Um motorista de táxi voltava para casa de madrugada quando avistou uma mulher perambulando pela via Dutra. A mulher era alta, loira e subia a rua que dava acesso à Dutra. O motorista fez sinal com os dedos:

— A moça está perdida?
— Sim — disse ela —, você poderia me levar até o bairro 31 de Março, na avenida Sebastiana Cobra?
— Claro que sim! É o meu caminho. Eu não vou deixar uma moça bonita sozinha aqui de madrugada.
Durante o trajeto, eles foram conversando. Ela disse que havia batido o carro na Dutra:
— Quando saí para chamar o guincho, já haviam rebocado o carro — disse a moça.
Chegaram ao endereço. Ela agradeceu e ficou parada em frente ao portão, esperando alguém abrir. O motorista não esperou ela entrar, pois a esposa o estava esperando em casa, e saiu rapidamente.

No outro dia, ao limpar o carro, o taxista encontrou um RG no carpete e percebeu que era da moça que havia levado no dia anterior. Ele voltou ao local para devolver o documento.
Ao chegar novamente diante do mesmo portão, ele chamou pelo nome que constava no RG, já que não havia perguntado no dia anterior. Então, apareceu uma senhora:
— Pois não?!
— Oi, eu sou o motorista de táxi que trouxe a sua neta ontem. Ela esqueceu alguns objetos no meu carro.
A senhora ficou estática e arregalou os olhos.
— Não é a casa da Ana? — perguntou o motorista novamente.

— É, sim, mas todos a chamamos de Bia. — Disse a senhora gaguejando.
O motorista mostrou o RG. A senhora ficou boquiaberta:
— Sim, é minha neta, mas, senhor, isso não é possível. Ela faleceu há três dias na Dutra e foi velada hoje.
O motorista não acreditou na história. A senhora então deu o endereço do túmulo, no cemitério do Centro (Rodolfo Komorek).
O taxista ficou tão encabulado com a história que passou o dia todo distraído, mal conseguindo trabalhar. Depois de muita hesitação, ele decidiu verificar a informação dada pela senhora. Ao chegar ao cemitério central, procurou o túmulo indicado e levou um susto ao ler o que estava gravado na placa de mármore:
“Aqui jaz Ana Beatriz, mãe zelosa, filha amorosa, neta dedicada.”
A data na lápide era realmente de três dias atrás.
FIM
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