A Rodovia Presidente Dutra é uma estrada federal que atravessa o leste de São Paulo e o sudoeste do Rio de Janeiro.
Além de ser um ponto importante na malha viária do Brasil, também foi palco de acidentes envolvendo figuras de destaque, como o presidente JK.
A história que vocês vão ler agora, no entanto, pertence a um homem comum: um caminhoneiro que, em uma viagem de São Paulo a Aparecida, viveu uma experiência misteriosa, algo que talvez nem pertença a este mundo.
Ficha Técnica
| Início / Fim da rodovia | Rio de Janeiro → Marginal Tietê (São Paulo) |
| Extensão | ~402 km |
| Estabelecimento | Inaugurada em 19 de janeiro de 1951 pelo presidente Eurico Gaspar Dutra |
| Construção | Substituiu a antiga estrada Rio-São Paulo (de 1928), aproveitando poucos quilômetros do traçado antigo |
| Importância | Estrutura moderna para a época, usada para escoar o crescimento industrial entre Rio e São Paulo |
O Caminhoneiro do Além

Era o ano de 1998, e o caminhoneiro Dalcides já acumulava 20 anos de estrada.
Ao longo de sua carreira, nunca havia enfrentado problemas que fugissem do campo material; para ele, as madrugadas se resumiam a esquentar a comida, tomar banho no posto e dormir — quando não precisava fazer alguns reparos mecânicos noturnos.
Eventos do plano espiritual, como assobios inexplicáveis ou vozes vindas do acostamento, eram coisas que jamais haviam cruzado o seu caminho.
No dia em que esta história ocoteceu, algo estranho havia ocorrido com o caminhão de Dalcides.

Porém, ele só contaria esse episódio semanas mais tarde a um companheiro de estrada, durante uma parada no posto São Cristóvão, alguns meses depois.
De acordo com o relato narrado, Dalcides transportava naquele dia fatídico uma carga de bolachas e seguia seu trajeto normalmente quando ouviu um barulho estranho vindo da parte traseira do caminhão.
Ele estava no km 143, sentido Vista Verde, e parou no acostamento para verificar o barulho. Mas, quando olhou no retrovisor para verificar o trânsito antes de abrir a porta, viu um homem acenar e gritar do ponto da Pássaro Marrom:
— Bom dia, amigo. Você poderia me dar uma carona? – Dalcides então desceu para conversar com o homem.
— Bom dia! O que aconteceu?

— Bati o caminhão em Jacareí e preciso chegar à sede da transportadora, em Aparecida — respondeu o desconhecido.
— Pode subir, estou indo para lá. Mas você vai precisar dirigir, tudo bem? Estou muito cansado.
— Tudo bem.
Dalcides não hesitou em ajudar o companheiro, pois era costume entre os caminhoneiros socorrer os colegas com problemas no trecho; afinal, um dia poderia ser ele a precisar de ajuda.
O caminhoneiro em apuros sentou-se no banco do motorista e logo deu partida na carreta, enquanto Dalcides se acomodava no banco de trás. O caminhão começou a rodar e o condutor começou a narrar o próprio acidente, mas Dalcides não tardou a adormecer.
Ao acordar na manhã seguinte, no entanto, Dalcides sobressaltou-se ao perceber que estava sozinho, parado com o caminhão no mesmo lugar e com o motor da Scania ainda ligado.
Leia Também: Lendas Urbanas da Via Dutra

Ele também contou aos colegas na mesa que ficou intrigado naquele dia e, desde então, tentou obter respostas para tentar entender o que aconteceu. Porém, como não era homem de superstições, preferiu acreditar que tudo isso poderia ser fruto de sua imaginação ou do excesso de trabalho, e deixou para lá.
O garçom do posto, que também ouviu a conversa, comentou do balcão:
— Você não foi o primeiro. Já ouvi essa história outras vezes…
— Mais alguém já encontrou esse homem? — Perguntou Dalcides curioso.
— Sim, outros caminhoneiros também relataram a mesma história.
— Dizem que é a alma penada de um senhor que bateu o caminhão em um ônibus da Viação Cometa e costuma vagar pela estrada — Concluiu o garçom.
Dalcides terminou sua refeição e retomou a sua viagem.
Porém, a partir daquele dia, sempre que passava por Aparecida, fazia uma prece a Nossa Senhora pedindo proteção contra espíritos errantes.
FIM