A publicação que você vai ler é um resumo do livro “Nossa Cidade de São José dos Campos”, de Jairo César de Siqueira, feito em janeiro de 2018. O texto integra o material de pesquisa reunido para um projeto literário iniciado por mim em 2015, voltado ao levantamento e ao registro de manifestações do folclore no Vale do Paraíba.
Sobre o Livro

A obra “Nossa Cidade de São José dos Campos” é a autobiografia de Jairo César de Siqueira, professor e ilustre cidadão joseense.
No livro, o autor também sintetiza a história da formação de São José dos Campos, destacando sua profunda conexão com a fundação da capital paulista.
Entre as contextualizações temporais e lembranças da infância do autor, descobrimos os segredos do folclore de São José dos Campos, exploramos suas essências, admiramos a arquitetura e saboreamos a culinária de outros tempos.
A Fundação de São Paulo de Piratininga e a Relação com São José dos Campos

Martim Afonso de Souza foi o primeiro donatário da Capitania de São Vicente (1533-1564), região que se tornaria a cidade de São Paulo.
Veio para o Brasil com uma tríplice missão: combater os traficantes franceses, penetrar nas terras a procura de metais preciosos e estabelecer núcleos de povoamento no litoral.
Partiu em expedição com João Ramalho (conhecido como pai dos paulistas) e chegaram à aldeia de Piratininga, do Cacique Tibiriçá, onde fundaram a cidade de São Paulo.
Padre Manuel da Nóbrega desembarcou em São Vicente em 1549 e encontrou os portugueses, que haviam deixado suas esposas em Portugal, arranjados com concubinas indígenas.

Ele sentiu que o povoamento precisava de um supervisionamento católico, e ergueu a primeira capela na vila que recebeu o nome de “Santo André da Borda do Campo”.
A transferência do colégio jesuíta para a região de Piratininga, assim como a transferência da aldeia do Rio Comprido (São José dos Campos) para a região do Banhado, teria ocorrido em função dos ataques que as aldeias sofriam de facções indígenas contrárias à colonização portuguesa.
Tanto São Paulo quanto São José da Parayba haviam se deslocado para locais estratégicos, no alto de colinas, com visão privilegiada dos inimigos.
São José dos Campos iniciou o seu povoamento no Rio Comprido, atual limoeiro, e após ataques dos Tamoios.
O Cerco de Piratininga
Após firmar aldeia em São Paulo de Piratininga, portugueses e índios, liderados pelo Cacique Tibiriçá, foram atacados por índios da tribo Guarulhos – batalha chamada de “O Cerco de Piratininga”.

Crônicas da época relataram a brutalidade da guerra: “A confiança na vitória era tão grande que alguns índios inimigos trouxeram alguidares (vasos de barro), para depositar a carne dos derrotados, e cozinhá-las, em uma festança antropofágica (…).“
Segundo os relatos, os índigenas surgiram pintados e emplumados, com grande alarido. Só que não houve o tal churrasco antropofágico que eles sonhavam.
Contudo, os portugueses, com ajuda dos índios liderados por Tibiriçá, saíram vitoriosos.
Depois da derrota os vencidos procuraram outro local para levantar “a Taba (Taba Ete)”, dando origem à cidade de Taubaté.”
José de Anchieta

No século XVI, o litoral do Brasil estava em guerra, e a permanência dos portugueses na costa brasileira representava uma ameaça aos índios Tamoios.
Estes, por sua vez, aliaram-se aos franceses para atacar os colonos portugueses. José de Anchieta e Manoel da Nóbrega intermediaram as negociações de paz, e José de Anchieta aceitou ficar como refém enquanto transcorriam os acordos de trégua.
Foi no cativeiro que Anchieta escreveu na areia o famoso “Poema da Virgem”. Ele havia sofrido um naufrágio à bordo de uma canoa com os índios Tamoios; acordando em uma praia de Ubatuba.
Como não sabia nadar, atribuiu a sua sobrevivência a um milagre. Após o incidente, ele subiu a serra, chegado na fazenda jesuíta dos “Campos ondulados”.
Alguns almanaques antigos afirmam que havia uma fazenda de gado administrada pelos jesuítas na região onde corre o Rio Comprido, ao qual teria sido “ungida” como vila, após José de Anchieta ter arregimentado índios Guaianases, oriundos do conflito chamado “O cerco de Piratininga”. E portanto, Anchieta seria o fundador da aldeia de São José do Sul (São José dos Campos).
| Eventos |
|---|
| A data mais antiga a citar a cidade de São José dos Campos é de 1643. |
| Em 1680, o padre Manuel de Leão administrava a cidade. |
| Jesuítas notáveis que residiam na vila de São José antes do Banhado: |
| Domingos Coelho: Nascido em Portugal em 1645, farmacêutico, cirurgião e mestre de forno de cal. |
| Antônio Fernandes: Nascido em Portugal em 1645, enfermeiro. |
Indícios de que Anchieta Seria o Fundador de São José dos Campos

