Angra dos Reis foi uma das cidades mais importantes do Brasil durante o Período Colonial. O município possuía, no século XIX, o segundo maior porto do país, que foi responsável pelo escoamento de boa parte da produção cafeeira do Vale do Paraíba, durante o Ciclo do Café.
Nesta postagem, você descobrirá o que torna Angra um patrimônio cultural do Vale do Paraíba e se impressionar com suas lendas assustadoras.
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| Angra dos Reis | Fundação: 6 de janeiro de 1502 | Localização: Sul do estado do Rio de Janeiro | Em 6 de janeiro de 1502, uma expedição portuguesa liderada por Gonçalo Coelho chegou a uma baía no Rio e a nomeou Angra dos Reis, em homenagem aos Três Reis Magos. |

| 1532 | A expedição colonizadora portuguesa de Martim Afonso de Sousa passou por Angra dos Reis. |
| 1552 | Hans Staden, aventureiro alemão, é feito prisioneiro dos tupinambá na aldeia situada à barra do rio Ariró, onde acredita-se que ficavam os nativos chefiados por Cunhambebe. |
| 1556 | Fundação do povoado pelos filhos do capitão-mor Antônio de Oliveira. |
| 1560 | O governo da metrópole reconheceu o povoado. |
| 1593 | Criação da paróquia dos Santos Reis Magos da Ilha Grande por Carta Régia de Filipe I de Portugal e II de Espanha. |
| 1608 | Elevação da paróquia à categoria de vila, chamada vila da Ilha Grande. |
| 1632 | Imagem de Nossa Senhora da Conceição chegou em Angra dos Reis e tornou-se a padroeira da cidade. |
| 1835 | Em 28 de março, a vila da Ilha Grande foi elevada à categoria de cidade pela lei provincial número seis, com a denominação de Angra dos Reis. |
A História

Angra dos Reis foi descoberta pelo navegador Gonçalo Coelho no dia 6 de janeiro de 1502. Em razão de ser o dia dedicado aos Reis Magos.
O local então recebeu a alcunha “dos reis”, no entanto, o nome Angra se deve ao termo usado pelos portugueses na época:
Angra, uma pequena baía ou enseada, geralmente caracterizada por ser um local abrigado e protegido, onde embarcações podiam ancorar com segurança.
Esse termo era comumente usado pelos navegadores portugueses durante a época das grandes navegações para descrever locais costeiros favoráveis para a parada de navios.
| Gonçalo Coelho | Navegador e explorador português (1451 ou 1454 — 1512); comandou as duas primeiras expedições das terras atribuídas a Portugal pelo Tratado de Tordesilhas, em 1501-02 e 1503-04, acompanhado de Américo Vespúcio. | Pai de Duarte Coelho, primeiro capitão-donatário da Capitania de Pernambuco. |
Século XVI

A atividade econômica inicial da cidade de Angra dos Reis foi a cultura da cana-de-açúcar, além de servir como ponto de parada na rota entre Santos e o Rio de Janeiro.
Posteriormente, ao se dedicar à exportação e importação de produtos provenientes de Minas Gerais e São Paulo, Angra tornou-se um dos principais portos do Brasil.
Século XVII
Durante o século XVII, o porto de Angra experimentou um crescimento modesto, dando início a um comércio pequeno com o interior, ‘serra acima’.
Na segunda metade do século, foi estabelecido um estaleiro destinado à construção de fragatas voltadas para a navegação e a fiscalização marítima, enquanto a atividade pesqueira de baleias se expandiu consideravelmente.
Com uma área de mais de 193,53 quilômetros quadrados, a freguesia de Nossa Senhora de Santana da Ilha Grande, correspondente à Ilha Grande, teve no cultivo do café uma de suas principais atividades.
Em 1889, sua população era de aproximadamente 7.800 moradores.

Comércio no Século XVIII
Em 1808, o povoado foi elevado à condição de freguesia e, em 1835, adquiriu o status de cidade e sede do município, passando a se chamar Angra dos Reis.

Houve também o desenvolvimento da pesca e do beneficiamento das baleias.
“A partir de Angra dos Reis, desde o início do século XVIII, exploradores subiam a Serra do Mar, provavelmente em busca de alternativas para o escoamento do ouro proveniente das Minas Gerais.
Podemos supor, portanto, que nessa época o contrabando sustentava muitas famílias e povoações angrenses” (MACHADO, s.d., p. 23).
Segundo Araújo, em 1800 havia um movimento comercial na vila, envolvendo cultivos locais e ‘mais de quinze lanchas armadas à sumaca’ (ARAUJO, 1945, p. 85). Ele verificou, além da produção de aguardente, o cultivo de arroz, café, anil, cacau, algodão, legumes, laranja, banana e mandioca para a fabricação de farinha (ARAUJO, 1945, p. 68).
O cultivo de anil tornou-se predominante, especialmente nas grandes propriedades. A
produção de alimentos e a atividade pesqueira também experimentaram uma expansão significativa. Entretanto, a atividade que mais se revitalizou foi a produção de aguardente, que incorporou o cultivo da cana-de-açúcar proveniente de Angra e Paraty.

