Lendas de Jacareí

Ficha Técnica da Cidade

LocalizaçãoEstado de São Paulo, região do Vale do Paraíba
Origem e Data de FundaçãoJacareí se desenvolveu ao redor da capela de Nossa Senhora da Conceição, e foi elevada à categoria de vila em 22 de novembro de 1653
Formação TerritorialJacareí foi formada a partir de terras que pertenciam a Mogi das Cruzes, de uma pousada para os tropeiros que iam para Minas Gerais
Nome Antigo da CidadeNossa Senhora da Conceição da Paraíba

As Lendas

Festas Lisérgicas

Dizem que, no início dos anos 2000, acontecia em Jacareí um evento conhecido como “Pharm Fests”. Organizados por adolescentes através da extinta rede social Orkut, o polêmico evento tinha como objetivo reunir jovens para o consumo de substâncias psicoativas.

O nome “pharm” refletia a essência desses eventos, nos quais os participantes consumiam medicamentos de tarja preta, drogas e álcool. As festas ocorriam em uma lan house localizada no centro de Jacareí.

Dizem que um adolescente que trabalhava na lan house onde o evento ocorreu pela primeira vez tinha a chave do local e, durante a madrugada, levava alguns amigos para usar drogas e participar de corujões.

A primeira menção dessas festas teria surgido em um comunidade do Orkut em 2008.

As fontes que relatam essas festas, contudo, são, em geral, anedóticas, anônimas ou baseadas em boatos, mesmo quando há a identificação de um porta-voz.

Justiça Poética

Um funcionário aposentado do Departamento de Serviço Funerário da Prefeitura de Jacareí narra uma história escabrosa que aconteceu no dia 12 de julho de 1998, data da final da Copa do Mundo.

Conforme relatado por ele, nesse dia, várias chamadas simultâneas haviam sobrecarregado o setor de logística da Prefeitura de Jacareí, e, para continuar atendendo aos munícipes, o chefe do Departamento Funerário da Cidade sugeriu que os funcionários improvisassem outro meio de transporte, além do carro oficial do IML da prefeitura.

Conforme argumenta o funcionário da prefeitura, como na época não havia celular com câmera ou mesmo um telefone de “disk-denúncia” para os reclames, não houve nenhum receio por parte deles em executar a ordem superior.

Para esse fim alternativo, o motorista do rabecão e ele decidiram improvisar um meio de transporte peculiar: um automóvel convencional. O veículo selecionado foi um Gol 1000, de uso exclusivo do setor administrativo, que dispunha de bagageiro no teto.

O ex-Agente de Serviço Funerário conta que, no primeiro atendimento daquele dia, quando chegaram na casa da senhora falecida, perceberam que haviam esquecido o saco mortuário e, sem alternativas, pois já estava quase na hora do início do jogo da seleção brasileira, sugeriram ao filho da falecida uma maneira improvisada de levá-la ao necrotério.

O filho concordou, já que o IML ficava a poucos minutos de distância. Eles então embrulharam a falecida em plástico filme e, logo em seguida, a envolveram em papel pardo, para não chamar a atenção dos transeuntes.

Contudo, ao estacionarem no pátio do Instituto Médico Legal, tiveram um surpresa. Isto porque, logo após o filho da defunta ir até a recepção resolver os trâmites burocráticos do óbito, e de os funcionários da Prefeitura de Jacareí voltarem para buscar a maca e o saco mortuário, o corpo da defunta havia desaparecido.

Conforme relatado pelo funcionário, no momento em que todos estavam dentro do prédio, dois ladrões retiraram o “embrulho” do carro e o levaram.

Ao perceber o sumiço do corpo da mãe, o filho, desesperado, acionou a polícia que, meia hora depois, encontrou o cadaver abandonado do outro lado do quarteirão.

No local da desova, os policiais e legistas levantaram uma hipótese inusitada: os bandidos, em sua pressa de roubar e fugir com o “embrulho“, teriam confundido o pacote mortuário com uma “valiosa” encomenda do Sedex.

Contexto: Cemitérios e lendas Urbanas

Cemitérios são locais perigosos, e não estou considerando aqui os traumas relacionados ao plano espiritual.

Antes da pandemia de COVID-19, o mundo enfrentou diversas epidemias, como a Peste Negra no século XIV, que devastou a Europa, e a Gripe Espanhola em 1918.

Desde os tempos mais antigos, as pessoas acreditavam que os mortos podiam contaminar os vivos, e por isso criaram várias regras para o manejo dos corpos. Uma dessas crenças dizia que o falecido deveria ser enterrado a sete palmos do chão.

Contudo, com o avanço da ciência, descobriu-se que a decomposição dos corpos podia contaminar os lençóis freáticos com seu líquido cadavérico. — Atualmente, as urnas são enterradas a meio metro do chão.

Em Jacareí, uma história envolvendo cemitério corrobora com esse argumento, leia:

Limpando o Túmulo do Avô

Em 2022, uma reportagem passou a circular no TikTok e rapidamente ganhou repercussão ao relatar a morte trágica de uma mulher grávida, ocorrida após uma visita ao cemitério no Dia de Finados.

O caso, cercado de detalhes perturbadores, despertou comoção e levantou questionamentos sobre as circunstâncias do falecimento.

Segundo o relato, uma mulher havia ido ao cemitério para realizar a manutenção do túmulo do avô.

No entanto, no dia anterior à visita, ela havia machucado um dos dedos do pé e, por esse motivo, para facilitar a limpeza da sepultura, optou por usar apenas um chinelo Havaianas durante a lavagem — um detalhe que, conforme a narrativa, pode ter sido decisivo para o desfecho fatal.

Alguns dias após a limpeza, porém, a mulher percebeu que o ferimento no pé não cicatrizava e, somente após muita insistência da família, decidiu procurar o pronto-socorro.

