Bem-vindo ao meu blog! O conteúdo a seguir pode conter tópicos sensíveis. Sugiro que o professor dialogue com os alunos antes de iniciar esta aula.
| Objetivo da Aula | Explorar, por meio da leitura compartilhada de um conto, temas como a violência contra a mulher, o preconceito religioso e a importância da diversidade cultural. |
| Materiais | – Cópias do conto “O plano espiritual me livrou do feminicídio” – Projetor |
| Desenvolvimento | |
| 1. Momento Inicial | – Duração: 10 minutos – Atividades: 1. Crie um clima de mistério, questionando os alunos a respeito de manifestações sobrenaturais. 2. Diga-lhes que o conto a seguir é um relato pessoal, e, portanto, a pessoa que o narra acredita nos eventos sobrenaturais. 3. Faça comentários intrigantes enquanto lê a história. |
| 2. Leitura Compartilhada | – Duração: 35 minutos – Atividades: Leitura compartilhada do conto “O plano espiritual me livrou do feminicídio”. |
O Relato
Em 2018, eu vivi um relacionamento abusivo e, embora tivesse consciência da minha situação, não conseguia terminar devido às chantagens e vitimizações do meu namorado.

Ei, você que está lendo ou ouvindo essa história! Antes de seguir com a história, diga-me: você acredita que rezas, orações, passes e banhos de ervas realizados por pessoas que você gosta podem protegê-lo de situações perigosas?
(…) O sobrenatural se manifestou naquele ano após um sonho, e hoje penso que, se não fosse aquela quimera, talvez não estivesse aqui para contar a história.
No sonho, eu estava no carro do meu namorado e expunha a ele os motivos do meu descontentamento.
Quando ele entendia que eu estava terminando o relacionamento, acelerava o carro.
Lembro-me de sentir a velocidade e o medo como se fossem reais. O sonho terminou no exato momento em que ele batia o carro. Na época, não dei muita importância, afinal, sempre tive sonhos estranhos.

Como estava tentando sair de um relacionamento, concluí que poderia ser somente a minha mente criando subterfúgios por conta das minhas tribulações. Acabei esquecendo o sonho.
Semanas se passaram, e certa noite estava eu na faculdade com minha amiga Vanessa. Após ler este relato, você entenderá por que ela se tornou (e ainda é) minha melhor amiga.
No final da aula, fizemos nosso ritual de encerramento, que era tomar um cafezinho na cantina antes de entrar na van.
Para contextualizar, foi essa amiga que me fez entender que estava em um relacionamento abusivo. Naquela época, eu tinha um pensamento muito conservador e quadrado, e entendia as grosserias e violências como naturais do sexo masculino; acreditando que a mulher deveria ser submissa ao marido.

Vanessa era uma das pouquíssimas pessoas que sabiam o que estava acontecendo comigo. Conversa vai, conversa vem, eu contei a ela o meu sonho.
Nesse momento, ela me olhou preocupada e disse que também tinha uma história para me contar:
Certo dia, ela estava distraída em casa, quando lhe ocorreu o seguinte pensamento: “Preciso pegar o contato de alguém da família da Priscila. Se ela estiver em perigo, eu preciso saber a quem recorrer”. E, na sequência desse pensamento, ela teve uma premonição.
Na visão dela, eu, Priscila, estava em uma festa muito feliz e bêbada. Meu ex-namorado chegava, ficava bravo em me ver, arrastava-me pelo braço e me jogava dentro do carro, acelerando.

Essa minha amiga sempre foi muito sensitiva e ficou pensativa sobre o que aconteceu, mas não me contou nada antes por medo de me assustar.
Contudo, quando contei a ela meu sonho, ela achou que não poderia ser coincidência. Acabamos criando teorias e nos assustamos naquela noite
Foi um período exaustivo: fim de faculdade, TCC… Os dias passavam como águas turbulentas. Naquela época, eu costumava ir à casa da minha dinda e do marido dela nos finais de semana. Ela era responsável por um pequeno terreiro, onde atuava como mãe de santo.
Peço que levem em conta o contexto, pois o evento sobrenatural que será narrado poderia ter acontecido em qualquer tradição religiosa, já que todas as religiões têm seu lado místico...
Estávamos sentadas no sofá da sala quando minha dinda me olhou séria e compartilhou algo que aconteceu com ela: — Minha filha, preciso te contar uma coisa —, é sobre você. — Esses dias, acordei assustada e avisei a todos em casa que precisavam tomar alguma atitude para te proteger, pois parecia ser um aviso de uma entidade…

