A Vila São Geraldo, em São José dos Campos, era um vilarejo parco na década de 60, com poucas casas e ruas de terra batida. Nos dias de frio o povo se reunia em torno da fogueira para ouvir minha avó contar histórias:
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“Escutem bem, crianças… Vocês conhecem a estrada velha de Campos do Jordão? – Não! – Pois bem, não importa, pois foi ali naquelas bandas viveu um fazendeiro que não tinha alma no corpo.
O homem era uma ruindade só. Dizem que ele fez tanto mal que, no final da vida, a própria terra rejeitou esse infeliz; e ele virou um assombração porque nem o chão deu descanso pra ele…’
Esse fazendeiro tratava mal a família e os empregados. Um dia, cansados de tanto sofrimento, os parentes resolveram abandoná-lo, deixando-o sozinho e doente; alguns anos depois, ele faleceu.
Hoje eu sou a bisavó de vocês, certo? – Certo! Mas a minha bisavó – Pensem o tanto de tempo? – Pois bem, a bisa – contava que, quando criança, costumava pegar manga na fazenda que pertenceu a esse velho.
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Um dia, junto dos amigos, resolveram entrar no antigo casarão abandonado. Ao atravessarem o cômodo da cozinha, tiveram uma desagradável surpresa.
Uma figura esquelética, feita apenas de pele e ossos, avançava lentamente pela cozinha deserta, vindo na direção deles. Tomados pelo medo, saíram correndo daquele lugar.
A Lenda
– Então esse foi o primeiro corpo seco da história? – perguntei para minha avó na época. – Sim, até hoje o povo acredita que esse evento marcou o início da lenda do ‘corpo seco’; e na estrada SP-50, perto dessa fazenda, um homem com características semelhantes aparece diante dos veículos, causando acidentes.
No entanto, quando os motoristas saem do carro para ver no que bateram, achando que atropelaram alguém, ficam surpresos ao perceber que não há ninguém por perto.
FIM
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