Segundo o historiador Eugênio Egas, a aldeia que deu origem à cidade de São José teve seu início na região banhada pelo Rio Comprido, sob a liderança do padre jesuíta José de Anchieta. Azevedo Marques também atribuiu a ele o povoamento de São José dos Campos.
De acordo com Frei Gaspar da Madre de Deus, os índios teriam fundado a cidade junto com os jesuítas, após abandonarem Piratininga.
Colonos e jesuítas queriam explorar os índios de acordo com seus próprios interesses, o que resultou na fuga dos indígenas pela Mata Atlântica, até chegarem próximos ao Rio Paraíba em 1564.

José de Anchieta escreveu uma carta a Diego Laynes em 1561, narrando o conflito entre os jesuítas e os Guaianases contra os Tamoios.
Na época, paulistas e jesuítas viviam em constante conflito por causa da mão de obra indígena, que era muito útil na agricultura e na criação de gado.
As terras representavam poder e riqueza, e os jesuítas controlavam a maior parte delas, além da mão de obra indígena, no Brasil colonial.
Havia também um conflito na região do Vale do Paraíba em 1561, e um grupo liderado por Jorge Moreira (capitão da companhia) lutou contra os índios Tamoios.
José de Anchieta teria sido o escriba desse grupo, enviando relatórios para Portugal, destinados à Rainha Dona Catarina.”
Outro registro de Anchieta na região seria na biografia de Jorge Moreira “Vila de S. Paulo contra os Tamoios do Paraíba”, onde o jesuíta aparece como intérprete.
Guaianases: Povoadores de São José

As índias Guaianases eram as mais bonitas do ramo Tupi-Guarani. Era contumaz naquele tempo os sequestros de índias. Elas eram laçadas e tomadas como esposas ou concubinas por portugueses ou índios de tribos rivais. Sendo esse um dos motivos para os jesuítas terem deslocado a aldeia para a colina do Banhado — a fim de ter visão estratégica do inimigo; e evitar ataques.
Os Povos Desta Terra
Os índios brasileiros eram mais versados em farmácia do que os médicos mais renomados da Europa. Os médicos europeus estavam mais para ‘curandeiros. Era comum na Europa fazer sangrias, ou receitar “chás de chifres de unicórnios, bezoar, bosta de cavalo e raspa de ouro branco.
Os índios, por sua vez, tinham na mata a sua farmácia de manipulação. Com uma raiz aqui, uma folha ali, faziam remédios infalíveis.

Os índios Guaianases eram pacíficos e apegados à família. Porém, não gostavam de trabalhar e eram alcoólatras. Gastavam o pouco dinheiro que tinham com a bebida; deixando a mulher e os filhos “sem ter o que ir na missa”.
- Nos primórdios da aldeia de São José da Paraíba do Sul, foi descoberto ouro em um lugar chamado “Tanque dos índios”.

É citado no “Ato de Ereção da Vila de São José da Paraíba” os limites da nova cidade. Ficavam entre os rios Jaguari e Paraty e o rio “Capão Grosso, também chamado Parangaba.
- Existe hoje um bairro chamado Capão Grosso, no limite de São José com Caçapava, e o bairro Pararangaba, perto da Via Dutra.
Na época de Jairo César de Siqueira
São José dos Campos, na década de 1920, vivia uma modorra; nem mesmo os pássaros ousavam fazer barulho. Somente aos domingos, com a chegada do povo da roça, é que havia movimentação.

Os roceiros vinham para a missa na Igreja Matriz, e após o término, partiam rumo aos armazéns e empórios na rua da direita (15 de Novembro), rua do Fogo (calçadão) e rua do Matadouro (Siqueira Campos), abastecer-se de toda a sorte de itens; tal como facas sorocabanas, carne-seca, enxadas, etc.
Era costume na época o “martelo de pinga”, onde o chefe da família tomava um gole de pinga, seguido dos filhos, para “espantar as bichas”. As crianças, é claro, tomavam a sua dose com um pouco de groselha.
Tradições Católicas

O Catolicismo Romano tem sido a principal religião do Brasil desde o século XVI. De um aldeamento indígena liderado por padres da Companhia de Jesus, a cidade de São José dos Campos cresceu e se desenvolveu seguindo os valores católicos.
Eis alguns costumes documentados por Jairo César de Siqueira:
- Noite das Trevas
Era uma solenidade que precedia a Procissão do Enterro. Começava com uma missa na Igreja Matriz. No final do culto, todas as luzes eram apagadas, exceto pelo copo de óleo no altar do Santíssimo Sacramento. Fazia-se silêncio e todos começavam a bater os pés no chão para afugentar o diabo.
- Procissão do Enterro

Dois grupos saiam em cortejo e se encontram no final. O primeiro saía da Matriz e levava uma imagem de Jesus crucificado, vestindo uma túnica roxa. O segundo partia da Igreja de São Benedito com uma imagem de Nossa Senhora, também com uma túnica roxa.

