Eis as lendas que ficaram de fora.
1-O Homem Infinito
Homem Infinito, também conhecido como Peregrino ou Ventania, é um andarilho que habita as ruas de São José dos Campos e, segundo dizem, domina o dom da bilocação.

Os rumores afirmam que ele pode estar em lugares distintos e, ao mesmo tempo. Outra teoria é que o Homem Infinito seria capaz de se conjurar em um doppelganger, uma espécie de duplo etéreo, ou gênio do mal, que apareceria para avisar o sósia ou familiares sobre tragédias próximas.
Nota: Bilocação é o dom de estar em dois lugares ao mesmo tempo; já doppelgänger é quando aparece um sósia idêntico ou duplo espiritual da pessoa, que geralmente traz uma má notícia.
A lenda do homem infinito remonta aos anos 80 e teria surgido em São José dos Campos, na mesma época em que o evento muito divulgado na época por jornais e até pelo Fantástico, conhecido como “Noite Oficial dos Óvnis”, ocorreu na cidade.
Dizem que o rumor se espalhou durante a sexta do álcool, um encontro organizado por adolescentes que curtiam bandas de emocore.
Nota: Em 19 de maio de 1986, 21 OVNIs foram detectados por radares e avistados em São José dos Campos e outras cidades, levando a FAB a acionar cinco caças para perseguição. O evento é histórico por ter sido confirmado oficialmente em coletiva de imprensa pelo então Ministro da Aeronáutica, Octávio Moreira Lima. Os objetos demonstraram tecnologia superior, com velocidades incríveis e manobras impossíveis, sem uma explicação física definitiva até hoje.

Outro local de disseminação da lenda seria o Motocafé, um bar com decoração temática de moto, visitado por antigos frequentadores da sexta do álcool.
O Homem Infinito teria a mesma aparência desde a década de 80, visto com uma camisa branca, pochete na cintura e nos olhos um par de óculos.
Ele viveria como um eremita, e a sua subsistência se daria através do préstimo de pequenos serviços, cobrando preços módicos.
Apesar de seu contexto paupérrimo, homem infinito é uma pessoa honesta, e está sempre protegendo as alamedas de assaltos mirins.
Outro mistério que envolve o andarilho, é a sua participação em reuniões ufológicas, bem como o seu encontro com um ‘intraterreno”. Alguns relatos sensacionalistas afirmam que ele é o padrinho Amadeu, influente líder religioso do Vale do Paraíba.

Nota: A lenda do intraterreno refere-se à crença de que seres de civilizações avançadas (como a de Agartha) vivem em cidades no interior da Terra. Essas cidades possuiriam entradas escondidas em montanhas como a Serra da Mantiqueira, em São Francisco Xavier. Esses seres geralmente são descritos como guardiões espirituais ou evoluídos que utilizariam túneis subterrâneos para se locomover e observar a humanidade. No Vale do Paraíba, o misticismo local conecta essa lenda à alta frequência de avistamentos de OVNIs, sugerindo que as luzes no céu seriam naves saindo dessas bases internas.
Na Cultura Popular
O homem infinito foi homenageado pela banda ‘Folclore Joseense Desbocado’. Uma única frase foi atribuída a ele: “Eu conheço as loucuras do mundo”.
| Nome | Homem Infinito |
| Outros nomes | Peregrino, Ventania |
| Origem da lenda | São José dos Campos, Século XX |
| Aparência | Mesmo aspecto desde a década de 1980; camisa branca, pochete na cintura, óculos nos olhos |
| Contexto de vida | Andarilho, eremita, subsiste de pequenos serviços com preços módicos |
| Características principais | Honesto, protetor das alamedas contra assaltos mirins |
| Poderes atribuídos | – Bilocação (estar em dois lugares ao mesmo tempo)- Conjurar um doppelganger ou “gênio do mal” que anuncia tragédias |
| Locais de difusão da lenda | – Sexta do Álcool (encontro de jovens que ouviam emocore)- Motocafé (bar temático de moto frequentado por antigos participantes da Sexta do Álcool) |
| Outros mistérios | Participação em reuniões ufológicas, encontro com um intraterreno, rumores de ser o líder religioso “padrinho Amadeu” |
| Frase atribuída | “Eu conheço as loucuras do mundo” |
| Homenagem cultural | Banda Folclore Joseense Desbocado fez uma homenagem ao personagem |
2– A Lenda do Corpo Seco

