Lendas de S. J. dos Campos: O Lobisomem do Alto da Ponte

Bem-vindos ao meu blog! Muitos joseenses talvez não saibam, mas, depois do Centro e de Santana, o Alto da Ponte foi um dos primeiros bairros a se desenvolver em São José dos Campos. O bairro é atravessado por dois rios: o Paraíba e o Buquira.

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Bairro Alto da PonteMarcos Importantes
Origem do NomeDeriva da localização elevada em relação à Ponte Minas Gerais (1910), que liga o centro à zona rural norte e ao estado de Minas Gerais.
Indutores de CrescimentoImpulsionado pela antiga estrada para o bairro do Buquira (Monteiro Lobato) e pela conexão com a Serra da Mantiqueira.
Herança RuralLigado a antigas fazendas e famílias tradicionais. Até 1970, o transporte principal ainda era por charretes e cavalos.
Tradição e FéA comunidade possui forte identidade religiosa, com a paróquia local servindo como o principal ponto de convivência social.
InfraestruturaA pavimentação da Avenida Aldemo Veneziani (antiga Av. Buquira) foi o marco para a integração total com a cidade.
Cultura e FolcloreFamoso pela lenda do “Lobisomem do Alto da Ponte”, figura central no imaginário e na memória dos moradores antigos.
Perfil Atual (2025)Setor residencial de identidade forte, que preserva a natureza e a proximidade com o Rio Paraíba do Sul.

Todos deveríamos explorar mais este bairro, aproveitando sua rica cultura de quermesses e festas juninas organizadas por moradores cheios de fé e dedicação.

Além disso, é importante mergulharmos em suas lendas folclóricas. Assim, começamos nosso primeiro causo:

A história que irei narrar remonta a uma época em que o Rio Paraíba era limpo e encantador.

Nos anos 60, ouvia frequentemente relatos sobre lobisomens. Minha mãe, sempre advertia: “Menino, não fique até tarde na rua, senão encontrará o lobisomem”.

No entanto, eu a desobedecia e saía vagando pelas ruas à noite, correndo e brincando. O que me intrigava nessa época era que todos os meus amigos se recolhiam mais cedo.

Em determinada noite, um coleguinha e eu perdemos a noção do tempo; já eram nove da noite quando a bisavó dele veio buscá-lo e, como estava junto, convidou-me para ir junto jantar.

Após a refeição, ficamos ouvindo as histórias que ela narrava.

Jamais havia escutado contos tão arrepiantes… Porém, quando olhei para o relógio, assustei-me, pois já passava das dez, e eu estava encrencado.

Nunca havia me demorado tanto na rua. Enquanto pensava nisso, pensava na minha mãe com a cinta na mão.

Bem, nada de bom pode acontecer quando desrespeitamos os nossos pais na infância. Prevejo um desfecho desagradável…

Despedi-me e saí apressado da casa do meu amigo. Cheguei exausto ao portão da minha casa. Com todo o cuidado, girei a maçaneta para não fazer barulho.

De longe, chegou aos meus ouvidos um uivo semelhante ao de um lobo.

Parei por alguns segundos e refleti: “Seria um cachorro?”. Entrei sorrateiro, tomei banho e fui dormir.

No dia seguinte, vários moradores do bairro afirmaram ter visto um lobisomem rondando o Alto da Ponte.

Quando eu era criança, costumava buscar minha mãe na missa. Em uma dessas ocasiões, acabei encontrando um lobisomem. Ao contrário dos molengas, que corriam de medo, eu enfrentei a criatura.

Segundo meu pai, “era muito perigoso deixar minha mãe andar sozinha”. Como eu era um rapazinho valente, ouvi as instruções do velho com diligência, estufei o peito e segui em direção à Igreja.

Minha mãe havia ido à Paróquia São Benedito, e eu a seguia de bicicleta, fazendo a escolta. A escuridão era tão intensa que, em determinado momento, tive que descer da bicicleta, pois havia muitos buracos na estrada que eu não conseguia enxergar o caminho.

Morávamos no Alto da Ponte, numa casa no meio do mato. Para chegar na igreja, tínhamos que atravessar um pequeno córrego que desembocava no Rio Buquira.

Aqui está um mapa aproximado mostrando o trajeto do garotinho valente. ⬇️

Viramos a estrada e, de repente, minha mãe parou assustada. Ela olhava fixamente na direção da ponte do rio. Firmei o olhar e então vi o que era. Era gigantesco, devia ter uns dois metros de comprimento, e lambia a pata displicentemente. Minha mãe quase desmaiou; segurou meu braço com força. Ela disse sussurrando:

— É o lobisomem, fique quieto!

