Conforme a crença popular, tudo o que é dito repetidamente pode se tornar realidade. E foi isso que ocorreu com Simaria. De tanto repetir a palavra “desgraça”, descobriu que existe uma entidade no mundo espiritual com esse nome e acabou conjurando um demônio sem querer.

Simara era divorciada e infeliz. Para piorar a sua situação, havia sido demitida do trabalho. Desse modo, ela ficou algum tempo recebendo o seguro-desemprego, até uma amiga lhe arranjar um emprego de recepcionista em uma loja em Aparecida.
Mas havia um detalhe importante para este contexto: Ao aceitar a vaga, ela teria que morar sozinha pela primeira vez em um quarto alugado no fundo da casa dessa amiga.
Depois de muita hesitação, contudo, Simara aceitou o desafio. No novo emprego, ela se adaptou bem, porém algo na nova casa a deixava impaciente; todas as noites, ao voltar do trabalho, sentia um clima pesado, como se vivesse um inferno astral diário.
Certa noite, após um pesadelo, Simara acordou sobresaltada com a sensação de que alguém tocava seu ombro e, ao abrir os olhos, percebeu que estava sozinha no quarto trancado.
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— Pronto, estou ficando louca — Repetiu para o seu reflexo no espelho do banheiro enquanto lavava as mãos.
Depois desse acontecimento, Simara resolveu pedir demissão e voltar para sua cidade natal, já que se sentia muito sozinha naquele quarto úmido e mofado.

No dia da mudança, porém, estava tão feliz que nem teve tempo de repetir a “tal palavra”.
No dia da mudança, enquando trancava a porta, ouviu um choro vindo de dentro do quarto. Parecia um gato miando. Simara fez o sinal da cruz ➕, tomou coragem, e resolveu investigar o barulho.
Ao abrir a porta, ela ficou paralisada: uma mulher magra e desdentada, vestindo um trapo velho e sujo, que lembrava Dobby, o elfo de Harry Potter, estava parada no canto da parede, olhando para ela com tristeza.
— Quem é a senhora? Como conseguiu entrar aqui? — Simara questionou a velha que chorava copiosamente.
— Eu sou quem você chama diariamente!
— Hã?! Como assim, eu moro sozinha… — Refutou Simara, desconfiada.
— Notei que hoje você não me chamou para ir com você, nem repetiu o meu nome… — Disse a velha, mudando de assunto.
— Mas que DIABOS é isso? Nunca vi a senhora! — Respondeu Simara com ferocidade.
— Esse nome mesmo que você acabou de professar. Esse é o meu nome popular!
— Mas que nome eu disse, sua velha louca?!
— Diabo! Mas também sou conhecida pelo apelido de “desgraça”.
Simara saiu correndo desesperada, e enquanto corria, rezava o credo:
— Creio em Deus Pai (…)
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Hoje, Simara trabalha no supermercado Nagumo, em São José dos Campos, e está casada. Ela já não usa mais aquela palavra pesada — talvez solte um “merda” de vez em quando. Mas, em algumas noites, ainda ouve alguém se lamentando pelos corredores de casa.
FIM
isso não existe , é ilusão .