Os locais citados neste texto fazem referência somente ao contexto do Rio de Janeiro no século XIX. Por essa razão, as célebres praias de Ipanema e Leblon não serão mencionadas, considerando que, àquela época, a região hoje conhecida como cartão postal do Rio era vista como um local de praias selvagens.

Para quem nasceu no século XXI, o Rio de Janeiro do século XIX seria quase irreconhecível, pois, vários morros da região central da cidade foram terraplanados, e suas terras usadas para soterrar praias e ampliar o perímetro urbano.
A paisagem carioca como a conhecemos hoje apresenta uma configuração radicalmente distinta daquela que existia até o final do século XIX.
Na imagem a seguir, os locais onde as praias foram aterradas estão marcados pela linha vermelha.


Morro do Castelo
O Morro do Castelo foi terraplanado na década de 1920, e suas terras foram destinadas à construção do aterro de uma extensa área ao redor da antiga Ponta do Calabouço até a Praça XV.

O Morro do Castelo, no Rio de Janeiro, foi um dos pontos de fundação da cidade em 1567. Ele abrigava várias construções e marcos históricos importantes, como:

| Casa da Câmara e Cadeia | Sede administrativa e prisão | Exercia funções legislativas e judiciais. |
| Casa do Governador | Residência oficial do governador | Local de moradia dos governantes da época. |
| Colégio dos Jesuítas (posteriormente Hospital Militar da Corte) | Educação religiosa / Hospital militar | Fundado pelos jesuítas, posteriormente adaptado para fins militares. |
| Igreja de São Sebastião (primeira Sé Catedral da cidade) | Local de culto religioso | Primeira catedral da cidade dedicada ao padroeiro São Sebastião. |
| Armazéns | Depósito de mercadorias | Estruturas usadas para armazenar bens e insumos comerciais. |
| Observatório Nacional | Pesquisa científica | Importante marco para o desenvolvimento da astronomia no Brasil. |
| Santa Casa de Misericórdia (primeiro hospital) | Atendimento médico e caridade | Primeiro hospital da cidade, ligado às atividades de assistência social. |
Além disso, o morro continha relíquias históricas significativas, como os restos mortais de Estácio de Sá e o marco de pedra que assinalava a fundação da cidade. Atualmente, a Ponta do Calabouço foi totalmente destruída, dado que sua área foi aterrada em decorrência do desmonte do Morro do Castelo.


Para acessar o morro, o carioca que se dirigia pela Rua 1ª de Março, que, em seu prolongamento, ao contornar a curva, passava a ser denominada Rua da Misericórdia, seguia em direção ao Largo da Misericórdia, onde se encontrava a Ladeira da Misericórdia, a qual conduzia até o Morro do Castelo.

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| Localização e importância histórica | O Morro do Castelo foi um dos pontos de fundação da cidade do Rio de Janeiro, em 1567, após a cidade ser inicialmente fundada no sopé do Morro Cara de Cão, em 1565. |
| Construções e marcos históricos | Primitivas Casa da Câmara e Cadeia- Casa do Governador- Colégio dos Jesuítas (posteriormente Hospital Militar da Corte)- Igreja de São Sebastião (primeira Sé Catedral da cidade)- Armazéns- Observatório Nacional- Santa Casa de Misericórdia (primeiro hospital) |
| Relíquias históricas | Restos mortais de Estácio de Sá — Marco de pedra da fundação da cidade (transferido para a Igreja de São Sebastião dos Capuchinhos, na Tijuca) |
| Expansão urbana | Com o crescimento da população, a cidade começou a ocupar a várzea (área plana entre os morros de São Bento, Santo Antônio, Conceição e Castelo). Essas áreas eram originalmente cheias de riachos, lagoas e charcos, que foram aterrados para a expansão urbana. |
| Acessos ao morro | Ladeira da Misericórdia (primeira via pública da cidade)- Ladeira do Castelo- Ladeira do Poço do Porteiro (para a região da atual Cinelândia)- Ladeira do Seminário |
| Declínio do Morro do Castelo | No século XVI, o morro já era pequeno demais para a população- No período de Dom João VI, foi considerado prejudicial à saúde por bloquear ventos e dificultar o escoamento de águas- Tornou-se inviável para o progresso e urbanismo |
| Demolição (1922) | O morro foi arrasado pelo prefeito Carlos Sampaio para a montagem da Exposição Internacional do Centenário da Independência- Justificado como modernização urbana e remoção de áreas proletárias- Suas terras foram usadas para aterrar a Urca, Lagoa Rodrigo de Freitas, Jardim Botânico e áreas ao redor da Baía de Guanabara |
| Exposição Internacional (1922) | Evento comemorativo do Centenário da Independência, que visava modernizar a cidade arquitetônica e tecnologicamente, utilizando o espaço liberado pelo arrasamento do morro. |
| Fotografia histórica | O Morro do Castelo, com a Igreja de São Sebastião no topo, foi fotografado por Juan Gutierrez por volta de 1890. (Acervo do Instituto Moreira Salles) |