Ela continuou contando a história, enquanto eu fiquei em silêncio, quase tendo um treco…
— O Exu Caveira me anunciou em sonho que você estava em perigo. — E naquele dia, passei o dia inteiro preocupada com você…
Depois de ouvir o relato, olhei para ela com espanto, e minha dinda afirmou que a história ainda não havia acabado: — Naquele mesmo dia, havia um evento religioso onde o meu pai de santo estava presente e, ao incorporar a sua orixá, chamou-me e disse – enquanto chorava e acariciava o meu rosto:
— Vocês precisam fazer algo para proteger aquela menina. — O ‘perna de calça’ vai fazer algo com ela que fará vocês chorarem… — Ele repetia várias vezes, implorando para que a protegessem…
Naquela noite, saí perturbada da casa da minha dinda e demorei várias semanas para me recuperar. Os relatos que ouvi naquele ano de 2018 me traumatizaram, e decidi não mais pegar carona com meu namorado nas sextas-feiras.
Nossa relação se deteriorava a cada dia. Eu agradecia por morarmos em zonas diferentes e podermos nos ver só nos finais de semana. Usava o TCC como motivo para não vê-lo, quando, na verdade, mal conseguia me concentrar de tanta ansiedade por querer sair daquela relação.

Consegui passar dias sem vê-lo. A pressão dele só aumentava, porque percebia que estava me perdendo. Ele insistiu para que eu trocasse de psicóloga, achando que ela estava me influenciando.
De fato, eu mudei, mas o motivo foi não conseguir resultados para sair daquele relacionamento. Comecei a terapia com uma nova profissional, que me atende até hoje, e fui me fortalecendo.
Conseguia enfrentar as chantagens emocionais e tomei coragem para terminar. Terminamos na terça-feira e, no sábado, teria a festa de cem dias da formatura da minha melhor amiga. Aqui onde moro é comum ter uma festa quando faltam exatos cem dias para a colação de grau.

Inclusive, essa festa foi um dos motivos que iniciou a discussão que levou ao término. Eu iria à festa de qualquer jeito, e ele só iria se eu pagasse o ingresso dele.
Falei que não teria dinheiro para dois ingressos e que iria à festa de qualquer jeito, com ele me acompanhando ou não.
Finalmente, consegui terminar. Por mais que quisesse sair do relacionamento, eu tinha uma dependência emocional e foi muito difícil. Mantive o plano da festa para tentar me animar. Mesmo assim, na quinta-feira, recebi uma ligação da mãe do meu agora ex-namorado.
Ela chorava muito e, desesperada, perguntava como eu estava. Em seguida, dizia o motivo do choro: ela sonhara que eu e o Marcos sofríamos um terrível acidente de carro.
Você entende, leitor? Não dá mais para dizer que esses eventos são simples coincidências. Eu disse a ela que estava tudo bem, que realmente tínhamos terminado, e desligamos o telefone.
Leitores, aquilo me deixou extremamente assustada. Como já havia terminado, não me preocupei mais com o acidente de carro, embora tenha ligado, ainda nervosa, para minha dinda, pedindo que ela jogasse os búzios por telefone.

No jogo de búzios, os orixás pediam que, por misericórdia, eu não fosse a essa festa, pois o Marcos estava inconformado com o término e iria atrás de mim na festa.
Ele veria algo que o deixaria com muita raiva, provavelmente me veria dançando bêbada ou ficando com alguém. Então, ele me pegaria à força, me colocaria no carro, aceleraria para me assustar e, de tanto correr, perderia o controle do carro e bateríamos em algo.
No jogo de búzios, surgíamos eu e ele hospitalizados, e meu rosto estava cheio de cicatrizes. Leitor, lembra quando a orixá do pai de santo da minha madrinha falava e passava a mão no rosto? Era isso. Ela estava mostrando as cicatrizes no rosto.
Obviamente, eu devolvi o ingresso da festa, e minha amiga não só me entendeu como me apoiou. Naquele sábado, jantei com amigos e voltei para casa em segurança. Depois disso, os avisos pararam. Ele tentou forçar aproximações algumas vezes, mas ameacei fazer um boletim de ocorrência se ele não parasse de me procurar.
E ele, de fato, parou. Esse episódio me fez ter uma conexão maior com a espiritualidade porque me senti grata pelos vários avisos e pela proteção. Alguns meses depois, encontrei meu marido e estamos juntos e felizes até hoje. Mas a lição ficou: ouçam os avisos e sintam-se gratos quando o plano espiritual os livrar de algo ruim.
| Tópico | Detalhes |
|---|---|
| 3. Compartilhando Descobertas | – Duração: 10 minutos – Atividades: 1. Os alunos formarão duplas e discutirão suas opiniões sobre os temas: intolerância religiosa e feminicídio. 2. O professor mediará a discussão, incentivando a troca de ideias e a construção de um conhecimento coletivo sobre o conto. |
FIM