Não foi preciso ir muito longe para conhecer as lendas de Guararema, já que as histórias sobre a fundação do município estão repletas de relatos fascinantes que refletem a cultura e a história da cidade.
A lenda da santa com uma escada para o céu, a imagem de São Longuinho resgatada do lixo e a generosidade de uma senhora rica com sua antiga escrava conectam o passado ao presente da cidade, inspirando as novas gerações a manterem vivas suas tradições.
Ficha Técnica
| Localização | Zona leste, Grande São Paulo |
| Fundação | 1652, por Gaspar Vaz da Cunha, o Capitão Mor de Mogi das Cruzes. O local recebeu o nome de “aldeamento da Escada” |
| Origem do Nome Guararema | Tupi: byrá (árvore, pau) e rem (fedorento), referindo-se ao pau-d’alho, árvore símbolo do município |
| Primeiro Europeu a pisar na Cidade | Brás Cubas, em 1562, durante suas incursões pelo Rio Paraíba à procura de ouro |
A Escada da Santa

No século XVI, era costume de algumas tribos indígenas brasileiras posicionar uma escada sobre as sepulturas durante os rituais funerários, acreditando que isso ajudaria a alma a ascender ao reino de Tupã.
Em 1654, frades capuchinhos chegaram ao Arraial da Escada, que mais tarde se tornaria a cidade de Guararema, e, buscando integrar as crenças indígenas ao cristianismo, esculpiram degraus ao redor da imagem de Nossa Senhora da paróquia para facilitar o processo de catequização.
Algum tempo depois, ao tomar ciência do ocorrido, o Padre da Vila de São Miguel, com o apoio do Vigário de São Paulo, ordenou a retirada dos penduricalhos das imagens sagradas, além de mandar prender 46 índios da aldeia da Escada.
No entanto, os vereadores de Mogi das Cruzes, juntamente com a população de São Miguel, conseguiram resgatar tanto os índios quanto as imagens, evidenciando as tensões entre as tradições locais e os interesses religiosos.
Fatos Curiosos Sobre a Igreja Nossa Senhora da Escada:
| Arquitetura | Tipicamente barroca, com paredes de taipa de pilão e pau a pique. |
| Padrão arquitetônico | Representa a arquitetura dos primeiros séculos de colonização do Brasil. |
| Singularidade da Igreja | Única no Brasil com a imagem de São Longuinho no altar, o Santo dos objetos perdidos. |
| Personagem histórico enterrado | Frei José de Santa Bárbara Bittencourt, falecido em 1890, está enterrado no centro da igreja. |
A Origem de Guararema: Entre a Fé e a Generosidade

Em 1875, uma senhora muito rica chamada Dona Laurinda de Souza Leite, que morava no Arraial da Escada, movida por sentimentos religiosos, decidiu ajudar uma ex-escrava chamada Maria Florência.
Dona Laurinda doou a Maria um quinhão de terra localizado às margens do rio Paraíba, em um terreno plano a cerca de 6 km do Arraial, um pouco acima do Ribeirão Guararema.
Profundamente devota, Maria Florência resolveu construir uma capela em homenagem ao santo de sua devoção, São Benedito, em uma parte da terra recebida.
Com o auxílio de outras pessoas e economias próprias, Maria conseguiu terminar a Capela de São Benedito em pouco tempo.
À medida que o tempo passava, mais pessoas começaram a se estabelecer ao redor da capela, formando um vilarejo. O lugar passou a se chamar “Guararema”, nome de origem tupi-guarani que significa Pau D’Alho, devido à abundância dessa árvore na região.
Construções Históricas

A Capela Nossa Senhora D’Ajuda foi construída em 1682, sendo uma das mais antigas construções coloniais do Estado. Erguida em homenagem à Nau Nossa Senhora da Ajuda, da frota de Martim Afonso, a capela recebeu uma das seis imagens trazidas ao Brasil em 1532.
Servindo como núcleo religioso das fazendas próximas, também funcionava como cemitério: os senhores eram enterrados no templo, e os escravos, atrás da capela.
Em 1927, o artista sacro José Benedito da Cruz pintou o forro com a imagem de Nossa Senhora e 11 querubins.
A capela ainda abriga uma imagem de Nossa Senhora D’Ajuda, em terracota, possivelmente de origem portuguesa.
Dona Luiza e a Imagem Perdida: A Origem de São Longuinho
A história da Freguesia da Escada começa em meados do século XVI, quando formou-se um núcleo de povoação. No entanto, foi somente no século XIX que a capela em homenagem a Nossa Senhora foi construída, e a santa passou a ser conhecida pela escada que carrega nas mãos.

Anos depois, uma lenda relacionada a São Longuinho começou a se espalhar entre os devotos da igreja.
Diziam que ele era um centurião romano que, ao abrir as chagas de Cristo para aliviar seu sofrimento, recebeu o sangue misturado com vinagre nos olhos, o que o curou de um problema de visão.
A história é narrada por Dona Luiza Mendes, de 85 anos, que encontrou a imagem de São Longuinho jogada no lixo em 1951.
Ela colocou um manto branco na imagem e a guardou na sacristia. Com o passar do tempo, surgiram os pagadores de promessa, mas Dona Luiza não conseguiu colocar o santo no altar.
Anos depois, São Longuinho realizou um milagre que lhe garantiu um lugar de destaque ao lado de Nossa Senhora da Escada, com a aprovação da Igreja.
Em 2003, a festa em homenagem ao santo foi oficializada para o dia 15 de março, com a aprovação da Câmara Municipal da cidade. Aqueles que fazem promessas e conseguem realizar uma causa perdida costumam marcar presença na festa, dando pulinhos em agradecimento.
A Pedra Montada
No Parque Municipal da Pedra Montada, em Guararema, existe uma formação rochosa curiosa. (Veja a foto). A estrutura é composta por duas grandes pedras sobrepostas, que parecem estar equilibradas, criando uma imagem impressionante para os visitantes.

Embora não haja um registro claro sobre a origem exata das pedras, sua formação é considerada uma obra da natureza, possivelmente resultante de processos geológicos ao longo de milênios.
A Lenda
De acordo com a tradição, a formação da Pedra Montada é resultado de um amor impossível entre uma índia e um guerreiro de tribos diferentes. Para que seu amor não acabasse, a índia pediu ajuda aos deuses, desejando que eles se transformassem em pedras para ficarem juntos para sempre.
Os deuses atenderam ao seu pedido, e a índia virou a pedra de cima, enquanto o guerreiro se tornou a pedra de baixo.
Essa história de amor eterno e sacrifício é contada pelos moradores da região, que visitam o parque para admirar a beleza das rochas e refletir sobre a importância das lendas e da natureza.
FIM