A Lenda do Morro do Castelo
Em tempos passados, os habitantes do Rio de Janeiro alegavam exisitir um suposto tesouro oculto em túneis subterrâneos cavados pelos Jesuítas durante o período colonial. Acredita-se que esse mito teria surgido durante as invasões francesas (1710-1711), adquirindo força após a expulsão da ordem religiosa do Brasil, em 1759, por meio de um decreto do Marquês de Pombal. Mesmo após anos de buscas incansáveis, jamais foi encontrada qualquer evidência concreta que comprove a existência do tesouro.
Escavações realizadas no século XIX e início do XX revelaram a existência de túneis secretos no Morro do Castelo, o que alimentava o imaginário local; bem como a existência de um suposto mapa da mina; além de relatos de riquezas — como as 67 toneladas de ouro enterradas com uma estátua de Santo Inácio de Loyola em ouro.
As investigações, lideradas inclusive por escritores famosos como Lima Barreto, revelaram aa existência de galerias que poderiam ter sido usadas como vias de deslocamento, abastecimento de água ou depósitos de mantimentos, mas nenhum vestígio do tesouro foi confirmado.
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| Publicação | Reportagem publicada na Revista Ilustrada em julho, com exploração dos subterrâneos do Morro do Castelo pelo repórter Pires do Rio e um fotógrafo. |
| Acesso às galerias | Entrada feita por uma cisterna do antigo Colégio dos Jesuítas, com percurso até a antiga praia de Santa Luzia (atual Rua de Santa Luzia). |
| Salão central | Salão de pedra chamado “Sala dos Concílios”, de onde partiam os túneis principais. |
| Túneis principais | Um em direção à Ladeira da Misericórdia (trecho inicial ainda existente).- Um para a Rua da Quitanda.- Um para a atual Avenida Rio Branco. |
| Conexões adicionais | Dois túneis ligavam a Rua da Quitanda à Avenida Rio Branco, totalizando cinco vias subterrâneas. |
| Objetivo da exploração | Investigar a existência do suposto tesouro jesuíta, que incluía ouro e uma estátua valiosa de Santo Inácio de Loyola. |
| Resultado da exploração | Nenhum vestígio do tesouro foi encontrado. Os túneis foram sugeridos como vias de deslocamento, abastecimento de água ou depósitos de víveres. |
Morro do Senado

O morro do Senado foi arrasado no início do século XX, entre 1900 e 1910 durante as obras de construção de um novo porto do Rio de Janeiro.
O Morro do Senado era uma elevação localizada no centro do Rio de Janeiro, nas proximidades da atual Praça da Cruz Vermelha.
No início do século XX, ele foi totalmente desmontado como parte das grandes reformas urbanas da cidade, especialmente durante o governo do prefeito Pereira Passos.
As terras do desmonte foram utilizadas para a construção do porto, que aterrou áreas em frente ao Bairro da Saúde, Gamboa, o antigo “Saco de São Cristóvão ou São Diogo”, uma área de mar que entrava na terra.

Nota: O nome “Saco de São Cristóvão” refere-se a uma área que antigamente era uma enseada ou baía, que se estendia até a região onde hoje está o bairro de Santo Cristo. No passado, essa área era conhecida como “Saco de São Diogo” ou “Saco de São Cristóvão” e era uma parte do mar que entrava na terra. Com o tempo, essa área foi aterrada para dar lugar a novas construções e desenvolvimento urbano
A área do antigo Saco de São Cristóvão, é atualmente Bairro do Santo Cristo e algumas áreas e construções adjascentes.


