Recontando Histórias: A Zona Morta — Sthephen King

No final dos anos 90, os blockbusters estavam em alta, e entre os filmes de terror que mais marcaram essa época estavam “O Grito”, “O Chamado”, “Olhos Famintos”, “Horror em Amityville” e “Jogos Mortais”. Nessas produções, era comum encontrarmos os mesmos clichês de sempre.

Aviso: Slides no final

Foi a partir desses filmes que desenvolvi uma percepção negativa sobre o gênero terror, que perdurou por muito tempo. No início dos anos 2000, nos finais de semana, meus amigos e eu alugávamos dois filmes, sendo que um deles era sempre de terror.

Nas sessões em frente à TV de 29 polegadas, eu sempre me assustava com as cenas silenciosas de portas se fechando abruptamente – e sempre havia aquele amigo sem graça (um abraço, Vanderson) fazendo piada. Era ele também quem reparava em cada detalhe trivial e, no fim, revelava que a sobrinha-da-tia-da-avó-da-empregada-do-irmão-da-sobrinha era a assassina – um tédio total.

Eu pensava: “Isso é terror? Um monte de mecanismos manjados de luz e sombra, silêncio e susto?” Faltava algo…

Essa percepção mudou após uma “booktuber” recomendar em seu canal o livro “It“, de Stephen King. Depois de ler esse calhamaço de mil e cem páginas, fogos de artifício explodiram em minha mente. Stephen King me mostrou que o terror é a vida real.

Nesse livro, fiquei impressionado como o autor mesclou elementos sobrenaturais com o cotidiano, criando uma estrutura de “realismo fantástico”. Lembro que bloqueei o Kindle e pensei: esse autor é genial!

O segundo livro que li foi ‘Carrie’, e gostei do jeito como King misturou gêneros. Rabiscos nas carteiras, artigos de jornais, monografias, contavam a história de Carrie. King faz os leitores sentirem raiva dos personagens que praticaram bullying com a protagonista.

E quando Carrie mata todos da escola, somos conduzidos pelo autor a minimizar o massacre (a famosa expressão “passar pano”) – e isso é assustador!

Não resumirei os sete livros de Stephen King que li, pois a introdução está ficando extensa; o que eu quis demonstrar com essa observação é o autor provou que o gênero terror também pode ser brilhante.

Caro leitor, este material foi formatado para ser utilizado em sala de aula (alunos do 5.º ao 9.º anos). É importante entender o propósito desta aula: recontaremos oralmente uma história, utilizando imagens e textos literários lidos pelo professor como apoio, alinhando à habilidade da BNCC: (EF15LP19, EF67LP29, EF67LP27, EF69LP32, EF89LP26).

Sobre o Livro

O livro “A Zona Morta” é considerado um dos cinco melhores romances de terror/ficção científica escritos por Stephen King. Lançado no ano de 1979, esta obra nos conduz a reflexões contemporâneas, tais como o fanatismo religioso, a disseminação de notícias falsas e a violência política.

Para Quem Serve Este Material?

Antes de prosseguirmos, gostaria de mencionar que a história que vou compartilhar tem uma classificação etária original de 16+.

No entanto, adaptei o conteúdo para garantir que seja adequado para estudantes do oitavo e nono ano — público-alvo deste material.

A proposta da aula é a seguinte: o professor usará slides para contar uma história desconhecida aos alunos. Ele explicará o contexto de cada uma das quatro partes da história e fará um resumo. O título do livro será ocultado para evitar spoilers, visto que a história será contada em quatro aulas.

O pai da mentira está sempre visitando os teístas para cobrar o débito de uma maldade do passado. Quando nos tornamos adultos e céticos, o terror é a vida real: não ter condições de pagar uma conta de luz, a água prestes a ser cortada, não ter dinheiro para comprar o botijão de gás… Não existe Belzebu que assuste mais do que as incertezas da vida, do que a insegurança alimentar.

Por que eu fiz essa introdução falando de medo? É aqui que entra a narrativa de Stephen King: A VIDA REAL.

A consciência do indivíduo, de fora para dentro, fala-se ao invés de “eu falo” (Posenti). Você não fala; é um discurso anterior que fala por meio de você. King sabe captar o inconsciente coletivo, ou seja, os assuntos suspensos no ar, algo que todos sabem, mas não sabem que sabem, e ao ouvirem, se identificam. Ele romanceia esses pseudodons misteriosos, como a premonição e a clarividência.

