Lendas de São Francisco Xavier

O município, conhecido pelos festivais literários e pela Festa do Tropeiro, também guarda lendas folclóricas e lendas urbanas, principalmente ligadas à Igreja Católica e ao seu ambiente rural.

A Fundação do Distrito

Antes da inauguração da Rodovia Presidente Dutra e da chegada dos caminhões, o distrito estava integrado à Rota dos Tropeiros, servindo como um elo vital para os viajantes que partiam do sul de Minas Gerais em direção ao Vale do Paraíba.

Nesses tempos antigos, a vila de São Francisco Xavier abrigava diversas vendas situadas ao redor das grandes fazendas, que funcionavam como pontos de descanso e entrepostos comerciais.

Esses locais eram essenciais para os tropeiros que desciam a serra para comercializar seus produtos, oferecendo pouso e suprimentos antes de seguirem viagem.

Chegando aos dias atuais, no entanto, o foco do município reside no turismo, especialmente em sua infraestrutura de pousadas e hotéis, que atrai tanto a elite paulistana quanto os entusiastas de um estilo de vida saudável.

Nota: A expressão ‘posar’, usada para se referir ao ato de dormir na casa de alguém, é típica do Vale do Paraíba. Sua origem remonta à época dos tropeiros, que utilizavam o termo para indicar sua permanência temporária em uma cidade, em vez de usarem a palavra ‘repousar’.

Ficha Técnica

Localização do DistritoEstado de São Paulo
DistritoSão José dos Campos
HistóriaO povoado surgiu como passagem e repouso dos tropeiros de Minas Gerais; Criado em 16 de agosto de 1892 (131 anos)
Características GeográficasO distrito está a 720 metros de altitude. O ponto mais alto é o Pico do Selado, com 2.082 metros acima do nível do mar, de onde se avistam as cidades vizinhas em meio a um relevo de montanhas, nuvens e vales.
Origem do NomeO santo que dá nome ao distrito é conhecido por ter o dom de prever o futuro, ver fatos que aconteciam em outro lugar e acalmar tempestades.
Paisagem e ClimaSão Francisco Xavier faz parte da Serra da Mantiqueira.
Administração e LocalizaçãoAdministrativamente, o distrito faz parte do Vale do Paraíba.

As Lendas

A Ladra de Leite

Essa crença ganhou força após o relato de um agricultor que, ao investigar um mugido estranho de uma vaca 🐮 no pasto durante a noite, teria flagrado, embaixo de uma mangueira, uma lebre mamando nas tetas o leite da vaca.

Dizem que o agricultor furioso pegou um porrete, caminhou silenciosamente até o local, golpeou a lebre, e a amarrou com um corda no galho de uma 🌳 árvore.

Na manhã seguinte, todos na cidade descobriram quem era a bruxa metamorfoseada em lebre. 🐇

A Mulher Chorona

Um morador de São Francisco relatou que, na década de 1970, seu avô e outros corajosos da roça costumavam ir até a beirada do Rio do Peixe para ver se encontravam a mulher chorona.

A lenda da época dizia que, sempre nas noites de sexta-feira, a alma de uma mulher vagava pelo Rio do Peixe chorando e em busca de seus filhos, que teriam morrido afogados e nunca foram encontrados.

Dizem que era possível ouvir seus lamentos com tanta clareza como se ela estivesse ao lado.

A lenda relata que ninguém jamais a viu, mas, às vezes, tarde da noite, ainda é possível ouvir seu choro.

Rapsódia Francisquense

Uma família de São José dos Campos retornava para casa durante a madrugada, em seu Fusca azul-turquesa, pela SP-50, no alto da Serra da Mantiqueira, quando percebeu que a avó estava quieta demais. Eles haviam buscado a avó em São Francisco Xavier para passar o Ano-Novo juntos.

O carro avançava em silêncio pela estrada até que um dos filhos, ao perceber que a avó não respondia, descobriu que ela estava morta.

Longe de tudo e atônitos com a ideia de carregar um cadáver no carro, decidiram enrolar o corpo da velha em um lençol e amarrá-lo ao bagageiro do teto.

​Naquele ermo de vasta escuridão, eles miraram a primeira luz de civilização e buscaram ajuda em uma delegacia.

Encontraram um posto policial na Avenida Treze de Maio e entraram às pressas. Ao retornarem ao veículo com o delegado, porém, descobriram que o automóvel havia desaparecido.

O delegado registrou o boletim de ocorrência e alertou o sistema sobre o roubo, entretanto, o carro roubado e o corpo da defunta nunca mais foram encontrados.

Nota: Será que os bandidos jogaram o cadáver da vovó no mato e, ironicamente, um lobo mau 🐺 acabou comendo o corpo fresco da vovozinha recém-falecida?

A Quermesse Macabra da Praça

O padre do distrito de São Francisco foi chamado às pressas até uma chácara na estrada dos Poncianos. Quando chegou lá, encontrou a família reunida na sala. Duas irmãs choravam copiosamente. Foi então que uma delas resolveu contar a história ao padre:

“Padre, nosso pai havia nos proibido de ir até a quermesse no Largo São Sebastião, mas nós queríamos muito ir…

Foi nesse momento que tivemos uma ideia: e se fôssemos só dar uma olhadinha e voltar?