Seu arrasamento começou em 1895 e se estendeu até 1906. O morro era praticamente desabitado e o objetivo da obra foi gerar lucros com a venda dos terrenos que seriam criados na futura Esplanada do Senado e áreas a serem aterradas.
A obra foi concluída na gestão do Prefeito Pereira Passos em 1905 e os entulhos utilizados para o aterramento da região Portuária do Rio e a construção da Av. Rodrigues Alves.
A derrubada do morro permitiu a construção das avenidas Mem de Sá e Gomes Freire.
O morro levava esse nome porque ficava localizado perto do Senado que funcionava na atual faculdade de direito da UFRJ (CACO). Mesmo derrubado a rua lateral chama até hoje Rua do Senado.

Morro de Santo Antônio

O Morro de Santo Antônio – na verdade, o que permanece dele – é o local onde se encontra o Convento e as Igrejas dos Franciscanos.
Até o século XIX, suas fronteiras se estendiam até as ruas do Lavradio, da Carioca, Senador Dantas e Evaristo da Veiga (antiga rua dos Barbonos).
Em 1633, a capela da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, instituída no Rio desde 1619, também foi erguida no topo da colina.

A capela da Ordem Terceira existe até hoje, mas a Igreja da Ordem Terceira mudou-se para o terreno ao lado do convento – doado pelos frades franciscanos na década de 1650 – e, atualmente, é um dos templos católicos mais ricamente ornamentados do Brasil.
As Prais Cariocas que Foram Destruídas
Até o final do século XIX, a cidade do Rio de Janeiro era cercada por uma ampla extensão de praias. Contudo, com o avanço dos aterros planejados para expandir o território urbano e viabilizar novas construções, grande parte dessas faixas de areia banhadas pelo mar desapareceu, transformando significativamente a paisagem natural da cidade.

Praia de Santa Luzia
Essa praia situava-se em frente à igreja homônima. Além do templo religioso, foi erguida na extinta praia a Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, fundada no século XVI e ainda em operação no mesmo local, que, na época, era considerado um espaço isolado devido ao Morro do Castelo.

No início do século XX, a praia de Santa Luzia representava uma opção de lazer para a população carioca. Contudo, em 1905, o prefeito Pereira Passos ordenou a construção de garagens para os barcos dos clubes de remo na área, marcando o início da descaracterização do espaço.

Em 1922, com a demolição do Morro do Castelo, foi criada a Esplanada do Castelo, embora ainda fosse possível nadar na praia de Santa Luzia, mesmo com a redução da faixa de areia. Na década de 1940, a ampliação do aterro para a construção do Aeroporto Santos Dumont resultou na eliminação do que restava da praia.

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| Localização e início | Praia situada no Centro do Rio de Janeiro, em frente à Igreja de Santa Luzia, cuja construção começou no século XVIII. Era separada do centro pelo Morro do Castelo. |
| Fato marcante (1817) | D. João VI abriu a Rua Santa Luzia para cumprir uma promessa à santa após a cura do neto D. Sebastião de uma doença nos olhos. |
| Uso no século XIX | Era uma praia utilizada para banhos de mar e lazer pelos cariocas. |
| Modificações (1905) | O prefeito Pereira Passos iniciou a descaracterização ao construir garagens para barcos de clubes de remo no local. |
| Impacto do desmonte (1922) | A derrubada do Morro do Castelo resultou na criação da Esplanada do Castelo, reduzindo a faixa de areia da praia, que ainda era usada para natação. |
| Eliminação definitiva | Na década de 1930, a ampliação do aterro para a construção do Aeroporto Santos Dumont extinguiu a praia e a Ponta do Calabouço. |
Praia da Gamboa

Nessa região, uma das principais atividades era a pesca. A Praia da Gamboa ficava ao lado da Praia da Saúde. No local, pescadores profissionais e moradores das redondezas construíam “gamboas” – pequenas represas destinadas à captura de peixes. Dessa prática surgiu o nome da praia.