Em “O Iluminado”, Dick Hallorann, o chefe de cozinha do Overlook Hotel, explicou para Danny Torrance, o protagonista (que também tinha o dom de interpretar os sinais mentais das pessoas), como funcionava a mente de uma pessoa “iluminada”.

— Sou o único que o senhor já viu?” — perguntou.
Hallorann riu e balançou a cabeça.
— Não, criança, não. Mas você é o mais iluminado.
— Existem muitos, então?
— Não — respondeu Hallorann —, mas você realmente os ultrapassa.

Muitas pessoas têm um pouquinho dessa iluminação. Elas não sabem que têm, mas são aquelas que sempre aparecem com flores quando as esposas estão com TPM, fazem boas provas na escola sem terem sequer estudado, conseguem ter uma boa ideia de como os outros estão se sentindo logo ao entrar numa sala.

Já topei com uns cinquenta ou sessenta sujeitos assim. Mas talvez só uma dúzia deles, contando minha avó, sabiam que eram iluminados.” (O iluminado, pág. 83)

O inconsciente coletivo é uma memória genética, um tipo de informação futura que transmitimos aos nossos descendentes, para que eles se aperfeiçoem nas gerações seguintes. É como uma versão de “De Volta para o Futuro”, em que um cientista volta ao passado para alertar seu avô sobre um evento que pode prejudicar o futuro.

No entanto, no caso do inconsciente coletivo, é o passado transmitindo padrões para o futuro. Esses padrões são imagens ou impressões arquetípicas. Um exemplo disso é quando pais que não tiveram a oportunidade de estudar incentivam os filhos a fazerem isso, para que não enfrentem as mesmas dificuldades que eles enfrentaram. É assim que a memória genética do inconsciente coletivo funciona, transmitindo informações arquetípicas.

Além dos conhecimentos primitivos, o que mais poderia ser ativado na ZONA MORTA?

Vamos Para a Estória

A Zona Morta

Johnny Smith, um menino americano de seis anos, caminhava em direção ao lago congelado de Runaround. Ele estava aprendendo a realizar manobras no gelo e aguardava a chegada de um colega para praticarem juntos. Ao avistar o amigo vindo com o pai, ficou animado e decidiu exibir sua nova habilidade. De longe, Johnny arriscou um movimento “freestyle”, deslizando de costas sobre o gelo.

Sem perceber, ele avançou até o centro do lago, onde ocorria uma partida de hóquei, indo de encontro a um garoto alto e forte que se preparava para disparar o disco. O adolescente, ao perceber Johnny deslizando em sua direção, tentou desviar, mas não houve tempo.

O pequeno Johnny Smith recebeu um ‘jogo de corpo’ que o lançou a dois metros de distância. O garoto socou a cabeça no gelo e desmaiou na hora. As pessoas se reuniram assustadas ao redor de Johnny, sem saber o que fazer. O menino ficou desacordado e delirante por quinze minutos.

Quando Johnny acordou, havia um inchaço enorme em sua testa. Contudo, ele se levantou como se nada tivesse acontecido e continuou brincando. Mais tarde, no jantar, a mãe ficou assustada ao vê-lo tão inchado. Ele contou que havia caído, mas não mencionou o desmaio, e por isso, não foi levado ao médico.

O autor nos apresenta agora outro personagem importante para a história, Greg Stillson, um caipira loiro e parrudo de 22 anos que trabalhava como caixeiro-viajante em uma editora. Greg visitava fazendas na região do Maine para vender Bíblias (eis uma das muitas ironias nesta obra).

Em uma das viajens, Greg parou em um sítio e desceu para oferecer seu produto, mas foi impedido por um cão de guarda enorme, que avançou rosnando quando ele abriu a porta do veículo.

O autor também contará uma lembrança de quando Greg bateu em uma namorada (sem motivo).

Vinte anos se passaram, e Johnny Smith está formado e dando aulas em um colégio no estado do Maine. Ele está feliz e namorando uma professora chamada Sara.

Em um dia de folga da escola, Sara e Johnny saíram para namorar. O local do encontro foi uma quermesse. Estava sendo uma noite mágica para Johnny. No final do passeio, ele resolveu apostar na roleta o único dólar que lhe restava. Ele usou seus dons premonitórios para acertar os números sorteados. Naquela noite, saiu vitorioso da festa, ganhando mais de 500 dólares.

