Lorena é uma cidade histórica do Vale do Paraíba (SP) que ganhou relevância no século XVIII como paragem oficial do Caminho Novo da Piedade. Estrategicamente posicionada no eixo Rio-São Paulo-Minas, a antiga povoação de Guaypacaré funcionava como entreposto crucial para as tropas de ouro e café, consolidando o comércio regional e impulsionando a expansão territorial brasileira.

Resumo Histórico
A cidade de Lorena surgiu da necessidade de atravessar o rio Paraíba do Sul para alcançar Minas Gerais pelo Caminho Novo de Piedade.
As condições do rio naquele trecho permitiam a travessia, fazendo do lugar um ponto estratégico para tropeiros e viajantes que seguiam rumo à serra em busca das Minas Gerais.
Assim, a região ficou conhecida como “Porto Guaypacaré”, nome de origem tupi que quer dizer “Braço” ou “Seio da Lagoa Torta”.
Esta denominação deve-se à parte calma do rio que se assemelha a um cotovelo, e à área de várzea que, durante as cheias, formava uma lagoa.
Nota: A Rota de Piedade, também conhecida como Caminho Novo, é um dos trajetos históricos da Estrada Real, criada no século XVIII para ligar as minas de ouro de Minas Gerais ao Rio de Janeiro. Passando pelo Vale do Paraíba e por regiões de SP e RJ, foi uma via essencial para o transporte do ouro e o surgimento de núcleos populacionais. Hoje, é um atrativo turístico que mantém vivos os vestígios coloniais.
Lorena também se destacou na luta pela independência do Brasil, contando com a participação de figuras de destaque, como o Barão de Santa Eulália.
Além disso, a cidade é conhecida por suas importantes contribuições para o desenvolvimento regional, para o patrimônio histórico do país e, sobretudo, por suas lendas folclóricas.
Ficha Técnica
| Nome Atual | Lorena |
| Primeiro Nome da Cidade | Hepacaré (tupi-guarani: “lugar das goiabeiras”) |
| Data de Fundação | 14 de novembro de 1788 |
| Município da qual fez parte | Guaratinguetá |
| Nome Atual em Referência a | Bernardo José Lorena (ex-governador da Província de São Paulo) |
| Pessoas Importantes que Passaram pela Cidade | Conde de Moreira Lima, Princesa Isabel, Dom Pedro II, Almeida Júnior, Barão de Parnaíba, conselheiro Antônio Prado |
| Residência de Euclides da Cunha | De 1901 a 1903, o famoso escritor brasileiro Euclides da Cunha morou em Lorena. Ele viveu na Rua Dom Bosco, a mesma onde atualmente está localizado o DOM Apart Hotel. |
Lorena e a Viagem de Independência

Na noite de 18 de agosto de 1822, Dom Pedro chegou a Lorena, uma vila de grande relevância política na época. Ali, hospedou-se na residência do capitão-mor Ventura José de Abreu, figura proeminente do período.
O futuro imperador cumpriu uma agenda pública na cidade, onde plantou uma palmeira no local que se tornaria a Rua das Palmeiras, no centro do município, e visitou a antiga Casa de Câmara e Cadeia e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.
A Visita da Família Real Brasileira a Lorena

Sessenta e dois anos depois da visita de seu pai, em 1884, Dom Pedro II visitou Lorena.
Na época, aos 59 anos, sua passagem pela cidade foi marcada por impropérios e crônicas folclóricas repletas de absurdos. A agenda da Família Imperial e de sua comitiva previa um percurso pelas cidades do Vale do Paraíba.
O monarca buscava apoio em meio ao descontentamento dos nobres, devido às leis que apontavam para o fim definitivo da escravidão, entre elas: Lei Eusébio de Queirós (1850), Lei do Ventre Livre (1871).
O avanço tecnológico da segunda metade do século XIX permitiu que os repórteres relatassem com apenas um dia de diferença os detalhes minuciosos dessa última viagem de D. Pedro II pelo Vale do Paraíba.
Mas antes de relembrarmos essa visita de Dom Pedro II a Lorena, vamos nos inteirar sobre um personagem crucial dessa passagem.
Lorena: Terra do Conde de Moreira Lima

Talvez os habitantes da cidade não estejam cientes, mas o Conde de Moreira Lima (⭐11-06-1842 — 02-07-1926✝️), militar e fazendeiro, é considerado o “pai” de Lorena.
As suas ações em prol da cidade, aliadas ao seu estreito relacionamento com a Família Real Brasileira, não apenas projetaram Lorena no cenário do século XIX, mas também o elevaram de Visconde a Conde em 1885, tornando-se o único Conde do Vale do Paraíba.
Estes são os motivos:
| Praça com Biblioteca | A praça onde está a Biblioteca leva o nome do Conde, e também apresenta seu busto. |
| Santa Casa de Misericórdia | A Santa Casa de Misericórdia, que já levou o nome do Conde, reconhece-o como patrono fundador. |
| Igreja de São Benedito | A belíssima Igreja de São Benedito foi uma das obras mais suntuosas do Conde. |
| Detalhes da Igreja de São Benedito | Na entrada da igreja, num muro de azulejos, pode-se notar que ela foi construída pelo Conde. |
As Lendas
História Sombria da Praça de Lorena

Antes de se tornar a Praça Arnolfo Azevedo, a área central de Lorena era conhecida como Largo Imperial.
Naquela época, o local era um campo abandonado, coberto por vegetação, e havia apenas um caminho que servia para a passagem de carroças, burros e cavalos.
Além disso, o Largo funcionava como pasto para o gado, abrigo para porcos e um ponto de descanso para os tropeiros que atravessavam a vila.
O Largo Imperial também foi cenário de diversas execuções. A forca era montada no centro da praça e, segundo relatos históricos, os condenados à morte eram geralmente escravos envolvidos em conflitos com seus feitores ou acusados de outros delitos.