Com a construção do porto do Rio de Janeiro, no século XX, foi necessária uma grande quantidade de aterro, que acabou por ocultar a Praia da Gamboa.
Sobre esses aterros, foram erguidas enormes construções conhecidas como trapiches, que funcionavam como grandes armazéns e depósitos.
Os cenários naturais e originais desapareceram, assim como as atividades de pesca que antes existiam. Os aspectos econômicos e culturais do local se transformaram completamente, e o bairro foi amplamente descaracterizado, assumindo as características de uma zona portuária.

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| Bairro da Gamboa | |
|---|---|
| Localização | Bairro da Zona Central do Rio de Janeiro, situado na Zona Portuária, em uma área de águas calmas da Baía de Guanabara. |
| Origem do nome | “Gamboa” pode significar “marmelo” ou “remanso no leito dos rios”, relacionado ao aspecto calmo das águas da região. |
| História (séculos XVIII-XIX) | Bairro aprazível e pitoresco, escolhido pela aristocracia e por ricos para chácaras e palacetes. Foi residência de figuras como o Visconde de Mauá e de grandes negociantes ingleses. |
| Decadência | A partir do final do século XIX, perdeu prestígio quando a elite passou a ocupar bairros como Catete, Glória, Flamengo e Botafogo, devido à proximidade com o porto. |
| Marco histórico | Abriga o Cemitério dos Ingleses, uma das necrópoles mais antigas do Brasil. |
| Guerra de Canudos (1897) | Após a campanha militar, a Gamboa recebeu soldados que criaram a primeira favela registrada, no Morro da Providência, inspirada no nome de um morro da Bahia. |

Resumo do Bairro Gamboa
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| Origem do nome | Derivado de “gamboas” ou “camboas”, pequenas represas feitas por pescadores para capturar peixes nas águas calmas entre a Praia da Saúde e o Saco do Alferes. |
| Nomes históricos | A região também foi chamada de Praia do Chichorro, das Palmeiras, do Propósito e do Lazareto. |
| Cemitério dos Ingleses | Fundado em 1809 por Lorde Strangford, o “British Burial Ground” foi criado para o sepultamento de protestantes, próximo à Praia da Gamboa e ao Morro da Providência. |
| Desenvolvimento urbano | O Barão da Gamboa abriu ruas e criou lotes urbanos em 1852 em sua vasta propriedade. |
| Atividades portuárias | Tornou-se uma área repleta de trapiches e armazéns, com expansão no ciclo do café. Em 1879, foi instalada a Estação Marítima no Saco da Gamboa. |
| Aterro e desaparecimento | O Saco da Gamboa foi aterrado no projeto do Cais do Porto (1903), ocupando a área com terminais ferroviários de carga. |
| Obra marcante | O Hospital Nossa Senhora da Saúde, tombado pelo Patrimônio Histórico, foi erguido em 1840 no Morro da Gamboa e desempenhou papel crucial no combate a epidemias. |
Praia do Russel

A Praia do Russel foi uma praia onde atualmente se localiza o Hotel Glória. No passado, era conhecida como Praia Dom Pedro I, em razão da presença do Imperador, que costumava frequentá-la.
O nome foi alterado em 1869, coincidente com o início das atividades da Rio de Janeiro City Improvements Limited, a primeira empresa encarregada do tratamento de esgoto na cidade.
Essa mudança de nomenclatura foi uma homenagem ao engenheiro João Frederico Russel, que detinha os direitos de exploração deste serviço. A praia foi obliterada na década de 60 devido à construção do Aterro do Flamengo.

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| Localização | Praia do Russel |
|---|---|
| Localização | Situava-se no local onde hoje está o Hotel Glória, sendo uma continuação da Praia do Flamengo. |
| Nome original | Inicialmente chamada de Praia D. Pedro I. |
| Mudança de nome | Renomeada em 1869, devido à concessão dos serviços de tratamento de esgotos à Rio de Janeiro City Improvements Limited, pertencente a um banco inglês. |
| Origem do nome “Russel” | Nome derivado de João Frederico Russel, engenheiro filho de ingleses que originalmente obteve a concessão para o tratamento de esgotos no Rio de Janeiro. |
| Demolição do palacete | O palacete de Russel foi demolido em 1920 para a construção do Hotel Glória. |
| Desaparecimento da praia | A praia desapareceu completamente na década de 1960 com a construção do Aterro do Flamengo. |
Praia da Ajuda