Enquanto Johnny jogava, Sara passava mal, por conta de um cachorro-quente estragado. Johnny e Sarah decidiram voltar mais cedo. Johnny deixou Sara na casa dela e chamou um táxi.

No táxi, as premonições voltaram a assolar Johnny, ele se lembrou da frase da mãe: “dinheiro fácil, má sorte”. Além do táxi de Johnny, haviam dois carros na rodovia. Mais os ocupantes dos outros veículos não estavam indo para casa dormir, eles estavam disputando um racha — e na contramão. Entre os motoristas estavam um dos alunos de Johnny.

O táxi onde Johnny estava bateu de frente com o carro do aluno. Ele foi arremessado para fora do veículo, bateu a cabeça e entrou em coma, e segundo os médicos, não havia previsão dele acordar…

O médico disse à família de Johnny que ele poderia acordar no dia seguinte ou depois de vinte anos.

Contexto da 2° Parte

Nesta segunda parte, vamos debater “fake news”, fundamentalismo religioso e a importância do SUS. Apresento este vídeo:

E retomo à história de Johnny Smith:

Nos dois anos seguintes, Sara visitava Johnny toda semana, mas perdera as esperanças de o namorado sair do coma.

Sara decidiu viver a sua vida, e, após dois anos de espera, conheceu outro homem.

Cinco anos após o acidente, Johnny Smith acordou do coma. Ele não se lembrava de nada e acreditava que ainda estava vivendo no ano de 1970. Tentou se levantar, mas não conseguia se mexer, devido aos nervos que atrofiaram durante o tempo em que permaneceu em estado vegetativo.

Johnny Smith passará por várias cirurgias para realocação de seus nervos e, após o período de recuperação, iniciará as sessões de fisioterapia.

Sua mãe, nesse tempo, tornou-se uma fundamentalista religiosa e radicalizou-se tanto que, certa vez, tentou vender todos os móveis da sua casa para entregar o dinheiro para um líder religioso.

Nesta parte, estabeleço um paralelo entre o medo da morte que a mãe de Johnny Smith sentiu quando o filho entrou em coma – tornando-a vulnerável a manipulações de líderes religiosos – com o enredo de ‘As Intermitências da Morte’, trama em que as pessoas simplesmente pararam de morrer em Portugal.

É interessante observar que no realismo fantástico de Saramago, o fim das mortes levou ao esvaziamento das igrejas, enquanto em ‘A Zona Morta’, o sofrimento sugere que há um aumento no número de fiéis.

Essa conexão entre as duas situações ressalta como o medo da morte pode influenciar não apenas crenças individuais, mas também as estruturas sociais e institucionais.

Eu aproveito o contexto de “fake news” para mencionar outro evento histórico marcado pelas notícias falsas, muito antes de existirem redes sociais: “O Grande Desapontamento”. Ótima oportunidade para fazer os alunos refletirem sobre fundamentalismo religioso – mas é claro, com todo o respeito, e de forma abstrata.

O Grande Desapontamento foi um evento religioso ocorrido em 22 de outubro de 1844, quando religiosos norte-americanos esperavam o retorno de Jesus Cristo, inspirados em profecias bíblicas.

Muitos seguidores de William Miller abandonaram suas casas e empregos para se prepararem para a segunda vinda de Cristo, que eles acreditavam que ocorreria em 22 de outubro de 1844. Quando a profecia não se concretizou, muitos ficaram desiludidos e desanimados.

PS: Na história, após ser influenciada por um líder religioso, a personagem Vera Smith acreditou que o fim do mundo estava próximo, e para ir para céu deveria se desfazer dos bens materiais.

Eu também uso o exemplo mais recente de “fake news”: A desinformação sobre a mutação das vacinas da COVID-19 foi (e é, por incrível que pareça), uma notícia falsa amplamente compartilhada nas redes sociais.

Não há evidências de que as vacinas causem mutações, ou que sejam ineficazes. Na verdade, as vacinas têm sido uma das melhores ferramentas para combater a pandemia e reduzir a disseminação do vírus. Os boatos mais bizarros foram:

1A vacina contra a COVID-19 tem chip líquido e inteligência artificial para controle populacional
2As vacinas contra a COVID-19 contêm células de fetos abortados.
3As vacinas contra a COVID-19 causam infertilidade.

Eu retomo a estória:

Quando Johnny acordou do coma após cinco anos, espantou-se com como as coisas haviam mudado. O corte de cabelo do médico estava diferente, para não dizer ridículo, e um tal de Nixon havia se tornado Presidente dos Estados Unidos – e renunciado após o escândalo de Watergate; tinha também a caneta esferográfica, um modelo que não existia antes do acidente.