No final do século XVIII, com a expansão cafeeira, o polo dinâmico da atividade econômica deslocou-se de Paraty para Angra.
Isso ocorreu não apenas devido às vantagens do porto localizado na vila de Angra, mais profundo e livre de assoreamento, mas também pela existência de pequenos embarcadouros naturais, como Jurumirim, Bracuí, Ariró, Frade e Mambucaba, situados na Baía da Ilha Grande, próximos às plantações de café ‘serra acima’ (CAPAZ, 1996, p. 100-101).
Comércio no Século XIX
A produção de Angra dos Reis no início do Século XIX era direcionada ao consumo local e, assim como em várias regiões do Sudeste, os habitantes de Angra também se dedicaram à plantação de café.
Contudo, o papel mais significativo foi exercido pelos portos de Angra, que atuaram como centros de escoamento do café oriundo do Vale do Paraíba, tanto paulista quanto fluminense.
A atividade portuária, através da navegação de cabotagem, foi outra atividade econômica que contribuiu para períodos de prosperidade em Angra nessa época.

A freguesia de Nossa Senhora do Rosário de Mambucaba, criada em 1808, fazia fronteira com Paraty e incluía as regiões de Itaorna e Ilha de Sandre. Nela havia um importante porto, de onde era escoada a produção de café local e do Vale do Paraíba. Com uma área de 220 quilômetros quadrados, abrigava 3.800 habitantes em 1889
Corsários

Na Ilha Grande, a ocupação por parte do homem branco ocorreu de forma gradual.
Nos séculos que se seguiram à sua descoberta, a ilha foi utilizada como um ponto de parada para corsários que procuravam terra firme para efetuar reparos em suas embarcações ou reabastecê-las por meio de intercâmbio de mercadorias com os nativos.
Século XX

Durante a década de 1960, a instalação do Estaleiro da Verolme impulsionou o desenvolvimento econômico local.
Nos anos subsequentes, foram inaugurados, no município, a Usina Nuclear de Furnas (Angra I) e o Terminal da Petrobrás, dois grandes empreendimentos que geraram considerável preocupação entre a população, em virtude dos riscos associados à contaminação ambiental.
Atualmente, a atividade econômica predominante na região é o turismo.
A Lenda da Padroeira

Até 1694, os padroeiros de Angra dos Reis eram os Reis Magos. Neste mesmo ano, chegou à baía de Angra uma nau portuguesa, a qual ficou um tempo parada na cidade, devido a uma rachadura na nave.
Contam que uma tempestade abrupta obrigou o navio a procurar o abrigo da enseada da cidade. Como por encanto, no momento em que a embarcação deu entrada no porto, a tempestade se acalmou.
Após ancorar, o comandante desembarcou a fim de procurar madeira para reparar as avarias do navio e comentou com os funcionários da alfândega que ia à Capitania de São Vicente entregar uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, em tamanho natural, a qual fôra comprada por um pároco da Vila de Itanhaém.
Os moradores de Angra, ao ouvirem o relato do comandante, mostraram desejo de contemplar a imagem, mas o pedido foi negado, pois o comandante alegou que a imagem estava embalada.
Após reparar a nau, o comandante levantou âncora e partiu, porém não foi muito longe, pois a tempestade atingiu novamente com violência a embarcação.
Contam que o comandante e marujos, de joelhos, fizeram promessas à Virgem para que conseguissem retornar à baía, o que foi obtido.

Uma das promessas do comandante era levar a imagem até a capela local e permitir que os angrenses a entronizassem. Em terra, a tripulação do navio veio a saber que, na enseada, o mar sequer se agitara.
O comandante e os membros da tripulação do navio reconheceram que tais eventos poderiam simbolizar o anseio de Nossa Senhora em permanecer em Angra dos Reis.
Em decorrência disso, a imagem foi entregue aos habitantes locais, e atualmente Nossa Senhora da Conceição é a padroeira da cidade, sendo conservada na Matriz da cidade.
Chafariz da Carioca
No século XIX, a água doce em Angra dos Reis constituía um recurso extremamente escasso e de difícil acesso. Como resultado, os escravos eram designados para a tarefa de buscar água na serra, muitos deles percorrendo as residências com pipas (barris) para vender a água.
Uma das principais fontes de abastecimento localizava-se no alto da chácara da Carioca, de onde a água era transportada por canos de bambu, descendo a serra até jorrar em um poço na região mais baixa.