O nome oficial inicial da região que atualmente abriga a Cinelândia foi Campo (ou Largo) da Ajuda, em razão da ermida dedicada à Nossa Senhora da Conceição da Ajuda, construída nesse local logo após a expulsão dos franceses da Baía de Guanabara.
O estreito de areia que se localizava próximo à Lagoa do Boqueirão era conhecido como Praia da Ajuda. Essa área foi aterrada juntamente com a Lagoa, e atualmente, situa-se o Passeio Público.
Praia de São Cristovão e Enseada dos Alferes
Pequena enseada situada entre o Enseada de São Diogo e a Gamboa, no coração da cidade do Rio de Janeiro. No século XVII, a área era de propriedade do alferes Diogo de Pina, o que originou o nome atribuído à praia local.

A região, designada também como praia Formosa, era, até a segunda metade do século XVIII, dedicada à plantação de canaviais, permanecendo em sua maior parte desabitada. A urbanização ocorreu no final do século XVIII, com a construção do cais do Valongo, intensificando-se após a chegada da corte em 1808.

A significativa movimentação comercial no porto do Rio de Janeiro ocasionou uma reconfiguração do espaço portuário, abrangendo a região do Saco do Alferes e a Gamboa. Foram erigidos armazéns e trapiches, resultando na abertura de novas ruas e na instalação de um curtume dotado de cais próprio (Cf. LAMARÃO, Sérgio Tadeu de Niemeyer.
Com a construção do Porto do Rio na primeira década do século XX, entre 1904 e 1910, o Saco de São Cristóvão e demais partes da orla abrangidas pelo projeto foram aterradas.

Toda aquela faixa de mar que ficava entre o Morro de São Diogo e antiga Praia de São Cristóvão até o Cajú foi inteiramente aterrada para dar lugar à esta área onde hoje existe o Bairro do Santo Cristo, Rodoviária e Avenida Francisco Bicalho.


Praia Dom Manuel

O trecho entre a Praia Dom Manuel e as proximidades do Arsenal de Marinha foi indicado nas antigas plantas da cidade com o nome de Praia do Peixe, incluindo o local onde, no século XIX, foi instalado um mercado.
Até o início do século XVIII, existia no local um comércio desenvolvido de peixes, oriundos das pescarias e dos produtos salgados destinados ao consumo público, que eram vendidos em barracas e telheiros.
Do outro lado da Praça XV, ficava a Praia Dom Manuel, que, no início da colonização, se estendia até as proximidades da Rua Primeiro de Março.

Ambas as praias, assim como a praia em frente à Praça XV, foram progressivamente recuando com o passar do tempo, até se transformarem em cais para embarcações, desaparecendo, assim, do cenário natural.
Prainha
Onde hoje é o Largo de São Francisco da Prainha havia uma pequena praia, denominada Prainha, que se estendia até onde hoje é a área do Porto Maravilha e Museu do Amanhã.

Praia da Saúde
Antigamente, o Bairro da Saúde abrangia a área que hoje compreende o Bairro da Gamboa; a Gamboa foi desmembrada e passou a existir oficialmente como bairro apenas no início da década de 1980, embora pudesse ser reconhecida como uma área adjacente, porém distinta.

A Construção das Docas ou Porto do Rio de Janeiro mudou a orla da Saúde e Gamboa

A área da Enseada da Saúde e Gamboa já era cobiçada pelo governo imperial desde de 1871, quando então se pensava em construir no local as Docas de Dom Pedro II. Nesta época existia a necessidade resolver o problema de atracação de navios no Rio de Janeiro, de forma moderna e produtiva para a época.
Entretanto, isto somente ocorreu de fato, nos primeiros anos da República. A construção do cais do porto somente tomou lugar na década de 1900, quando então foi executado um grande aterro, utilizando material do desmonte do Morro do Senado que começou a ser demolido em 1891.
O Morro do Senado ficava onde foi feita a Praça da Cruz Vermelha e ruas ao redor.
O Surgimento do Termo “Favela” Ocorreu No Bairro da Saúde
Uma parte do Bairro da Saúde, chamada Gamboa, recebeu nas encostas do Morro da Providência um enorme contingente de soldados desmobilizados, cujo procedência era do Norte e Nordeste, soldados estes que haviam participado da campanha de Canudos, no interior da Bahia.

