No passado, as principais rotas utilizadas para o escoamento de riquezas e provisões no Brasil colonial eram conhecidas como Estradas Reais. Instituídas e financiadas pelo rei de Portugal, tinham a função de permitir a logística em toda a colônia, estando sujeitas a rigoroso controle tributário sobre as mercadorias que circulavam por ali (o quinto). A construção dessas vias estava diretamente ligada à descoberta de ouro em Minas Gerais no final do século XVII.
NOTA: O Quinto Real era um imposto cobrado por Portugal que correspondia a 20% de todo o ouro extraído no Brasil. Previsto nas Ordenações do Reino, que consideravam as minas propriedade da Coroa, sua cobrança mudou ao longo do tempo e começou a ser aplicada ainda nas primeiras capitanias hereditárias.

Trilhas do Sudeste
O Caminho dos Guaianases era uma antiga rota usada pelos indígenas antes da chegada dos europeus. Foi reativado em meados do século XVII com o objetivo de criar uma ligação entre o litoral e o planalto paulista, evitando a passagem por São Vicente.
Nota: O Caminho Velho, que conectava o litoral paulista (incluindo São Vicente) à região das Minas Gerais, foi a primeira rota oficial. Porém, seu percurso longo e a dificuldade de fiscalização em áreas de mata fechada acabavam facilitando o contrabando de mercadorias e, principalmente, a sonegação do Quinto Real, imposto devido à Coroa.
Abaixo, os dois primeiros mapas mostram o mesmo caminho, mas vistos de ângulos diferentes. Nesta primeira parte, rumando para o sul, os índios passavam pela Vila Falcão (atual cidade de Cunha), descia a Serra do Mar, alcançando Paraty, de onde se embarcava, via marítima, para Sepetiba, e daí, por terra, para o Rio de Janeiro. A bifurcação sul, entre Guaratinguetá e Paraty, hoje é a rodovia SP-171.

Conhecido também como Caminho da Serra do Facão ou, posteriormente, Caminho Velho, o trajeto partia de São Paulo, passando por Taubaté, Pindamonhangaba e Guaratinguetá, atravessando a Serra do Mar na vila de Cunha, até alcançar a baía da Ilha Grande.

A cidade de Paraty emergiu em 1660 como resultado dessa trilha e do transbordo de mercadorias, com a continuidade do percurso sendo realizado por via marítima até o Rio de Janeiro. Em 1667, Paraty obteve o reconhecimento como vila.
No mapa a seguie, rumando para o norte, em direção à Serra da Mantiqueira, atravessando-a pela Garganta do Embaú, prosseguindo até atingir a região do Rio das Velhas.

A Estrada Velha
O Caminho Velho foi a primeira via aberta oficialmente pela Coroa Portuguesa para o tráfego entre o litoral fluminense e a região mineradora.

O caminho remonta à antiga trilha indígena do Peabiru, utilizada pelos Guaianás, que partiam do litoral de Paraty e atingiam o vale do rio Paraíba do Sul, atravessando a Serra do Mar.

Por essa trilha, conhecida como Caminho dos Guaianás, avançaram as forças de Martim Correia de Sá, compostas de cerca de setecentos portugueses e dois mil indígenas.
Partindo do Rio de Janeiro em 1597, a expedição desembarcou na enseada de Paraty e subiu a Serra do Mar para combater os Tamoios, aliados dos corsários franceses naquela região.
Com a descoberta de ouro no sertão de Minas Gerais, no final do século XVII, esse trajeto passou a alcançar a Vila do Facão (atual Cunha), de onde descia até o vale do rio Paraíba, em Guaratinguetá, prosseguindo até Vila Rica (atual Ouro Preto).
Assim, o caminho tornou-se a rota oficial para o ingresso de escravos na região (ida) e para o escoamento do ouro das minas (volta), transportado por via marítima de Paraty para Sepetiba e, em seguida, por via terrestre, passando pela antiga Fazenda de Santa Cruz, até o Rio de Janeiro, de onde seguia para Lisboa, em Portugal.
Esse percurso estendia-se por mais de 1.200 quilômetros, e o trajeto era completado, em média, em cerca de 95 dias de viagem.
O Caminho Novo
Foi criado para servir como um trajeto mais seguro rumo ao porto do Rio de Janeiro, principalmente porque as cargas estavam sujeitas a ataques piratas na rota marítima entre Paraty e Rio.

