Lendas de São Luiz do Paraitinga

Ficha Técnica

NomeSão Luís do Paraitinga
Fundação8 de maio de 1769
LocalizaçãoRegião do Vale do Paraíba, no topo da Serra do Mar, a meio caminho entre Taubaté e Ubatuba
Origem do NomeO nome “Paraitinga” vem do tupi antigo “paraitinga”, que significa “rio ruim e claro”
Fundação porBandeirantes oriundos de Taubaté, Mogi das Cruzes e Guaratinguetá
Desenvolvimento no Século XIXFoi o centro de abastecimento das tropas que transportavam o café do Vale do Paraíba para o litoral
Importância CulturalO conjunto histórico e paisagístico foi tombado por sua importância cultural
Desastres NaturaisNos primeiros dias de 2010, a cidade sofreu com uma forte enchente do Rio Paraitinga que fez perder oito de seus edifícios históricos
CulturaSão Luís do Paraitinga tem um dos mais tradicionais carnavais do Estado de São Paulo; a cidade de 10 mil habitantes atrai mais de 150 mil turistas durante o carnaval

Carnaval e Lenda

Na década de 1910, o vigário italiano Ignácio Gióia, natural da província de Potenza, foi transferido para a paróquia de São Luiz do Paraitinga, após ter passado por outras comunidades no interior paulista, como Descalvado, Jaguariúna e Queluz.

Com uma postura bastante ortodoxa, ao assumir a paróquia em julho de 1912, proibiu manifestações culturais que considerava profanas, incluindo o carnaval.

Com esse propósito, difundiu o mito de que “aqueles que participassem do Carnaval seriam castigados, vindo a desenvolver rabos e chifres”.

Temerosos das consequências da desobediência clerical, os foliões acabaram por abandonar as festividades na cidade, consolidando um dos episódios mais marcantes do imaginário popular luizense.

E tudo indica que a “maldição” do padre realmente surtiu efeito, já que o vigor das festividades em São Luiz do Paraitinga só seria plenamente resgatado na década de 1980, quando o Carnaval voltou com força nas ruas da cidade. 🎭

Em 1982, os desfiles de rua retornaram com o bloco “Encuca na Cuca”, que fazia uma divertida alusão à lenda do padre, já enraizada no imaginário popular.

O criador do bloco, o professor Luiz Homero dos Santos, teve a ideia de disseminar as lendas do imaginário local usando bonecos gigantes, acompanhados pela musicalidade da marchinha, que se tornaram a marca registrada da folia na cidade.

O Carnaval de Marchinhas

Nesse período, as marchinhas se firmaram como o ritmo oficial da festa.

A fama do carnaval de marchinhas atravessou continentes, sendo tema de matéria no The New York Times.

Em 2023, a UNESCO reconheceu as músicas como patrimônio imaterial da humanidade.

Os Bonecos e as Lendas Folclóricas

Um detalhe curioso que mostra a importância histórica da cidade é o fato de os bonecões do bloco “Enkuca a Kuka” serem guardados na antiga casa do médico sanitarista Oswaldo Cruz, que nasceu e passou a infância em São Luiz do Paraitinga.

Atualmente, esse local abriga um museu e um centro cultural. Os bonecos usados no bloco representam diferentes lendas.

As histórias folclóricas sempre tiveram grande impacto na cidade, e os mais velhos usavam esses mitos para assustar as crianças. Pensando nisso, os jovens de São Luiz do Paraitinga criaram o bloco “Enkuca a Kuka”, cujos bonecos são:

1. Saci Pererê5. Cabrá9. Cuca Branca13. Vaca Beuda Perna Abeuta
2. Cuca (Kuka do Carnaval)6. Cabra-Cega10. Cuca Vermelha
3. Lobisomem7. Pirata do Morro de Ilusões11. Cuca Preta
4. Loira do Banheiro8. Porca de Sete Leitões12. Vovô Curiãngo

Lendas Relacionadas aos Bonecos

Lenda: Porca dos Sete Leitões: Segundo Vovô Curiãngo, bonequeiro de São Luiz do Paraitinga, acima da casa do Oswaldo Cruz, no Cruzeiro, tem uma rua onde morava uma mãe que tinha sete filhos.

“Ela judiava muito das crianças e quando ela morreu se transformou na Porca de sete leitões, e, quando dava meia-noite, espalhava aquele eco de porco gritando pelo morro – Aí fizeram o boneco da Porca, representando aquela mãe perversa…”

Lenda: A Cuca do Carnaval de São Luís: Tem uma feição diabólica e, segundo os contos populares, veio ao mundo para pegar as crianças desobedientes. Também chamada de Cuca-Cuca, foi o primeiro boneco do Carnaval das Marchinhas, iniciado em 1982.

Lenda: O boneco do Cabrá: Vovô Curiãngo narra a história de um homem asqueroso, conhecido por seu cachimbo fedorento.

“Segundo a lenda, ele era um usurpador de terras, que batia na mãe e ‘fumava’ criancinhas em seu cachimbo de purificação d’alma.

Cabrá morreu de mal súbito ao enfrentar o vigário da cidade, pois queria usurpar o terreno da igreja. Contam que ele foi sepultado no cemitério ao lado da igreja, o campo santo que ele tanto desejava tomar.

Vovô Curiãngo continua: “vinte anos depois, quando a mulher de Cabrá faleceu, o coveiro preparou o jazigo para enterrá-la e descobriu que o corpo de Cabrá continuava intacto, sem sinais de decomposição, rejeitado até mesmo pelos micróbios.