Em Santana, ao lado do cemitério Maria Peregrina, foi enterrado o corpo do rapaz que se tornaria o corpo seco.
Quando em vida, os vizinhos diziam vê-lo agredir a mãe; e relatos posteriores afirmam que ele colocava a sela de cavalo nas costas da progenitora e batia com o chicote.
Contam que, em um péssimo dia, porque bons dias não havia naquela casa, esse rapaz amanheceu duro na cama. A mãe preparou o velório, mas ninguém apareceu.
Depois de três meses enterrado, porém, os braços do cadáver apontaram para fora da terra tal como uma raiz distorcida. Contudo, o corpo estava seco, só havia osso e couro.
O coveiro na época pediu para um bêbado chamar os dois párocos de Santana. E então eles rezaram o terço e jogaram água benta no cadáver. Contudo, uma fumaça preta exauriu, com um chiado que lembrava a panela de pressão.
Os padres decidiram então sumir com o corpo. O bêbado se prontificou a desovar o cadáver. Ele levou o saco para a fazenda das irmãs, que hoje é conhecida como Altos de Santana. (Francisco Dimas de Souza)
A segunda versão foi escrita por Rita Elisa Seda:
“Diz a história que pessoa ruim, que pratica muita maldade, com coração cheio de ódio, quando morre, nem céu ou inferno o querem… diz que até a terra rejeita, e assim o sujeito ruim vira Corpo Seco.

Antigamente, no tempo em que as famílias ricas tomavam conta de boa parte da cidade, havia uma família cujo filho era lindo, charmoso e muito envolvente.
O que lhe sobrava em beleza, multiplicava por 100 e vinha em foma de ruindade: maltratava as moças com quem saía, perseguia quem o atrapalhasse, arrumava confusão com todos, há quem diga que até batia na mãe.
Pois bem, aconteceu do tal rapaz iludir mais uma moça, esta engravidou. O pai da moça iludida (responsável por uma das famílias de grande poder na cidade), revoltado com a desonra causada pelo rapaz, exigiu que se casasse com a filha. E é aí que a história começa.
O rapaz se negou, e foi assassinado. Foi enterrado no grandioso jazigo da família, localizado no final do cemitério municipal.

Depois do enterro, todas as noites ouviam-se gritos vindos do fundo cemitério, mas ninguém tinha coragem de investigar se eram mesmos gritos, de onde realmente vinham e muito menos de chegar perto de onde o rapaz foi enterrado.
Foi então que o pai do rapaz ofereceu metade de sua riqueza para que alguém fosse averiguar o que tinha na sepultura do filho, e mudá-lo de lugar.
A família achou melhor levá-lo a uma fazenda antiga que tinham no bairro mais afastado do centro urbano.
Um corajoso aceitou, e foi fazer o serviço. Chegando lá na sepultura, percebeu uma mão pra fora, e assim que se aproximou para ver melhor, um corpo sequíssimo saiu da cova e grudou em suas costas.
Minha gente, a partir do momento que um corpo-seco gruda em alguém, a situação fica bem tensa: tem de se obedecer a tudo que o coisa ruim grudado pede, senão é uma azucrinação só na cabeça.

No momento que o corpo-seco se apossou dele, o corajoso lembrou-se de histórias que a avó contava, e que lhe ensinará como se livrar de um corpo seco.
Primeiro passo era encontrar uma árvore. Sem pestanejar, foi (junto o bicho nas costas, claro) até a fazenda da família, e deu de cara com uma alameda linda de mangueiras.
Escolheu uma, encostou nela, e rezou “Crendospadre” três vezes. Assim que sentiu o alívio de ter se separado do coisa-ruim, saiu em passos silenciosos, sem olhar para trás, para não correr o risco de ser hipnotizado pela assombração e ter que viver com ele nas costas. Passou pela porteira da fazenda e correu para nunca mais voltar.
Até hoje essa fazenda está abandonada, pois dizem ser mal assombrada. Ela fica no distrito de Eugênio de Melo, em São José dos Campos-SP. Existem visitas monitoradas a mangueira do corpo seco, mas todos os registros em vídeo ou foto são apagados misteriosamente.
Algumas poucas pessoas tem fotos da árvore, e por coincidência ou não, elas têm porque foram sozinhas. Talvez o tal corpo seco achasse que seria boa oportunidade de se apropriar de alguém e continuar vagando por aí.”
História contada pelo aluno Arildo. Ele fez o desenho:

