Bem-vindos ao meu blogue! A história que você vai ler aconteceu na década de 60, no Vila Tatetuba, em São José dos Campos.
Na época em que não havia energia elétrica (chegou apenas em 1966), e as pessoas iam dormir cedo para economizar velas e lampiões.
Também não havia água encanada, que só chegou em 1971 junto com o asfalto; por esse motivo, os moradores do bairro utilizavam um poço artesiano. Imagine um trânsito de carros de boi na Rua Patativa?
| São José dos Campos Antigamente | Acontecimentos e Detalhes |
| Crescimento e Sociedade | Em 1968, a cidade celebrou 200 anos. O crescimento industrial atraiu migrantes, gerando alta demanda por moradia e expansão de bairros em todas as direções. |
| Cultura e Lazer | A cidade era um “laboratório” teatral, recebendo nomes como Chico Buarque, Jô Soares e Cacilda Becker. O footing na Rua XV de Novembro era o principal lazer até ser transferido para a Praça Afonso Pena em 1970. |
| Eventos Marcantes | O festival de música Sabiá de Ouro agitava a cidade. Na TV, o quadro Cidade contra Cidade (Silvio Santos) mobilizou a população no embate contra Ribeirão Preto em 1970. |
| Transporte e Serviços | Em 1970, os taxímetros foram regulamentados (Bandeirada 1 a NCr$ 0,60). Surgiram também os controversos pedágios na Via Dutra. |
| Esporte (São José E.C.) | Inauguração do Estádio Martins Pereira em março de 1970 com um quadrangular. Dadá Maravilha marcou o primeiro gol. O clube enfrentou graves crises financeiras, mudando de nome e símbolo (de Formigão para Águia). |
| Política Local | Período marcado pela gestão do prefeito Sérgio Sobral (posse em 1970), que tomou medidas austeras, como a demissão de 252 funcionários e a proibição de pipoqueiros no centro. |
| História dos Bairros | A Região Norte (Santana e Alto da Ponte) foi uma das primeiras a ter concentração urbana devido aos caminhos para Minas Gerais e à proximidade com o Rio Paraíba. |
A história que você vai ler, no entanto, foi narrada pela neta de uma antiga moradora do Vila Tatetuba.
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O Caso dos Cotovelos Ralados

Quando eu era adolescente, todas as noites minhas primas e eu acendíamos uma fogueira na calçada e e sentávamos ao redor para comentar os assuntos do momento no rádio: Beatles, a ida dos soviéticos à lua…
No dia em que essa história ocorreu, estávamos conversando sobre a “fake news” da década de 60: um tal de Concílio da Igreja Católica, muito criticado pelos ortodoxos, que acreditavam que a mudança traria o “Armagedom”.
A prosa estava animada, quando um primo apareceu e nos contou causos de terror (com a intenção de nos assustar), garantindo com tom de voz grave que “em noites de lua cheia, ver um homem com os cotovelos e joelhos machucados era sinal de que o lobisomem acabara de se desconverter em humano. Não demos importância e ele foi embora.
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A noite cobriu o céu, e só restou minha prima Elizete e eu. No meio da prosa, ouvimos um uivo encorpado. Minha prima ficou arrepiada, e eu com o coração acelerado. “Isso aí não é cachorro não!” — ela comentou.
Conversamos por mais algum tempo, até ela se acalmar; foi então que Elizete decidiu ir embora. Minha prima mal havia virado a esquina, e já brotou no portão desesperada:
— Deixa eu entrar! — Tem um bicho correndo atrás de mim!
De um salto, entramos e fechamos a porta da sala. Pela fresta da janela, víamos um lobo gigante com as patas apoiadas na cerca. Ele farejava o ambiente. O animal ficou ali alguns minutos e depois foi embora.
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Naquela noite, dormimos no mesmo quarto, e minha mãe jogou sal grosso nos cantos da casa. Fizemos orações e acendemos velas; só depois desse ritual conseguimos dormir.
No outro dia, fui cedo à missa e encontrei meu primo. Reparei nos cotovelos dele e percebi que estavam verdes de mentruz. Ele disse que se machucara jogando bola. Sei…
Esse causo é o tipo de história que uma criança adoraria ouvir. Contei para os alunos do 2º ao 6º ano na sala de leitura, e deu super certo. Só fiquei com uma dúvida: um lobisomem entra em igreja?
| Onde | No antigo Vila Tatetuba, antes da eletricidade e da água encanada (a luz só chegou depois de muita insistência dos fantasmas). |
| Quando | Década de 1960 (época em que o maior terror era esperar o lampião apagar sozinho). |
| Quem conta | A neta de uma moradora antiga (aquela que sabia de tudo — inclusive que lobisomem não paga conta de luz). |
| O causo principal | Lobisomem aparece na cerca farejando como se estivesse procurando pizza congelada (mas era só a pobre galinha do quintal). |
| O clima | Uivos, medo e lamparinas tremendo mais que celular no vibracall. |
| Reação dos personagens | Fogueira acesa, oração pra todo santo do cardápio… Até sal grosso entrou na dança (jazigo dos temperos). |
| Moral da história | Às vezes o lobisomem é só um primo que caiu fazendo futebol e voltou pra missa com joelhos verdes. |
FIM