Mas o que deprimiu Johnny foi descobrir que Sara, sua namorada, havia se casado e concebido um filho de outro homem.

Quando Johnny acordou do estado vegetativo e tocou no ombro da enfermeira, ele entrou em transe, e teve uma premonição. Mas desta vez não foi uma percepção insípida, parecida com aquelas que afloraram após o queda no lago congelado.

Desta vez ele sentiu como se tivesse fazendo o download de todas as aflições e memórias de curto prazo da enfermeira. Nesta parte descobrimos que os dons premonitórios de Jhonny Smith se amplificaram.

Ao tocá-la, Johnny viu o filho da enfermeira acordando após uma cirurgia de sucesso. Ele disse a ela: “vai dar tudo certo na cirurgia!” A mulher olhou para ele sem entender, mas depois da cirurgia, ela ficou com medo do paciente necromante.

Johnny não sabia como ele sabia dessas coisas. Parecia que os dons de Johnny se tornaram mais profícuos após o acidente. As pequenas premonições se transformaram em verdadeiras leituras da persona das pessoas.

Em outra ocasião, dois médicos foram pessoalmente diagnosticar Johnny. Durante a visita, um médico tocou na mão de Johnny, fazendo-o ter outra premonição. Johnny entrou em transe e pediu a carteira do médico.

Johnny encontrou uma foto da mãe do Dr. Weizak, e quando a tocou, disse ao Dr. Weizak, com os olhos brancos, que a mãe dele ainda estava viva; que não morrera na Segunda Guerra. Contou que ela havia dado o filho (ele) para adoção por não ter condições de criá-lo; e anos depois, havia se casado e fugido para os EUA.

Johnny também revelou o novo nome de casada da mãe do Dr. Weizak e a cidade onde ela estava morando. A partir desse evento, o médico se tornou amigo de Johnny.

A história da premonição de Johnny se espalhou pelo hospital, e chegou nos ouvidos de um repórter sensacionalista.

Qual será o destino de Johnny? Ele aproveitará essa fama para ganhar muito dinheiro? Ou vai querer distância das pessoas?

Termino a segunda parte questionando os aluno: ‘Johnny Smith usará o novo dom que adquiriu para ganhar dinheiro?’

Terceira Parte

Sarah foi visitar Johnny, e ficou um clima estranho entre os dois. Sarah disse que não podia esperar Johnny acordar, e ele entendeu. Ao se despedirem, Sarah deu um beijo no rosto do ex-namorado. Ao tocá-lo, Johnny teve outra experiência premonitória.

Quando Sarah chegou no hospital, estava preocupada, pois havia perdido um anel que o marido havia lhe presenteado. Ao tocá-la, Johnny acessou uma lembrança da viagem de Sarah e revelou a ela a localização exata do anel. Sarah ficou assustada com a revelação e, quando chegou em casa, encontrou o objeto no local indicado por Johnny.

Nos meses seguintes, Johnny passará por várias cirurgias e, após a recuperação, iniciará sua reabilitação. Após algumas semanas de tratamento, Johnny já conseguirá caminhar sozinho, mesmo que por alguns minutos.

Em uma tarde, quando estava no centro de reabilitação realizando exercícios de alongamentos com Eileen, a fisioterapeuta, Johnny teve outro insight. Na premonição, Johnny via a casa da fisioterapeuta pegando fogo.

Johnny contou a visão que teve à fisioterapeuta, mas ela não acreditou na história, Johnny decidiu ele mesmo avisar os bombeiros. Enquanto fazia a ligação na recepção do hospital, as enfermeiras, que sabiam dos feitos paranormais, assistiam à cena assustadas. Johnny avisou aos bombeiros sobre o desastre e voltou para o quarto.

Na recepção, Eileen ligou para uma uma vizinha, e pediu para ela dar uma olhada na casa, e para espanto de todos, a moradora informou que a casa de Eileen estava em chamas.

A história do incêndio se espalhou feito rastilho de pólvora. No dia seguinte, dezenas de jornalistas estavam na recepção do hospital. Havia câmeras, flashes e jornalistas entrevistando os médicos e enfermeiros.

Johnny foi convencido pelo seu médico, o Dr. Weyzak, a descer e conversar com os repórteres, pois se os ignorasse, eles o perseguiriam para sempre.

