Lenda Urbana: A Maldição da Árvore do Banhado

De acordo com os relatos, todas as noites, quem passava pelo entroncamento do Banhado encontrava, entre as raízes, velas pretas e restos de sacrifícios de animais.

A história que você vai ler se passa na década de 1980, época em que houve uma epidemia de ladrões de galinha no bairro.

Os vizinhos, indignados com o sumiço de suas criações, começaram a se revezar em vigílias noturnas para pegar o ladrão de galinhas.

No primeiro dia de vigília, apareceu uma mulher com sobretudo preto, porém, ao perceber que estava sendo observada, contornou a árvore e desapareceu na escuridão.

No segundo dia, foi o vigia quem desapareceu, gerando grande alarido na vizinhança. Passado um mês, uma criança brincava pelo Banhado, quando viu um objeto brilhante no chão. Ela foi em direção ao local e descobriu um anel enterrado. Ao cavar, viu que estava anexado a um dedo humano.

A criança correu assustada e foi chamar um adulto. Os moradores se juntaram e começaram a cavar ao redor do dedo e descobriram um corpo apodrecido, que ainda estava com os documentos.

Adivinhem de quem se tratava? Sim, era o vigia desaparecido. Os vizinhos, alarmados, optaram por incinerar a árvore.

Dizem que a partir desse dia assassinatos e enchentes tornaram-se cada vez mais frequentes na região do Banhado.

Em 2012, a área do Banhado foi oficialmente designada como “Unidade de Conservação”, resultando no congelamento da região.

Por esse motivo, os moradores estão impedidos pela Justiça de realizar novas construções e estão sujeitos à possibilidade de remoção forçada a qualquer momento.

Os habitantes mais antigos e supersticiosos do Banhado acreditam que esse revés se deve à maldição vinculada ao queima da árvore.

Nota: A gameleira-branca é reconhecida como uma árvore sagrada em diversas tradições religiosas de origem africana. De acordo com os espiritualistas, essas árvores constituem um campo de força, no qual existem entidades conhecidas como Exus e Pomba Giras que atuam diretamente nesse contexto. Inclusive, há Exus e Pomba Giras que se identificam com o nome da árvore, como Exu Sete Figueiras, Pomba Gira Figueira e Exu Figueirão das Almas; isso justifica a realização de rituais aos pés dessas árvores.

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