A procissão acontecia de noite e cada um dos presentes recebia uma tocha, que era acesa durante o trajeto. Não havia tinir de sino, buzina de trem, todos ficavam em silêncio. Somente o som matracas dos coroinhas era permitido.
A imagem do corpo de Cristo (de cerca de 1 metro) era levada em um caixão de vidro. Uma infanta soprano vinha na retaguarda cantando hino em latim. Enquanto cantava, uma toalha com a imagem de Cristo sangrando ia sendo desenrolada.
Segundo Jairo César, o encontro dos dois grupos era emocionante, pois simbolizava o encontro de Maria com o filho; seguindo o caminho do Calvário.
- Procissão do Fogaréu
Acontecia na Semana Santa. Era uma procissão noturna, sem tocha, sem música e não era levado nenhuma imagem.

– Noite do Lavapés
Na semana santa havia uma missa e no final Jesus Eucarístico era retirado do tabernáculo e levado para local um apropriado, onde os fiéis realizam a Adoração até o dia seguinte.

– Carpições
Acontecia no bairro de Santana e durava três dias, com missas e quemeces. No último dia havia uma solenidade religiosa final, onde cortavam o pedaço de um morro —, daí o nome.
Esse morro cortado (era escolhido a terra mais macia) era transportado em lenços e toalhas pelos fiéis. Segundo a crença, quem tocasse esse lenço nas partes enfermas alcançava a cura. Essa festa perdeu-se com o tempo, infelizmente…

Fatos sobre São José

— A Praça Cônego Lima recebeu esse nome em homenagem a um vigário que ali residiu. O local era um charco onde ficava a Igreja do Rosário — Igreja que fora demolida em 1792. Em 1892, a praça foi revitalizada e árvores foram plantadas.
— Bichos-preguiças foram introduzidas, a fim de evitar os incidentes com pássaros evacuando na cabeça dos munícipes —, eles comiam os ovos. O lugar passou a ser chamado “Jardim da preguiça”.
| Fatos |
|---|
| O criador do escotismo universal, Baden Powell, certa vez esteve em São José e elogiou o escotismo na cidade, que na época era comandado pelo sargento do exército Deodato Ramos. |
| José Miragaia, pai de Euclides Miragaia (MMDC), herói da Revolução Constitucionalista de 1932, foi o primeiro presidente da Associação Esportiva S. José, em 1932. Dorival Monteiro de Oliveira também participou da ata de fundação do clube. |
| O grupo escolar Olímpio Catão era reconhecido como escola modelo no estado de São Paulo. Periodicamente, recebia visitas de escritores famosos e delegados de ensino para fazer relatórios de como o ensino deveria ser em outras cidades. |

| Fatos |
|---|
| Taubaté era a capital administrativa do Vale do Paraíba e a cidade mais próxima a ter uma agência bancária. Os joseenses não se davam muito bem com os taubateanos e, como não havia agências bancárias em São José, optavam por cidades como Guaratinguetá e Mogi das Cruzes para depositar seu dinheiro. |
| No começo do século XX, havia dois Tiros de Guerra em São José dos Campos: o de número 545, que era alinhado com o partido do governo, e o de número 183, que pertencia à oposição (Partido Libertador). |
| O escritor Paulo Setúbal veio se tratar de uma tuberculose em São José dos Campos. |
| O primeiro coletivo a circular em São José foi de propriedade de João Cristo, dono de uma máquina de beneficiar café instalada na Rua Rubião Júnior. O coletivo foi apelidado jocosamente de “Mamãe me leva”. |