Estes soldados haviam sido convocados para lutar contra os aliados de Antônio Conselheiro, um místico que arregimentou um exército de seguidores, e somente foi derrotado após algumas batalhas.
Estes soldados, não tendo habitação adequada e nem alojamento, passaram a erguer construções bastante precárias, que passaram a ser chamadas de Favela.
Na verdade o nome Favela se referia à um local que ficava na divisa com o arraial de Canudos, no Estado da Bahia, local este por onde os soldados passaram ou ficaram anteriormente, em função da campanha militar.
Antigas Lagoas do Rio de Janeiro
O Rio de Janeiro encontrado pelos portugueses no início do século XVI era muito diferente do que vemos hoje. Um território difícil e alagado, cercado por montanhas com densas matas, inúmeras lagoas, manguezais e praias. Inúmeras lagoas foram aterradas com o desenvolvimento da cidade e o processo civilizatório.

A aparência das terras do local onde seria a Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, ainda no século XVI, era um território de complexa e complicada topografia e geografia.
As partes baixas eram alagadiças e com muitos mangues, tendo os morros e as montanhas apontando quase que como ilhas.

Uma vegetação abundante nas baixadas escondia esses brejos e pelas encostas se estendiam densas florestas, de mata cerrada e hostil aos conquistadores que aqui chegaram e precisavam desbravar.
De relatos de colonizadores e viajantes que aqui estiveram, as primitivas lagoas que se estendiam pelas terras baixas do Rio de Janeiro foram sendo extintas como forma de ganhar espaço e como medida saneadora, e para tal eram feitos aterros.

Para os primeiros colonizadores, aterrar e exandir as faixas de terra era algo necessário.

A cidade assim se expandiu, rumo ao Sertão (direção do que é hoje o Campo de Santana) e rumo à antiga Cidade Velha (Morro Cara de Cão ou Zona Sul). O aterro das lagoas era um símbolo de progresso na luta pela civilização.
Para ver como era densa a vegetação das matas das encostas, e sentir toda a sua grandeza, uma boa ideia é fazer uma passeio na Floresta da Tijuca.
Para ter uma idéia de como era a vegetação de restinga e manguezais vale à pena uma visita Parque Ecológico do Recreio do Bandeirantes ou ao Bosque da Barra onde matas e vegetação de baixadas são preservadas com seu ambiente natural
Fonte: Rio de Janeiro Aqui
Lagoa de Santo Antônio
A primeira lagoa a ser aterrada foi a Lagoa de Santo Antônio, localizada onde posteriormente se estabeleceu um curtume. Este corpo d’água encontrava-se na área que atualmente corresponde ao Largo da Carioca.

Acredita-se que, durante as marés altas, esta lagoa se estendia até o mar, seguindo pelo trajeto onde hoje se localiza a Avenida 13 de Maio ou antiga Rua da Guarda Velha.

Inicialmente eles construíram uma vala para onde iam os dejetos dos moradores da região, que inclusive acabou dando nome a uma das ruas mais movimentadas da cidade: a Rua Uruguaiana, que chamava-se na época Rua da Vala, e estabelecia os limites do urbano.
A cidade terminava ali. Para o além era o “sertão”, a roça, no vocabulário atual. Mas pelo visto não deu muito certo: o aterro ocorreu no final do século XVII e sabe-se que a região não era das mais agradáveis: ali existia um curral e um curtume, que com certeza não devia ter um odor dos mais agradáveis.
Quando foram feitas escavações para a construção das fundações do Teatro Municipal, no local foi encontrada a quilha de uma embarcação afundada no local.
Nota: Estabelecimento onde se curtem couros.Local onde é possível tratar o couro com um líquido específico para suavizar seus efeitos e/ou cessar seu aspecto orgânico.

Lagoa da Sentinela ou Lagoa de Capueiruçu
Ficava no antigo caminho para Mataporcos (antigo nome do Bairro Estácio) e Engenho Velho.

O local de sua existência seria onde as Ruas Matacavalos (atual Rua Riachuelo) e Rua do Conde (atual Frei Caneca) se encontram, muito próximo ao bairro do Catumbi. Como referência, pode-se dizer também que situava-se ao lado do Morro do Senado que foi desmantelado no início do século 20.
FIM
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