A notícia se espalhou pela cidade, que ficou assustada, e logo promoveram a expedição do corpo macabro. Após sete dias, o corpo foi abandonado na mata podre do sertão da restinga.

Desde então, Cabrá assombra os lenhadores com seus berros horripilantes nas madrugadas de inverno.”

Lenda: A Cabra-Cega: Contam que uma bruxa que habitava o corpo de um caprino, com os olhos cobertos por um pano negro.

Ela carregava consigo uma cesta de pão, uma garrafa de vinho — alimentos simbólicos da eucaristia —, e uma boneca que lhe foi entregue por um pai desesperado, que enganou a bruxa para salvar a vida de sua filha. A Cabra-Cega era conhecida por devorar crianças de famílias pagãs.

Festa do Divino Espírito Santo

Muito típico na celebração, o afogado é um ensopado de carne com batata servido no evento.

A festividade, que simboliza uma homenagem dos agricultores ao Divino Espírito Santo, dura dez dias e remonta à época da colonização portuguesa.

Ela começa 50 dias depois da Páscoa, sempre numa sexta-feira, com uma novena e a bênção das bandeiras dos fiéis, que depois seguem em procissões.

Na procissão do Encontro das Bandeiras, os estandartes das festas passadas se encontram com os do ano atual. Essas bandeiras percorrem, durante um ano, os bairros da zona rural, pedindo prendas para a festa.

Além da novena, realizada diariamente, e das cerimônias religiosas, a programação também contempla: 1) a congada, dança folclórica que representa a coroação de um rei do Congo; 2) a cavalhada, que remonta às disputas da era medieval; e 3) o Moçambique, dança de caráter guerreiro na qual os dançarinos golpeiam bastões simbolicamente.

Festa do Saci

Para contrapor o Halloween, uma manifestação cultural dos Estados Unidos, e combater a hegemonia cultural desse país sobre os demais, foi instituído o Dia do Saci em diversos municípios e estados brasileiros.

A lei está em vigor na cidade e no estado de São Paulo desde 2004, mas a primeira cidade a comemorar a data foi São Luiz do Paraitinga, que organiza uma grande festa anualmente.

O Saci é o personagem favorito tanto dos moradores da cidade quanto dos turistas. Tanto é que São Luiz do Paraitinga abriga a Sociedade dos Observadores de Sacis (Sosaci), composta por ativistas culturais que defendem a cultura nacional e se opõem à comemoração do Halloween importado dos Estados Unidos.

A festa não se limita apenas a São Luiz do Paraitinga, ocorrendo também em várias outras localidades, embora a programação principal seja concentrada na sede da Sosaci.

Calendário Cultural de São Luiz do Paraitinga:

Janeiro06 e 07Festa de Reis (Bairro Santa Cruz)
18 e 19, 2628º Festival de Marchinhas
Fevereiro02Carnatuçaba
08 a 1233º Carnaval de Marchinhas “Retalhos de Chita”
Março25 a 31Celebrações da Semana Santa e Páscoa
Abril01Festa de São Benedito (Bairro São Benedito)
Maio03 e 04Festival de Moda de Viola
08Aniversário da Cidade
10 a 19Festa do Divino Espírito Santo
30Corpus Christi
Junho01 e 0210° Passeio Ciclístico e 6ª Caminhada Ecológica ao Núcleo Santa Virgínia
07, 08 e 15Festa Junina “Arraiá do Chi Pul Pul”
21 a 30Festa de São Pedro de Catuçaba (Distrito de Catuçaba)
Julho02 a 2813ª Temporada de Inverno “Um Friuzinho Esquentadô”
14Big Biker
18 a 2141ª Romaria de Cavaleiros à Aparecida
29Festa de São Cristóvão
Agosto01 a 07Semana Oswaldo Cruz
02 a 04Festa da Cozinha Caipira
10 a 19Festa do Padroeiro – São Luís de Tolosa
31Início da Semana Elpídio dos Santos
Setembro01 a 03Semana Elpídio dos Santos
16 a 22Semana da Canção Brasileira
20 a 23Festa de Nossa Senhora das Mercês
Outubro14Projeto Resgatando a Inocência
21Festa de Nossa Senhora do Rosário
25 a 3111ª Festa do Saci e Seus Amigos
Novembro24Festa de Santa Cecília
Dezembro01 a 25Comemorações Natalinas
31Reveillon

Outras Informações

FAQ Fictícia
Como a cidade conseguiu preservar 450 casarios imperiais?
Motivo da PreservaçãoSão Luiz do Paraitinga não teve o desenvolvimento que outras cidades do Vale do Paraíba tiveram, como São José dos Campos e Taubaté.
Contexto HistóricoSão Luiz do Paraitinga começou na época da trilha do ouro, servindo como anteposto entre o Vale do Paraíba e o litoral. A cidade era onde as pessoas descansavam após retirar o ouro de Minas Gerais, antes de descerem a serra em direção ao litoral para enviar o ouro para a Europa.
Título de VilaRecebeu o título de vila com 876 pessoas residindo.
Título de Cidade ImperialRecebeu o título de Cidade Imperial de Dom Pedro.
Período de OuroOs anos dourados da cidade ocorreram durante o Ciclo do Café, entre 1850 e 1920, época em que os casarões no estilo colonial foram construídos.
Acervo ArquitetônicoPossui o maior acervo arquitetônico do estado de São Paulo, com 450 casas no estilo colonial tombadas.

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