| Informação | Detalhes |
|---|---|
| Entrudo | Era o nome do carnaval em São José. |
| João Cursino | Foi prefeito de São José dos Campos em 1906-1910, 1913-1916, 1919-1930, totalizando 17 anos de gestão. |
| Palmira Santana | Foi professora do Grupo Escolar Olímpio Catão. |
| Adélia Prado | Supostamente foi professora do Grupo Escolar Olímpio Catão. |
| Grupo Escolar Olímpio Catão em 1919 | Aplicou o novo modelo de ensino de São Paulo antes de ser adotado pelo estado. |
| Praça Cônego Lima | Antes de ter a Igreja do Rosário, era um antigo cemitério na época dos jesuítas. |
| Década de 1920 | São José dos Campos era considerada tão provinciana e atrasada que moradores de Paraibuna sentiam falta do movimento de sua terra natal devido à tranquilidade da cidade. |

| Informação | Detalhes |
|---|---|
| Autor Ricardo Gonçalves | Se tratou em São José dos Campos. |
| Inauguração da luz elétrica | Ocorreu em 1º de janeiro de 1910 em São José. |
| Nomes populares na década de 20 | Elpídio, Joppe, Possidônio, Porfírio, Hermengarda e Mariquinha. |
| Maestro Francisco Gaia | Compositor da primeira valsa “Aquele amor foi um sonho”. |

| Informação | Detalhes |
|---|---|
| Participação na Guerra do Paraguai | Cidadãos joseenses estiveram na Guerra do Paraguai. |
| Revolução Constitucionalista de 1932 | Integraram a Revolução, e o soldado joseense Euclides Miragaia (MMDC) foi morto. |
| Participação na 1ª Guerra Mundial | Estiveram em Verdem, Somme, Ardemes, trincheiras de túnel, Vila Queimada, Itararé, Buri, Monte Castelo, Monte Cassino e Montese. |
| Corrida de touros | Havia corrida de touros no largo da Igreja de São Benedito até a metade do século 20, hoje Praça Afonso Pena. |
| Coronel João Alves da Silva Cursino | Prefeito em 1930, foi expulso da cidade durante o Estado Novo. |
| Fase sanatorial de SJC | Doentes não podiam cuspir ou escarrar nas ruas e praças públicas e usavam uma “escarradeira de bolso.” |
| Peixe ‘dourado’ | Inserido no Rio Paraíba no início do século 20, acabou com as espécies nativas. |
| Habitantes das margens do Rio Paraíba | Chamados de Piraquara. |
| Caça de cobras | Realizava-se no local conhecido como “Campo dos Alemães.” |
O Terremoto em São José

Segundo Jairo César de Siqueira em seu livro, houve um terremoto em São José na Década de 1920. Aconteceu por volta das três da manhã, em um mês de abril.
Naquela madrugada os moradores do centro foram acordados com as camas balançando “feito um berço”.
Todos se juntavam nas calçadas ou no jardim do Mercadão para comentar o “abalo sísmico”. Segundo Jairo César de Siqueira, havia ocorrido um tremor em São José no século XIX, que, assim como o da década de 20, derrubou milhares de árvores.
A Rua do Fogo
As ruas de São José tinham nomes diferentes. A Rua 15 de Novembro era chamada de “Rua da Direita”
- Rua da Direita no Brasil era a rua da igreja, a rua de Deus — A “Diritta Via”, de que falava Dante. (Altino Bondensan)
A Av. São José, que passa pelo Banhado, era a Rua “detrás”. O Calçadão era a lendária “Rua do Fogo”(uma rua estreita que lembrava a colonização portuguesa).

A Rua do Fogo tem muitas histórias. Uma delas é a história do próprio nome. São três as teorias:
1 – Na ocasião da Libertação dos Escravos, em 1888, fizeram uma grande festa na senzala que ficava na Rua do Fogo. Um fazendeiro que era a favor da causa, presenteou os escravos libertos com vários toneis de bebidas. A algazarra ao redor da fogueira teria provocado um acidente, espalhando o fogo pela rua.
2 – Outra versão é a de que havia naquela rua um fabricante de fogos de artifício, que havia se descuidado.
3 – A terceira teoria é a de que ali moravam “mulheres de vida fácil”, e por isso “rua do fogo”.

A Falha Atmosférica em São José
Em 1929, foi descoberta uma falha atmosférica em São José. A falha permitia o estudo dos fenômenos cósmicos a uma distância menor da Terra, fato que não é possível em nenhuma outra região do mundo. Em 1944, o governo fundou em São José o CTA.
O Mercadão Antigamente