Em São José dos Campos, indo para o Galo Branco, existe uma árvore centenária: o pé de jequitibá.
O povo antigo conta que, às três da manhã, é possível ouvir sons tenebrosos vindos dessa árvore.
O pé de jequitibá está localizado na rota dos bandeirantes, onde dezenas de índios Tamoios teriam sido enforcados.
Outro boato é que a árvore foi o ponto de açoitamento de escravos.
Os moradores do Galo Branco dizem que ainda é possível ouvir gemidos, barulhos de correntes, chicotes estalando, madeira quebrando e disparada de cavalos. (Arildo Aparecido)
4 – O Homem Com Pé de Bode do Casablanca

Na década de 90, o diabo teria curtido uma balada na boate Casa Blanca. Segundo rumores, ele chegou em um carro preto e adentrou ao local quando o relógio bateu meia-noite.
Ele bebeu e dançou com várias mulheres. Durante o baile, ele teria pisado no pé de uma jovem.
A jovem quando se abaixou para massagear os dedos, percebeu que os pés do sujeito eram achatados, parecidos com pé de bode.
Segundo os rumores da época (a história virou matéria no SPTV), a moça beijada entrou em coma, a espezinhada ficou paraplégica.
5- O Lobisomem do Tiro de Guerra
Durante um velório na Urbam em São José dos Campos, um uivo e um grito chamaram a atenção de todos os parentes dos defuntos.

Na década de 90 não havia grades de proteção na Urbam, e os funerais eram realizados ao ar livre.
O indivíduo que estivesse voltando da boate Casablanca, conseguiria ver os defuntos no caixão.
Um grupo foi investigar o barulho, e quando atravessou o estacionamento, viram um vulto canino cruzando a calçada.
O enorme lobo farejou o ambiente, ergueu-se sob as duas patas, e uivou. Era noite de lua cheia. Em seguida, pulou as grades do Tiro de Guerra. O soldado sentinela percebeu a movimentação e disparou.
A criatura desapareceu na escuridão.
Essa história é lembrada até hoje na Vila Industrial.
| Lenda | O que aconteceu (Resumo) | O “Veredito” Humorístico |
| O Homem Infinito | Um andarilho de pochete e óculos que está em dois lugares ao mesmo tempo e prevê tragédias. | O único ser humano que consegue estar na fila do banco e no churrasco ao mesmo tempo. O mestre do Wi-Fi espiritual. |
| O Corpo Seco | Um rapaz que batia na mãe e foi rejeitado pela terra, virando um “saquinho de ossos” que gruda nas costas dos outros. | É o “almofadinha” mais indesejado do Vale. Prova que se você não respeitar a sua mãe, nem o além te dá férias. |
| O Pé de Jequitibá | Árvore centenária no caminho do Galo Branco onde se ouve correntes, chicotes e gemidos de madrugada. | A árvore tem mais drama acumulado que novela das nove. Se passar por lá às 3h da manhã, é melhor levar fones de ouvido. |
| O Pé de Bode do Casablanca | Um sujeito bonitão dançou com todo o mundo na balada, mas descobriram que ele tinha cascos no lugar dos pés. | O “Coisa Ruim” queria apenas curtir um flashback nos anos 90, mas esqueceu que sapato de bico fino não disfarça pé de bode. |
| O Lobisomem do Tiro de Guerra | Um bicho canino gigante foi visto perto do cemitério da Vila Industrial e pulou o muro do quartel sob tiros. | O lobisomem joseense é raiz: frequenta o velório da Urbam e ainda tenta se alistar no Exército em noite de lua cheia. |
FIM