Imagine a cena: um professor de português presencia um aluno incorporando um espírito bem no meio da sala de aula. Esse episódio foi relatado por um professor durante o intervalo escolar.

Em maio de 2016, durante uma aula de língua portuguesa ministrada por um professor da rede municipal de São José dos Campos, uma aluna do EJA, com idade entre 40 e 45 anos, supostamente teria incorporado um espírito dentro da sala de aula.
Essa história percorreu os corredores da Rede Municipal naquele ano como um rastilho de pólvora e, em pouco tempo, já havia se tornado uma das lendas urbanas mais intrincadas da cidade.
O Relato
A escola Flávio Berling, localizada na Vila Maria, região central de São José, fica a duas quadras do cemitério municipal. Os alunos dessa escola participam de um projeto da prefeitura de inclusão, chamado PIQ, “Programa de Incentivo à Qualificação”.
O projeto é voltado para adultos acima dos 40 anos, que estudam de manhã e trabalham o resto do dia. A bolsa é oferecida exclusivamente aos adictos, que são os dependentes de drogas ilícitas.

— A história a seguir foi extraída de uma fonte primária:
Segundo o relato, o professor estava adiantando uma aula de artes, e tudo transcorria normalmente.
Nota: Adiantar aula quer dizer estar presente em duas salas ao mesmo tempo.
Segundo o professor, ele teria ido para outra sala apresentar a matéria do dia, que abrangia a interpretação de texto e um desenho. O texto era a letra de uma música de Chico Buarque (Cálice).
Nota: a letra é essencial para compreender a história.
“Pai, afasta de mim esse cálice (cale-se)
De vinho tinto de sangue.”
O refrão estabelece uma analogia com o texto do Evangelho de São Mateus, trocando o cálice por “cale-se”. O professor colocou a música para tocar e retornou para sua sala. Porém, algo surpreendente aconteceu.

Contam que essa aluna mencionada durante a chamada foi para a frente da sala e começou a dançar uma coreografia de dança do ventre, mas que remetia a manifestações de cultos em igrejas neopentecostais.
Os alunos olharam atônitos para o professor, sem entender nada. Eles começaram a rir de vergonha, porém a aluna continuava a dançar.
O professor notou a movimentação, mas decidiu ignorar, já que, segundo ele, de manhã leva um tempo para despertar. Ele continuou focado na chamada, até que, do fundo da sala, um senhor gritou:
— Saia daí, sua louca, está passando vergonha!

A mulher parou imediatamente com a dança, mudando a personalidade. Fez um gesto com o dedo apontando para esse senhor e disse, com uma voz masculina que não era a sua:
— Escuta aqui, eu não estou bem hoje, não!
Ela disse outras coisas, mas ninguém entendeu. O professor mandou a aluna sentar-se. Ela veio em direção à sua carteira e começou a esfregar-se pelas beiradas, como um gato roçando na perna do dono. Ela disse num tom semierótico:
— Aí, meu professorzinho, estou com tanta vontade… me pega…
O professor, constrangido e irritado, disse com energia:
— Vá sentar agora!

Nota: essa história ocorreu com um professor jovem, de cerca de 27 anos, enquanto a faixa etária dos alunos do PIQ era superior a 45 anos.
A aluna então ficou em posição ereta, encarando o professor com os olhos arregalados, como se tivesse mudado de personagem novamente.
Ela então grudou na gola da camisa do professor de 1,92 m de altura; este ficou sem reação e sentiu uma descarga de energia em seu corpo, como se tivesse colocado o dedo na tomada. Segundo o relato de alguns alunos, ela teria dito algo como:
— Você pensa que eu não sei quem você é? Eu já te vi lá na viela da encruzilhada perto do Rio Paraíba!
Ela teria dito outras coisas desconexas, mas ninguém entendeu. O vocabulário era típico de quem entende de feitiçaria.
Interpretações

De acordo com alguns alunos evangélicos, o professor teria sofrido um quebrante e, por isso, não conseguiu soltar a mão da aluna de sua gola, mesmo com a pouca altura da estudante.
Após esse incidente, outros fatos sobrenaturais também aconteceram na escola.
Uma semana após o ocorrido, o professor, ao botar a cabeça dentro da sala para chamar uma professora, teria provocado a explosão de uma lâmpada que estava desligada, fato que intrigou todos os alunos.
O professor explicou o caso e disse que tinha ido a uma igreja no final de semana e pedido oração, por isso a afronta.
Segundo ele, que afirma ser cristão, esses acontecimentos se devem ao fato de a escola ter um público de adictos, ou seja, pessoas mais suscetíveis à influência do mal.
“O espírito que se manifestou na aluna era o da pomba-gira”, segundo esse professor, por conta do comportamento luxurioso. Isso foi confirmado também por alguns alunos que têm a mesma crença dele.