A Rua Siqueira Campos era conhecida como a Rua do Mercado. Havia no final dessa via um matadouro. Nos dias de abate era comum touros bravos atravessarem a rua bufando e levantando poeira.
Os boiadeiros avisavam com antecedência os moradores, e as crianças ficam esperando para ver o espetáculo. Na década de 30 a rua foi batizada de Siqueira Campos, em homenagem ao militar que participou do movimento Tenentista, pela a derrubada da República Velha.
Gastronomia Joseense do Começo do Século XX
A lista abaixo não é uma mera tabela de guloseimas de festa junina. Muitos doces/salgados eram vendidos em qualquer época do ano nas ruas do Centro de São José dos Campos. Eram trazidos em bicicletas, carrinhos de mão, carroças, por fazendeiros de Santana ou de São Francisco Xavier. Aos domingos, os doces ‘tinham bastante aceitação’ no mercadão. Eram eles:
1 -Paçoca em canudos de papel 2 – Pinhão cozido ao leite 3 – Amendoim torrado 4 -Pasteis 5 – Mandioca com melado 6 – Pamonhas 7 – Pirulito de açúcar queimado 8 – garapa 9 – Rapadura 10 – Pé-de-moleque

11 – Queijadinha 12 – bolo de fubá mimoso 13 – Içás torradas (Tradição dos Guaianases) – 14 – Doce sabido 15 -Leite de cabra com vinho do porto 16 – TINGUE-LIN (Casquinha adocicada em forma de canudo).

- O Mercadão no começo do século tinha metade do tamanho atual. Na outra metade havia um jardim chamado “Jardim Nossa Senhora, onde havia um coreto.
- Na passagem do século (1899-1900), os festejos oficiais de São José ocorreram no jardim do Mercadão, com músicas e fogos de artifício. Segundo Jairo César de Siqueira, a maioria dos joseenses passou a virada na Igreja Matriz, ou São Benedito, esperando o “fim do mundo”; entoando ladainhas e novenas; ajoelhados. Nunca imaginariam que um século depois esse jardim não mais existiria e a maior preocupação no ano de 1999 seria o “Bug do Milênio”.
Sobre o Autor

Jairo César de Siqueira.
Filho de Afonso de Siqueira e de Dona Escolástica César de Siqueira, nasceu em 31 de agosto de 1908, na cidade de São José dos Campos, na Rua Sete de Setembro, número vinte, conhecida na época como “Rua do Fogo”.
Ele iniciou seus estudos no Grupo Escolar Olímpio Catão e foi seminarista episcopal em Taubaté.
Jairo César dedicou-se ao estudo de contabilidade e farmácia, e posteriormente atuou como funcionário público no Tesouro do Estado.
Além disso, foi colunista do jornal Correio Joseense, onde escreveu artigos sobre a cidade de São José dos Campos.
Jairo César recebeu o título de comendador e exerceu a profissão de professor na Faculdade de Filosofia de São José dos Campos. Destacou-se ainda como titular da cadeira de número doze na Academia Joseense de Letras. Foi agraciado com as medalhas Primavera “MMDC” e “Cassiano Ricardo”.
PS: Algumas imagens são ilustrativas
| Fase / Elemento | Descrição e Impacto Histórico |
| Primórdios e Fundação | A cidade nasceu da Aldeia de São José (índios Guaianases). O texto destaca a influência dos Jesuítas e o conflito de autonomia com Jacareí. |
| Ciclo do Café e Gado | Antes da tecnologia, SJC era uma vila agrícola. A elite cafeeira do Vale do Paraíba moldou a primeira arquitetura do centro da cidade. |
| Fase Sanatorial | O grande diferencial histórico: o clima “abençoado” atraiu tuberculosos do país todo. Surgem os grandes sanatórios (Vicentina Aranha, Ezra). |
| Arquitetura e Urbanismo | A transição das casas de taipa para os casarões ecléticos. O texto ressalta como o centro se modernizou para atender à “elite da cura”. |
| A Chegada do ITA/CTA | O divisor de águas que transformou a “Cidade da Cura” na “Cidade da Tecnologia”, trazendo engenheiros e mudando o perfil socioeconômico. |
| Personalidades Locais | A resenha menciona figuras como Cassiano Ricardo e o próprio Agê Júnior como guardiões da memória e da identidade joseense. |
| O “Banhado” | Citado como o maior patrimônio ambiental e cênico, sendo a marca registrada que define o horizonte e a geografia da cidade. |
FIM
Meu nome é Gilberto Gonçalves de Oliveira, tenho 67 anos e sou filho da terra, meus ancestrais do lado de meu pai foram portugueses e nativos, onde acreditamos que eles viveram vários séculos em nossa região, provavelmente desde século 17. Nós dias de hoje (2026) devemos ter no máximo 10 por cento de nossa população com tradições de noss terra. Assim se paga pela prosperidade.
Concordo. Aconteceu o mesmo com São Paulo. A cidade cresceu exponencialmente, tornou-se cosmopolita e o preço pago foi o esquecimento de sua cultura, tradições e folclore antigo.