: moradores curiosos, devotos rezando fervorosamente e até céticos, que vinham para debochar das explicações fantásticas.
O fluxo de visitantes era tão intenso que bondes, canoas e até botes lotavam os caminhos até o local.
Ambulantes aproveitaram a oportunidade para vender bolinhos, pamonhas, cervejas e refrigerantes, transformando o local em um verdadeiro mercado ao ar livre. A população vibrava com o fenômeno, que, embora assustador, também fascinava.
Por semanas, o “vulcão do Macuco” foi o centro das atenções, até que cientistas como o doutor Orville Derby esclareceram o mistério.

O que parecia ser um vulcão era, na verdade, um poço artesiano atingido por uma sonda durante trabalhos de perfuração. A pressão dos gases acumulados no subsolo criara o espetáculo que encantou e aterrorizou a cidade.
Com o fim das erupções em janeiro de 1897, o “vulcão” desapareceu, mas não sem deixar sua marca na história de Santos. Mesmo revelado como um fenômeno natural, sua memória resiste, cercada de histórias e lendas que transformaram aquele episódio em um dos capítulos mais curiosos da cidade.
A Pedra da Feiticeira

Na pequena Santos de 1850, onde matas densas ainda cercavam a cidade e caminhos simples traçavam o cotidiano, um mistério tomava forma na Pedra da Feiticeira.
Lá, à noite, uma figura horrenda e solitária surgia: uma velha de aparência deformada, trajando uma bata suja e um chapéu de palha amarrado.
Diziam que ela dançava sobre as chamas, gargalhava e sussurrava palavras incompreensíveis. A população, aterrorizada, evitava a região, convencida de que aquela mulher era uma bruxa.
O temor aumentou quando a velha apareceu na casa de Seu Antoninho, um homem conhecido pela bondade, que estava gravemente doente. A cidade murmurava em pânico: “A Feiticeira está lá dentro! Protejam Seu Antoninho!” Mas, no leito do enfermo, uma cena inesperada desvendava o mistério.

A bruxa ajoelhou-se, chamou Antoninho de filho e implorou por perdão. Ela era, na verdade, a mãe que o havia abandonado décadas atrás, vivendo isolada e marcada pela culpa.
Naquela noite, mãe e filho se reconciliaram em lágrimas, mas Antoninho faleceu pouco depois. Dias mais tarde, o corpo da velha foi encontrado próximo à pedra que alimentara tantas histórias.
O que parecia um fenômeno sobrenatural era, na verdade, o retrato de uma mulher consumida pelo remorso, cujas ações, interpretadas como bruxaria, eram manifestações de um sofrimento profundo.
Assim, a Pedra da Feiticeira tornou-se parte da memória de Santos, não como um lugar de magia, mas como um símbolo de perdão e tragédia.
A Fonte de Dom Pedro II

A lenda “Quando o imperador poeta foi ao morro” celebra a visita do Imperador Dom Pedro II à cidade de Santos em 1846.
Durante sua viagem pelo Brasil, o imperador e a imperatriz Dona Teresa Cristina chegaram à cidade em 18 de fevereiro, onde foram recepcionados com festas e solenidades.
A visita incluiu a inauguração de um chafariz no Morro de São Bento, local onde uma inscrição foi gravada na rocha: “D.P.II – 1846”, para marcar o evento.
A lenda também menciona que o imperador, ao beber água de uma fonte local, se encantou com a qualidade da água e improvisou uma quadra que foi posteriormente gravada em metal na rocha:

“Dom Pedro Segundo / Esta fonte visitou; / Para mais honra lhe dar / Dois copos d’água tomou.”
Este momento é considerado uma homenagem à cidade, e a rocha com a inscrição continua sendo um ponto histórico, apesar de negligenciado e pouco preservado.
A visita de Dom Pedro II foi parte de suas viagens pelo Império para conhecer as províncias e suas necessidades. Santos, com sua história rica, preserva essa relíquia natural, mas como outras tantas de valor histórico, acabou sendo esquecida ao longo do tempo.
O Fantasma do Paquetá