A criatura ainda não havia percebido nossa presença e, anos depois, ao refletir sobre o ocorrido, percebi que o vento provavelmente estava desfavorável, pois esses animais conseguem captar nosso cheiro à distância.

Não pensei muito na hora, apenas me veio à mente a conversa com meu pai:

“Fique de olho na sua mãe, proteja-a.” Lembro-me que o sangue subiu na hora, e então peguei uma pedra e arremessei bem no crânio do bicho. Ele grunhiu alto; em seguida, desceu pela beirada do Rio Buquira como se fosse um cachorrinho com o rabo entre as pernas e desapareceu na escuridão.

Até hoje, apenas meus netos acreditam quando conto essa história; mais ninguém….

Só mesmo os netos desse senhor para acreditar nessa história. Para mim, essa criatura não passa de um vira-lata caramelo que caiu no rio e surgiu assustador, todo molhado, sob a luz da lua.🤪

Curiosidades da Zona Norte de São José dos Campos

TemaCuriosidadePeríodo aproximado
MigraçãoA região Norte recebeu migrantes das chamadas “Cidades Mortas” do Vale do Paraíba após o declínio do café.Início do século XX
ImigraçãoTambém chegaram imigrantes e trabalhadores rurais, formando uma população de comerciantes, lavradores, sitiantes, meeiros e pescadores (piraquaras).Início do século XX
IndustrializaçãoCom a chegada das fábricas Tecelagem Paraíba, Cerâmica Weiss e Rhodosá, muitos mineiros vieram trabalhar na região.Décadas de 1930–1950
Integração culturalMineiros e moradores antigos se integraram facilmente porque tinham cultura e religiosidade semelhantes.Século XX
EconomiaSantana tinha economia baseada em dois pilares: industrial e rural.Século XX
Importância econômicaO distrito de Santana chegou a arrecadar mais impostos que muitas cidades do Vale do Paraíba.Século XX
Estrutura urbanaSantana possuía hospital, saneamento, centro de saúde, cartório e cinema.Século XX
Tentativa de emancipaçãoSantana fez campanha para se tornar uma cidade independente de São José dos Campos.Século XX
PolíticaAlto da Ponte e Santana eram decisivos nas eleições municipais entre 1968 e 1976.1968–1976
Campanhas eleitoraisOs comícios de encerramento das eleições aconteciam em Santana.1968–1976
Voto regionalOs moradores preferiam votar em candidatos da própria região.Século XX
ReligiãoA religiosidade era muito forte e influenciava a vida social e política.Século XX
Festas religiosasEram famosas a Semana Santa, Corpus Christi e as Carpições nos bairros Bonsucesso e Freitas.Século XX
Devoção popularA devoção a Maria Peregrina surgiu dessa religiosidade popular herdada do bandeirismo.Século XX
Cultura e lazerHavia bailes, carnaval, brincadeira de máscara no Buquirinha e exibição de filmes nos bairros.Século XX
FootingEm Santana havia o “footing” na Avenida Rui Barbosa, onde as pessoas passeavam ao som de música.Século XX
Bandas marciaisA região possuía bandas marciais que animavam eventos.Século XX
Lazer nos riosO banho nos rios era uma das principais formas de lazer.Século XX
FutebolExistiam vários times locais: Comercial, Cerâmica Weiss, Canarinho, Santaninha, Frigorífico e Vasquinho.Século XX
Famílias tradicionaisAlgumas famílias importantes: Ramos Araújo, Leite Machado, Intrieri, Faria, Barbosa Reno, Veneziani, Moretti, Cunha, Pena, Galo, Prianti.Década de 1960
Poluição industrialA industrialização trouxe poluição e provocou o declínio da pesca, prejudicando os piraquaras.Século XX
PiraquarasOs pescadores passaram a ser vistos como figura ultrapassada, associados ao personagem Jeca Tatu.Século XX
Influência da IgrejaA Igreja Católica tinha grande influência nas eleições locais.Século XX
Padre influenteO padre Luiz Cavalheiro tinha grande poder político e influenciava eleições.Décadas de 1950–1960
Conflitos religiososHouve casos de campanha contra candidatos que mudavam de religião.Década de 1960
Concílio Vaticano IIO padre Antônio de Castro e Silva tentou implantar as novas normas da Igreja, gerando conflitos com fiéis.Década de 1960

Resumo histórico da Zona Norte

A Zona Norte de São José dos Campos foi uma região com forte mistura de vida rural, industrialização, religiosidade e política local, chegando a ter estrutura e economia suficientes para tentar se tornar uma cidade independente. A vida social girava em torno da igreja, do futebol, dos bailes, do cinema itinerante e dos passeios na Avenida Rui Barbosa.

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