Pegamos as bicicletas e saímos escondidas pela noite. Ao contornarmos a rua Antônio Alves, fomos atraídas pelo som de uma música bonita. A minha irmã lembra da letra:

🎵Lá no escuro do quintal,
Mora um bicho, é o mal.
Dizem que de noite sai,
Pra buscar quem por lá passar.
Oh, cuidado ao caminhar,
Na quermesse a escuridão.
O bicho pode te achar,
E levar teu coração.🎶

Nós deixamos as bicicletas encostadas na parede da igreja e começamos a dançar, a música era hipnotizante.

De súbito, a minha irmã segurou o meu cotovelo e disse. “Olhe para as pernas delas!” Olhei e percebi que todas as mulheres tinham pernas e cascos de bode.

Nós saímos correndo de lá, e conseguimos carona em uma carroça. Gritávamos no caminho que havia uma festa de demônios na praça. — Como vocês sabem que eram demônios? — Perguntou o motorista da carroça.

Quando as meninas disseram que todas as dançarinas tinham pernas de bode, o motorista disse:

— Assim?! — E levantou sua túnica para revelar que ele próprio tinha pernas de bode.

Dizem que até o padre ficou assustado com a história e ele concluiu: “Minhas filhas, certamente é o mal afrontando-as por terem desrespeitado a ordem dos seus pais!”

Em seguida, aspergiu água benta na casa e pediu a elas para rezarem o terço da Misericórdia às três horas daquela madrugada.

A Segunda Morte

Naquela noite, para realizar o transporte fúnebre, foi enviado um funcionário experiente da subprefeitura de São Francisco Xavier. No retorno, porém, o filho mais velho da falecida voltou com ele na carroça.

Já haviam percorrido metade do caminho quando ouviram um barulho vindo de trás da carroça, onde estava o caixão. O filho da falecida alertou o motorista e ele parou.

O filho, que estava armado, inspecionou o local para verificar se algum predador noturno poderia ter pulado na carroça ao sentir o cheiro do defunto. Contudo, não encontrou nada. Continuaram a viagem e, meia hora depois, ouviram novamente a carroça balançar.

O funcionário da prefeitura disse desesperado: “Sua mãe deve estar viva, patrão…! Não tem aquela doença dos três dias?!” O filho mais velho concordou.

Foi então que decidiram abrir o caixão.

De fato, ao abrirem a tampa perceberam que velha estava como em um pesadelo, suando e se debatendo.

“Ela deve ter revivido ao sentir o sacolejo da carroça nessas estradas esburacadas…”, disse o funcionário da prefeitura aflito.

Os dois deixaram o caixão aberto para que a velha não sufocasse e seguiram por alguns metros até encontrar um orelhão, de onde telefonaram para o 190, pois não se lembravam de outro número.

Eles aguardaram até a chegada de uma ambulância ao local enquanto rezam o Pai Nosso. No entanto, em meio à escuridão das estradas de São Francisco Xavier, a ambulância acabou colidindo com a carroça. E, naquela mesma noite, a velha morreu pela segunda vez.

A Cobra Atraída Pelo Cheiro de Leite

Contam que, enquanto o bebê dormia, uma pequena cobra, atraída pelo cheiro de leite na respiração do bebê, teria rastejado até a criança e entrado pela sua garganta e a sufocado.

Há muitos outros relatos de cobras sendo atraídas pelo cheiro de leite em áreas rurais do Brasil. Uma dessas histórias conta que uma mulher, após fazer um pacto com o diabo para conseguir engravidar, dava de mamar para o filho e a cobra ao mesmo tempo.

Eu, hein…

A Cascavel Errada

Ele jogou a serpente morta no quintal e entrou na casa. Sua esposa, porém, quis ver os chocalhos da cobra; então, ele saiu no escuro e cortou os chocalhos.

Na manhã seguinte, ao encontrar uma cascavel morta no quintal com os guizos intactos, ele gelou. Percebeu, aterrorizado, que havia cortado o chocalho de uma outra serpente — uma que estava viva — e que, por um milagre, não o havia picado.

O Peixe Gigante do Rio do PeixeUm enorme peixe que habita o Rio do Peixe, avistado raramente, mas sempre causando espanto e admiração entre os pescadores locais.
O Homem com Pé de BodeDurante a madrugada do dia de Pentecostes, um homem com pé de bode é visto caminhando pelas ruas, assustando os moradores.
A Cabana do SatanásDizem que existe uma cabana escondida nas montanhas de São Francisco Xavier, onde Satanás se refugia e realiza seus rituais.
A Fonte da VidaUma fonte escondida em alguma montanha, cuja água possui o poder de conceder imortalidade àqueles que a bebem.
A Mula DionísiaUma mula capaz de viajar mais rápido que um carro, conhecida por sua velocidade impressionante.
A Vaca que Caga OuroEm noites de Natal, uma vaca mística aparece e excreta ouro, trazendo riqueza e sorte para quem a encontra.

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