A lenda do Fantasma do Paquetá é uma história popular em Santos que surgiu no final do século XIX e se prolongou até a década de 1920.
A história gira em torno de uma mulher chamada Maria, apelidada “a Maracajá”, uma beata que teve um envolvimento com um religioso da Matriz Velha, resultando no nascimento de uma criança que morreu logo após o parto, devido à alta mortalidade infantil.
Por vergonha, a criança foi enterrada de forma discreta, mas Maria foi condenada pela sociedade.
Toda noite, Maria aparecia vestida com roupas da época e um véu semelhante ao da Verônica de Semana Santa.
Ela se dirigia até o Cemitério do Paquetá, passando pela Rua São Francisco de Paula e o gradil do cemitério, ajoelhando-se diante da capela, enxugando suas lágrimas e acenando para dentro, em direção à quadra infantil. Após esse ritual de dor, ela desaparecia na Rua Bittencourt.

A última aparição aconteceu em 26 de julho de 1900, e, embora a história tenha terminado com sua morte, relatos de aparições continuaram até a década de 1920.
O local, na época, possuía uma atmosfera sobrenatural, com iluminação pública precária e a população se recolhendo cedo.
Curiosamente, em 2007, ao se investigar a história para uma teatralização, foi encontrado um jazigo da família Maracajá dentro do cemitério, confirmando uma possível conexão histórica com a lenda.
O Cemitério do Paquetá, além da história de Maria, também guarda outras lendas de fantasmas e manifestações sobrenaturais associadas a personagens como uma noiva e uma meretriz.
Essas histórias refletem o imaginário popular e a cultura local, sendo uma das várias lendas que ainda povoam o imaginário de Santos.
Destruindo Lampiões

A lenda “Quebra Lampiões” remonta a um protesto popular ocorrido em Santos, em 23 de dezembro de 1884.
A cidade enfrentava uma crise no abastecimento de água, com a Companhia Água, Gás e Bondes, dirigida por um inglês, diminuindo a água disponível nos chafarizes e nos lares, enquanto cobrava preços elevados.
A insatisfação se transformou em revolta, com os santistas se reunindo para protestar.

Em uma reunião, a multidão, incitada por oradores como Miguel Ferreira e Henrique Brugmann, planejou uma ação.
Durante os discursos inflamados, o povo começou a quebrar os lampiões a gás nas ruas e até os bondes foram destruídos e jogados no mar. A fúria da população não poupou nem as torneiras dos chafarizes, que foram arrancadas.
O gerente da Companhia, Sr. Heyland, fugiu para a Fortaleza da Barra Grande, mas a esposa dele fez uma promessa de iluminar com arcos de luz as principais ruas de Santos, caso nada acontecesse ao marido.
Após esse episódio, a cidade passou a ter abastecimento de água regular e a iluminação a gás permaneceu até 1944. O evento simbolizou a resistência do povo santista contra a exploração e as manobras políticas estrangeiras.
Uma Gruta Escondida na Montanha

A história remonta aos primórdios da colonização do Brasil, no século XVI, quando o ferreiro português Mestre Bartolomeu chegou à vila de Santos em 1532.
Tendo se estabelecido na região, ele construiu uma capela dedicada a Nossa Senhora do Desterro no morro central de sua sesmaria, deixando um legado de devoção e trabalho.
Mestre Bartolomeu, apesar de sonhar em retornar à sua terra natal, Portugal, jamais pôde abandonar a gleba que lhe proporcionava a vida, vivendo longos anos entre o trabalho de forjar ferramentas e a dedicação à sua família.
Décadas se passaram, e quando Mestre Bartolomeu estava próximo de morrer, ele revelou a seu filho, Bartolomeu Fernandes, uma promessa não cumprida: uma grande obra estava sendo construída, mas nunca seria concluída em vida.