Um dos repórteres, em um tom de deboche, pediu que Johnny demonstrasse publicamente os seus feitos paranormais, e deu a ele um medalhão. Johnny não gostou da brincadeira e aceitou o desafio.

Quando ele apertou o objeto, entrou em transe e revelou na frente de todos os jornalistas e funcionários do hospital uma história íntima e constrangedora da irmã do jornalista, a antiga dona do medalhão. O jornalista debochado saiu correndo do hospital, chorando e envergonhado.

Johnny Smith voltou para o seu quarto e recebeu uma ligação. Seu pai deu-lhe uma triste notícia: Vera Smith havia sofrido um derrame, e a sua vida estava por um fio.

O doutor Weizak, que a essa altura já era amigo de Johnny, levou-o até o hospital onde a mãe estava internada. Vera teve o derrame enquanto assistia à entrevista. Johnny se culparia eternamente pela morte dela.

Sobre Vera

Quando entrou no leito do hospital, onde a mãe estava internada, uma enxurrada de lembranças de infância acometera Johnny Smith. Ele se recordou de quando foi picado por uma abelha e a mãe beijou a sua ferida; lembrou de quando a mãe, o pai e ele jogavam cartas apostando palitos de fósforo – e mais tarde, quando a mãe se tornou uma fundamentalista religiosa e jogou fora todos os jogos – que segundo ela, eram demoníacos – não sobrando nem os jogos de memória.

Após o acidente, a mãe de Johnny se radicalizou. Ela se correspondia com revistas fundamentalistas que pregavam o “apocalipse próximo”. Certa vez o marido descobriu que ela havia vendido todos os móveis para dar o dinheiro para um líder religioso da Califórnia. Vera acreditava nas mais absurdas teorias do fim do mundo.

Algumas dessas teorias prediziam que os anjos viriam numa nave espacial buscar os eleitos, ou que o paraíso ficava no centro da terra, e para ter acesso a esse etéreo, deveriam dar o seu dinheiro para o líder religioso.

Por que Stephen King é um gênio? Ele escreveu sobre um movimento religioso extremista que aconteceu e acontece nos EUA (e hoje ocorre no Brasil). King é bom porque é sempre moderno.

Um mês após a morte da mãe, Johnny recebeu alta do hospital e voltou a morar no sítio com o pai. Todos os dias Johnny fazia caminhadas longas até o correio.

Com o passar dos dias, o seu corpo foi criando resistência, e Johnny começou a ajudar o pai a cortar lenha. E assim Johnny seguia a sua vida simples no campo.

A única proposta que Johnny aceitou foi a de escrever uma autobiografia.

Nesta parte, discuto com os alunos o problema financeiro do personagem, que devia ao hospital os cinco anos que havia ficado internado; dívida esta que era de mais de 500 mil dólares. Utilizo esse gancho para falar do SUS e compará-lo com o sistema de saúde americano.

Também pergunto se algum aluno já assistiu ao seriado “Breaking Bad”, faço um resumo rápido e digo (hipoteticamente) que se Walter White tivesse nascido no Brasil, ele não teria se tornado um traficante de drogas, porque aqui temos o SUS. Mostro gráficos e tabelas, comparando os valores de tratamento nos dois países.

1Discussão com os alunos sobre o problema financeiro do personagem, que devia ao hospital os cinco anos de internação, totalizando uma dívida de mais de 500 mil dólares. Utilização deste exemplo para abordar o Sistema Único de Saúde (SUS) e compará-lo com o sistema de saúde americano.
2Questionamento aos alunos sobre se algum deles já assistiu ao seriado “Breaking Bad”, seguido de um breve resumo da trama. Apresentação de uma hipótese em que se Walter White tivesse nascido no Brasil, ele não teria se tornado um traficante de drogas, devido à existência do SUS. Exibição de gráficos e tabelas comparativas dos custos de tratamento nos dois países.

Quarta Parte

No coreto da praça, Johnny entrou em transe ao tocar nos objetos que o assassino havia manuseado e descobriu o autor dos crimes: um policial parceiro do xerife. Johnny e o xerife se retiraram da cena do crime e foram até a casa do policial suspeito.

A mãe do policial atendeu, e os dois entraram para conversar com ele. O policial suspeito não se encontrava no quarto; porém, quando Johnny e o xerife entraram no banheiro, ficaram assustados com a cena grotesca que viram: o assassino havia se enforcado. Em sua testa, havia uma inscrição com batom: “Eu confesso!

