Quando tinha 8 anos, cometi um erro do qual me arrependo até hoje, pois envolveu o sobrenatural. Mas, antes de contar essa história, preciso voltar ao dia anterior…

Havia um quartinho nos fundos da minha casa que ficava trancado o tempo todo. Era o quarto do “vô”,entidade espiritual e guia da minha mãe, que era kardecista.
Ela havia me proibido de entrar naquele quarto. Na época, eu não entendia direito o que isso significava, muito menos as consequências de mexer com o sobrenatural.
Lembro-me de participar de reuniões com a minha mãe, onde ela rezava de costas para nós, em frente a uma vela.
De súbito, ela colocava as mãos fechadas atrás da cintura, como se estivesse sendo algemada, e virava-se na nossa direção com outra voz e personalidade, como nas peças teatrais, em que o artista vai ao escuro do palco, troca a peruca e muda de personagem.
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Certo dia, tive a brilhante ideia de pegar as chaves e ver o que havia dentro desse quarto. Chegando lá, não encontrei absolutamente nada. No quarto, só havia um altar e várias velas acesas, com as quais fiquei brincando.
E assim começa o meu relato assustador. No dia seguinte, no intervalo na escola Chico Triste, um menino me empurrou enquanto nos alinhávamos para cantar o Hino Nacional.
De repente, uma força invisível agarrou meu braço e o arremessou com força contra o rosto daquele menino. Na hora, surgiu um caroço de sangue na testa dele. Fiquei sem entender nada, olhando atônito para as minhas próprias mãos.

Fui levado para a diretoria e recebi suspensão por uma semana. Quando voltei do castigo, os garotos da escola comentavam: “Esse sabe brigar, hein… esse sabe bater…”; e passaram a ter medo de mim.
Mas não era nada disso, eu não tinha feito nada. Na época, fiquei confuso, sem entender o que estava acontecendo. Anos depois, descobri que o soco tinha relação com o quarto do guia da minha mãe que invadi.
Já adulto, refletindo sobre o episódio da infância, aprendi a não brincar com nenhuma religião, pois não sabemos o que ocorre entre o céu e o umbral. Passei a não mais julgar, muito menos demonizar, nenhuma religião diferente da minha, visto que na minha também existem pessoas más e corruptas.
PS: As imagens são meramente ilustrativas
FIM