O primeiro caminho para a região das Minas Gerais, posteriormente chamado de Caminho Velho, era uma rota precária e insegura, especialmente devido ao trecho marítimo entre Paraty e o Rio de Janeiro, sujeito a ataques de piratas. Havia, portanto, a necessidade de uma nova rota, mais curta e segura, ligando o porto do Rio de Janeiro ao sertão das Minas.

Em 1698, o governador da Capitania do Rio de Janeiro, Artur de Sá Menezes (1697-1702), comunicou à Coroa Portuguesa a urgência de se abrir um novo caminho para aquela região.
Em 1699, uma Carta-Régia autorizou o governador Artur de Sá Menezes a abrir um novo caminho para as Minas Gerais.
A tarefa foi atribuída ao bandeirante Garcia Rodrigues Paes, que concluiu a trilha inicial para pedestres em 1700 e, após melhorias, finalizou a via para o trânsito de animais de carga em 1707.
O Caminho Novo reduziu o tempo de viagem para aproximadamente um mês, um terço do tempo necessário pelo Caminho Velho.
Caminho da Independência
Dom Pedro I, então Príncipe Regente, percorreu diversas cidades do Vale do Paraíba, convidando os moradores da região a integrarem sua Guarda de Honra no caminho até São Paulo, onde proclamaria a independência. Essa jornada aconteceu há 200 anos.

A viagem que culminou com a Proclamação da Independência começou quase um mês antes. Na manhã de 14 de agosto de 1822, decidido a fazer alianças com fazendeiros, desfazer ameaças de motins e preparar o terreno para a separação política de Portugal, o príncipe, com sua comitiva, saiu do Palácio Imperial, atualmente chamado Palácio de São Cristóvão, no Rio de Janeiro.
Atravessou cidades do Vale do Paraíba, então uma próspera região cafeeira e, depois de cavalgar cerca de 500 km, chegou a São Paulo em 25 de agosto (ver mapa).

Pessoas que acompanharam Dom Pedro I em sua viagem de independência e suas principais relações e funções.
| Luís de Saldanha da Gama | Diplomata; Secretário de Estado | Primeiro e único Visconde com grandeza e Marquês de Taubaté |
| Francisco Gomes da Silva (Chalaça) | Secretário particular e amigo íntimo | Ajudou Dom Pedro I na redação de discursos e documentos importantes |
| Francisco de Castro Melo | Major reformado do Exército | Irmão de Domitila de Castro, a Marquesa de Santos |
| João Carlota | Criado particular | Servia Dom Pedro I no Paço |
| João Carvalho | Criado particular | Servia Dom Pedro I no Paço |
| Tenente-Coronel Joaquim Aranha Barreto Camargo | Proprietário de terras, militar reformado | Descendente de Dom Afonso Henriques; viúvo, 50 anos, acompanhado por seus dois filhos |
| José Aranha | Filho de Joaquim Aranha; Acompanhante | Tinha 19 anos e era casado |
| Joaquim Aranha | Filho de Joaquim Aranha; Acompanhante | Tinha 23 anos e era casado |
| Padre Belchior Pinheiro | Confidente e conselheiro de Dom Pedro I | Primo de José Bonifácio de Andrade e Silva; Esteve presente no momento da decisão de independência |

Paraty e o Caminho dos Guaianases
| Paraty | Localização final do Caminho dos Guaianases; ponto de transbordo para transporte marítimo | Surgiu em 1660 em função da trilha; tornou-se vila em 1667 |
| Caminho dos Guaianases | Trilha usada inicialmente pelos indígenas; ligava o planalto paulista ao litoral sem passar por São Vicente | Reativado no século XVII; conhecido também como “Caminho da Serra do Facão” ou “Caminho Velho” |
| Rota do Caminho dos Guaianases | Partia de São Paulo, passava por Taubaté, Pindamonhangaba, Guaratinguetá e atravessava a Serra do Mar (Cunha) até a baía da Ilha Grande | Servia para o comércio entre Piratininga (São Paulo) e Rio de Janeiro |
| Casa de Fundição em Taubaté e Paraty | Instaladas pelo governo colonial para recolhimento do ouro e dedução do quinto da Coroa | Taubaté no Vale do Paraíba; Paraty em 1703 |
| Porto de Angra dos Reis | Parte de uma rota de contrabando para desvio do ouro | Ligava o Caminho dos Guaianases a Paraty |
| Problemas com o Caminho dos Guaianases | Longo trajeto e insegurança marítima devido à ação dos piratas | A Coroa Portuguesa incentivou a abertura de novos caminhos com recompensas, como sesmarias e títulos de nobreza |
FIM
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