Stephen King está aos poucos nos revelando a história de Greg Stilson. Sabemos que ele era um vendedor de bíblias, mas que tinha um comportamento duvidoso quando ninguém o observava. Greg tentará várias profissões, mas, nos dez anos seguintes, não terá êxito em nenhuma delas.

Até mudar-se para uma cidade do interior, onde terá sucesso após publicar um artigo no jornal local propondo uma solução para o problema dos parquímetros, que estavam sendo vandalizados por viciados em drogas.

Ele sugere no artigo a criação de um programa para o tratamento de viciados. Após a implementação da ideia e o sucesso da aplicação, ele obtém a simpatia dos moradores da pequena cidade.

Johnny havia apertado a mão de muitos políticos; no entanto, sentia calafrios só de ver Greg Stilson pela televisão. Ele decidiu que não desperdiçaria o seu dom com um sujeito tóxico. Esqueceu o assunto.

Durante as folgas, Johnny viajava para as cidades próximas e visitava parques e estádios de futebol americano. Naquele final de semana, Johnny viajou até uma cidade vizinha para descansar.

Enquanto ouvia o rádio e refletia sobre a sua vida, acabou desviando do caminho e precisou parar em uma cidade distante para abastecer. Johnny decidiu que ficaria naquela cidade mesmo e aproveitou para comprar comida na loja de conveniência do posto. Depois de lanchar, deu a volta no centro e encontrou um parque.

Encostou-se em uma árvore e fechou os olhos. Após alguns minutos, acordou assustado com o som de uma banda tocando. Johnny viu dezenas de seguranças cercando um sujeito loiro que não reconheceu porque estava longe. Levantou-se e foi até a multidão para tentar ver o rosto da celebridade.

Quando se aproximou, a multidão arrastou Johnny para frente, e ele reconheceu o famoso: Greg Stilson. A multidão continuou empurrando Johnny, até que ele ficou a poucos metros do político. Greg estava cumprimentando os eleitores antes de subir ao palco onde faria o comício.

Quando Greg passou por Johnny, estendeu a mão – e ele não teve outra escolha senão retribuir o gesto. Ao tocá-lo, Johnny teve uma visão catastrófica: Greg Stilson aparecia velho e com o cabelo branco; ele estava com a mão sobre uma bíblia, fazendo juramento de posse na Casa Branca; Johnny, em seguida, teve outra visão, desta vez de explosões atômicas em todos os continentes.

Após a visão, Johnny desmaiou.

Decisões do Presidente Greg Stilson provocariam um conflito militar mundial

Nesta parte, eu mostro o vídeo de Hitler discursando antes de seu partido ascender ao poder e pergunto: “E se você voltasse ao ano de 1934, quando o ditador n@zist4 pregava suas ideias malignas; sabendo que ele mataria milhões de judeus, dezenas de gays, ciganos, deficientes físicos em uma câmara de gás; que faria experiências científicas macabras com seres humanos — ao ser teletransportado para o lado desse monstro, o que você faria?

Eu questiono os alunos sobre qual evento histórico teria inspirado Stephen King, e mostro um GIF com uma cena antes do presidente John Kennedy ser assassinado – e tento fazer uma comparação como o caso do Adelio.

Já houve um caso semelhante na história: A morte de John F. Kennedy, o 35º presidente dos Estados Unidos, ocorreu em 22 de novembro de 1963, em Dallas, Texas. Ele foi assassinado enquanto participava de uma carreata em um veículo aberto.

O presidente foi atingido por disparos enquanto passava pela Dealey Plaza. Kennedy foi declarado morto no Parkland Memorial Hospital pouco tempo depois. O assassinato de JFK gerou uma série de teorias da conspiração e continua sendo um evento histórico amplamente estudado e debatido.

DETALHE IMPORTANTE: Só agora revelei o nome do livro – após três aulas. Lembro os alunos que nesta parte, faltam 100 páginas para o término da estória – e sugiro que descubram o final sozinhos.

Organização das atividadesDescrição
1Organize grupos de dois alunos e dê-lhes cinco minutos para refletirem sobre o que fariam se estivessem na situação de Johnny Smith: matariam Greg Stilson?
2Realize em seguida um “teste de caráter”. Cada aluno escolhe um dos talismãs do poder. O professor questionará a escolha do talismã.

FIM

2 comentários em “Recontando Histórias: A Zona Morta — Sthephen King

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