Contam que ela não saiu mais de lá: foi internada e diagnosticada com uma infecção generalizada; e, durante a anamnese, os médicos não conseguiam identificar a origem da infecção.

Uma semana havia se passado, e a mulher continuava sendo mantida em coma induzido. Foi então que os médicos decidiram conversar com as tias da mulher, que revelaram naquele momento que a única atividade incomum que ela havia realizado fora limpar a sepultura do avô no Dia de Finados.

Os médicos ficaram indignados, pois essa informação chegara tarde demais, e não havia mais tempo para que os antibióticos fossem administrados com eficácia.

Desse modo, dez dias após a limpeza do túmulo, a mulher faleceu em decorrência de uma infecção generalizada.

Nota: A mulher mostrada no GIF não corresponde à personagem da história; trata-se apenas de uma imagem ilustrativa, sem relação direta com a narrativa.

Nota 2: Sabe aquelas árvores de frutas dos cemitérios? Nunca coma, pois a poeira revolvida dos sepultamentos pode estar contaminada com “cadaverina”.

O Vestido Envenenado

Uma adolescente de Jacareí passou mal durante o seu baile de 15 anos e precisou ser levada para fora do salão de festas para respirar um pouco de ar fresco.

Depois de algum tempo se recuperando, ela voltou ao salão e foi direto ao banheiro lavar o rosto. Porém, não saiu mais de lá com vida.

Foi um evento funesto, que apavorou a todos os convidados e participantes do baile. A polícia e os bombeiros foram acionados e todo o perímetro foi isolado.

Após confirmar a morte, ouvir as testemunhas e analisar as imagens das câmeras do baile, a Polícia Civil concluiu, com base em anos de experiência, que apenas o laudo do IML poderia esclarecer o caso.

Contudo, os médicos legistas não compreenderam por que havia altas doses de formaldeído no organismo da jovem, uma substância usada por tanatopraxistas no embalsamamento de corpos.

Os médicos então examinaram o vestido da garota e descobriram a causa da morte: cadaverina em quantidades que, teoricamente, necessitaria que ela tivesse morrido duas vezes para alcançar tal concentração.

Nota: Cadaverina é uma substância produzida como resultado da decomposição de cadáveres.

Mesmo após a identificação da “causa mortis”, o trabalho da polícia ainda não havia sido concluído.

Na mesma semana, dois investigadores procuraram a família da adolescente envenenada e a interrogaram sobre a origem do vestido, descobrindo que ele havia sido adquirido em um brechó evangélico no centro de Jacareí.

Na loja, a proprietária contou que havia comprado o vestido de um rapaz do bairro. Os policiais, após analisarem as imagens das câmeras de segurança, confirmaram a versão da vendedora.

A polícia descobriu, então, a identidade do rapaz e o investigou por uma semana. A partir das imagens das câmeras de segurança do bairro, constataram que o ladrão havia furtado lápides do cemitério de Jacareí em diversas ocasiões.

Esse Foi o Relatório Final Da Polícia:

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TipificaçãoOs FatosClassificação
Incidente InicialViolação de sepultura e subtração de vestimenta diretamente do corpo.Vilipêndio a Cadáver
Agente InfecciosoPresença de fluidos cadavéricos e bactérias de decomposição no tecido.Risco Biológico / Contaminação
Destinação do ObjetoVenda do vestido em brechó sem procedência ou higienizaçãoReceptação / Crime Sanitário
Exposição da VítimaUso imediato da peça contaminada durante um baile.Imprudência / Contágio
Consequência FinalEvolução de infecção bacteriana severa para óbito.Morte por Causa Exógena

Relatório de Conclusão de Inquérito Policial: O inquérito detalha o furto de um vestido mediante a violação de sepultura e vilipêndio de cadáver. A peça, impregnada por agentes patogênicos da decomposição, foi vendida em um brechó sem a devida higienização. Uma jovem adquiriu e utilizou a vestimenta contaminada em um baile, sem lavá-la previamente. O contato direto com o tecido infectado causou uma infecção sistêmica aguda na vítima secundária. O quadro evoluiu rapidamente, resultando no óbito da jovem, confirmado por exames periciais no IML.

O Rato Mutante de Jacareí

Uma senhora estava caminhando nas margens do Rio Paraíba quando avistou um vira-lata do tipo estopinha. O cão estava fraco e doente, e a senhora decidiu levá-lo para casa.

Os dias se passaram e, com o tempo, a senhora notou que o animal gostava de revirar o lixo e de pular dentro do vaso sanitário.

Certo dia, porém, ao retornar para casa, encontrou seu outro cachorro atacando e mordendo o Estopinha.

Ela correu ao veterinário com o que restava do animal, mas acabou tendo uma surpresa: o médico veterinário revelou que não se tratava de um cachorro, mas sim de uma mutação de rato.

Outras Lendas de Jacareí

FolcloreDescrição
O Jacaré GiganteNos tempos antigos, os moradores acreditavam que um enorme jacaré apareceu na cidade, sendo expulso após uma procissão.
O Corpo do JacaréHá uma lenda de que o corpo desse jacaré atravessa todo o Vale do Paraíba.
Dragão ou Jacaré?Os mais antigos acreditavam que o enorme jacaré poderia ser, na verdade, um dragão.
Aparições de Nossa Senhora de FátimaNo bairro Campo Grande, no dia 7 de cada mês, os moradores afirmam ver aparições de Nossa Senhora de Fátima.
A Serpente na Igreja MatrizOs vitrais da igreja Matriz contam a história de uma serpente que quase engoliu a cidade, sendo expulsa pela imagem de Nossa Senhora.

3 comentários em “Lendas de Jacareí

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