Em 1590, dez anos após sua morte, a cidade de Santos foi surpreendida por um ataque inesperado de corsários ingleses liderados por Cook.
Eles invadiram a cidade, saqueando e aterrorizando a população. O povo de Santos, em pânico, começou a fugir em busca de um lugar seguro.
No meio do caos, Bartolomeu Fernandes, o filho do ferreiro, apareceu como um líder improvável, gritando para que todos o seguissem. Ele prometeu uma salvação secreta, conduzindo a população até o morro onde seu pai havia escondido algo. A jornada era tensa, e muitos começaram a duvidar, temendo que fosse uma armadilha.

Quando chegaram ao morro, Bartolomeu Fernandes guiou os desesperados até a entrada de uma gruta escondida entre rochas e bananeiras.
Ele revelou que ali estava a grande obra de seu pai: um refúgio seguro, cavado com as ferramentas que Mestre Bartolomeu havia forjado ao longo de sua vida.
A gruta de Nossa Senhora do Desterro tornou-se o local onde os santistas se abrigaram, longe dos piratas, que não conseguiram descobrir seu esconderijo.
Os corsários, ao tomarem a cidade, não entenderam o desaparecimento de parte da população, e após um mês de saque, partiram sem conseguir desvelar o segredo da gruta.
O povo de Santos, agora seguro, finalmente compreendeu o significado da promessa de Mestre Bartolomeu e prestou-lhe homenagens. Com o tempo, a cidade cresceu, a gruta foi esquecida, e o mosteiro de São Bento foi erguido no local. Porém, a lenda do ferreiro e de seu refúgio secreto permanece como um símbolo de coragem e proteção para a cidade.
Nomes Antigos
Vire o celular para ver as tabelas
| Termo | Loc. Ant. | Loc. Atual | Significado | Ref.Hist. |
|---|---|---|---|---|
| Guaiaó | Ilha de São Vicente, abrangendo partes de Santos e São Vicente | São Vicente e Santos, na Baixada Santista | Origem semítica: “região do fornecimento, das provisões” ou “lugar de apoio a viajantes”. Também “terra separada à força” pela pressão das águas ou fenômeno sísmico. | Francisco Martins dos Santos (História de Santos), Diogo Garcia de Moguér (1527), Anchieta. |
| Guaíbe | Ilha de Santo Amaro ou Ilha de São Vicente | Ilha de Santo Amaro e áreas próximas na Baixada Santista | Palavra indígena: paroxítona, com acento na penúltima sílaba, usada para se referir à Ilha de Santo Amaro. | Oláo Rodrigues. |
| Enguaguaçu | Barra Grande, lagamar diante de Santos, ao norte da Ilha de São Vicente | Região de Santos, especialmente o lagamar de Santos, área do estuário e parte do Porto de Santos | “Enseada maior”, “baía grande” ou “lagamar grande”, relacionada à área de Santos e à saída do Rio Bertioga. | João Mendes de Almeida, Teodoro Sampaio, Plínio Airosa, Francisco Martins dos Santos, Durwal Ferreira (Cartilha da História de Santos). |
Fatos Interessantes
| 23/08/1834 | Introdução dos gelados e sorvetes no Rio de Janeiro | Lourenço Fallas lança sorvetes e gelados, importando 217 toneladas de gelo de Boston para o Rio, conservando-o por 4 meses com serragem. |
| Verão de 1866 | Primeira casa de sorvete em Santos: Cisne Santista | O Cisne Santista começa a vender sorvete em Santos ao preço de 400 réis, novidade que se espalha pela cidade. |
| Meados de 1934 | Mania das Balas Holandesas e coleção de figurinhas | Surgem as Balas Holandesas, com grande troca de figurinhas na Rua 15 de Novembro, que se tornaram objetos de especulação, como ações. |
FIM