Em 1842, a Câmara Municipal construiu, naquele lugar, um chafariz para que a população pudesse se abastecer de água.
Duas Lendas Antigas São Contadas a Respeito Dessa Fonte
Uma delas dizia que era comum, à tarde, as pessoas irem à fonte da Carioca para um passeio e beber água fresca e límpida que jorrava das cinco bicas.
Conta a lenda que, se alguém tomasse água da bica do meio, jamais esqueceria a cidade de Angra e, mesmo que se mudasse, um dia voltaria a visitá-la.
Frade Devorado Por Índios

Uma lenda do século XVI narra a história de um frade franciscano devoto, que percorreu as regiões de Angra com o propósito de catequizar os índios antes da chegada dos colonizadores portugueses.
Durante uma dessas missões, ele foi tragicamente assassinado e devorado por Cunhambebe, o que deu origem ao nome de uma das mais notáveis montanhas da região: a Pedra do Frade, que se eleva a 1.640 metros de altitude, à margem da Rodovia Rio-Santos, onde atualmente se encontra o Hotel do Frade.
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| Nome | Resumo | Referências |
|---|---|---|
| Cunhambebe | Chefe indígena tupinambá brasileiro (?-c. 1555), líder tamoio entre Cabo Frio (RJ) e Bertioga (SP); aliado dos franceses na França Antártica, na Baía de Guanabara, em 1555. | Citado nas obras Les singularitez de la France Antarctique de André Thévet e Duas viagens ao Brasil de Hans Staden. |
Corpo Mumificado de Maria Isabel

Há muitos anos, no Cemitério da Ordem Terceira, localizado atrás do Convento do Carmo, estava disponível para visitação o corpo mumificado de uma jovem conhecida como Maria Isabel da Visitação Corrêa, que faleceu em 1822.
O corpo dela permanecia exposto em uma urna de vidro. Contudo, ao longo do tempo e em decorrência da mudança nos costumes, a igreja decidiu encerrar a visitação e sepultar o corpo da jovem em um dos jazigos do cemitério.
O grande enigma que envolve essa lenda é compreender qual teria sido o feito desta jovem Maria Isabel, que levou a igreja católica a expor seu corpo como um símbolo de santidade.
O que nos resta é tentar deduzir, a partir das informações sobre os motivos pelos quais a igreja permite a exposição de corpos incorruptos:
| Motivo | Explicação | Objetivo |
|---|---|---|
| Sinal de Santidade | Incorruptibilidade é vista como evidência de santidade e pureza. | Mostrar a vida virtuosa e afastamento do pecado de um santo. |
| Inspiração e Devoção | Expor corpos incorruptos inspira fiéis e fortalece a devoção. | Fortalecer a fé dos devotos e incentivá-los a seguir o exemplo dos santos. |
| Milagre e Fé | A incorruptibilidade é celebrada como um milagre e reforça a crença na intervenção divina. | Reconhecer e celebrar os milagres de Deus na preservação dos corpos dos santos. |
| Processo de Canonização | A incorruptibilidade pode ser um critério no processo de canonização. | Validar e demonstrar a condição milagrosa dos corpos como parte da canonização. |
O Túnel do Convento São Bernardino de Sena

O Convento de São Bernardino de Sena, localizado em Angra dos Reis, é imerso em mistérios. Uma das narrativas descreve a presença de um túnel secreto que conectava o Convento de São Bernardino ao Convento do Carmo.
Segundo a lenda, essa passagem subterrânea era utilizada pelos frades como uma rota de fuga em situações de perigo, como em casos de ataques por invasores.
Acredita-se que o túnel foi construído durante o período colonial, quando a região se tornava um campo de batalha entre portugueses, indígenas e piratas.

A lenda do túnel secreto se soma a outros contos que alimentam a mística do Convento de São Bernardino.
Há quem diga que uma criança teria se perdido no túnel e nunca mais foi encontrada, vagando para sempre em seus corredores escuros.
Embora a existência do túnel nunca tenha sido confirmada, a lenda permanece viva na memória popular, servindo como um lembrete da história conturbada da região e da engenhosidade dos frades que habitavam o convento.
Outras Lendas Sobre o Convento de São Bernardino
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| Local | Lendas | Importância |
|---|---|---|
| Convento de São Bernardino | Lendas de tesouros escondidos, vultos, fantasmas nos corredores e aparições milagrosas. | Essas histórias criam uma atmosfera mística, atraindo visitantes e alimentando a imaginação popular. |
A Lenda do Deslocamento
Em 1624, Angra dos Reis foi realocada da Vila Velha, seu primeiro núcleo de ocupação, para a sua posição atual, em frente à Ilha Grande. Em 1667, com a criação da paróquia de Nossa Senhora dos Remédios de Paraty, os limites do território de Angra foram delineados entre o rio Itaguaí e o rio Mambucaba.

Neste momento, começou a construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, a qual foi concluída somente em 1750.
Existem duas explicações principais para a relocação do povoado.
A primeira sugere que a mudança foi motivada pelo assassinato do vigário por um morador local; em decorrência desse fato, o Prelado do Rio de Janeiro decidiu suspender a nomeação de um novo pároco enquanto houvesse na vila descendentes do homicida, o que levou os habitantes a se estabelecerem em outro local.
A segunda versão propõe que o novo local já era habitado antes do incidente, devido às suas vantagens, como a abundância de água, em comparação com os mangues e lagoas que atormentavam os moradores da Vila Velha.
FIM
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