O carrasco, muitas vezes, era um prisioneiro da Cadeia de Lorena ou de cidades vizinhas, e os enforcamentos atraíam um grande número de espectadores.
Com o fim da escravidão, a forca permaneceu montada no Largo durante décadas, e a madeira ficava disponível para quem quisesse levá-la.
No entanto, ninguém a retirava, pois uma lenda afirmava que “aquela madeira trazia azar.”
Registro de Execuções na Praça Arnolfo Azevedo

Faustino Cesar, em sua obra “Resenha Histórica de Lorena”, relata na página 73 que, em 9 de fevereiro de 1854, José Lemos foi condenado à pena de morte pelo Júri por assassinar seu tio e padrinho, o Guarda-Mor Bento Fernandes Simões, em troca de 4.000 réis e um ponche.
Nessa época, a forca já havia sido erguida no Largo do Cemitério, e a execução aguardava a chegada do condenado para o trágico espetáculo.
No entanto, a notícia chegou de que Lemos havia falecido de varíola na Cadeia Pública de São Paulo antes que a sentença pudesse ser cumprida.
A Carta de Alforria

Durante a visita de Dom Pedro II a Lorena, os vereadores da Câmara Municipal se reuniram para adquirir um Livro de Ouro, com o objetivo de recolher assinaturas e doações em dinheiro para a compra de cartas de alforria.
Nota: O Livro de Ouro, no século XIX no Brasil, foi o registro solene de assinaturas que celebrou a abolição da escravatura, incluindo a da Princesa Isabel. Tornou-se um símbolo histórico dos apoiadores da Lei Áurea. Embora o termo tenha outros usos em diferentes contextos, seu significado principal liga-se diretamente a esse momento decisivo de 1888.
Esse ato simbólico já ocorria nas cidades do Vale Fluminense e tinha como objetivo agradar principalmente à Princesa Isabel.
Segundo as atas da Câmara de Lorena daquele ano, a primeira assinatura deveria ser a de Dom Pedro II.

E assim foi. O Imperador não apenas assinou, mas também doou 500 mil réis para a comissão responsável.
Outra comissão foi organizada para arrecadar dinheiro suficiente para a libertação de duas escravas.
As cartas de alforria dessas duas mulheres foram entregues pessoalmente pela Princesa Isabel.
Embora o gesto tenha sido louvável, as histórias que se propagaram nas páginas dos jornais da época eram verdadeiramente risíveis.
Segundo os relatos, as duas escravas mantinham um romance com os vereadores, e um dos escrivães, em conluio com eles, teria encontrado um jeito de desviar os recursos destinados à alforria, já que ambas haviam sido “libertadas” anos antes.
Algumas Informações Históricas
| 1718 | Início do 1º Livro do Tombo da Matriz de Lorena, criação da Paróquia e registro da existência da Irmandade da Senhora do Rosário e da Irmandade do Rosário dos Pretos. |
| 1855 | Às 3 horas da madrugada, o edifício da Câmara e Cadeia, que ficava de frente para a Igreja do Rosário, foi incendiado. O carcereiro fugiu, e o sacristão da Igreja demorou para tocar o sino em sinal de alarme. |
| 1861 | O beco que partia do Largo do Rosário se ligou à então Rua Alegre, formando um cotovelo. |
| 1865 | A Rua do Rosário passou a chamar-se Rua Hepacaré, nome que permanece até hoje. Na noite de 1 para 2 de dezembro, houve outro incêndio no edifício da cadeia. |
| Século XIX | A Capela do Rosário possuía uma torre. |
| 1881 | A população escrava somava 3.275 pessoas em uma população total de 13.532 habitantes, representando mais de 40% da população total em 1890. |
| Cemitério | Atrás da Igreja Matriz Nossa Senhora da Piedade de Lorena, existiu o Cemitério da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, um campo santo destinado a pretos e pobres. |
A Hospedagem Mal-Assombrada da Família Real

Dom Pedro II, Princesa Isabel e seu marido, o Conde D’eu, hospedaram-se na luxuosa residência do Conde Moreira Lima.
No distante século XIX, essa casa foi palco de festas e bailes suntuosos, e hospedou os mais expressivos vultos de nobreza imperial brasileira.
Em seu diário, a Princesa Isabel, além de destacar a beleza primorosa do palacete, relatou alguns eventos assustadores ocorridos na mansão.
Diário da Princesa Isabel, 5 de novembro de 1884
“Hoje, em mais um dia de minha passagem pelo Vale do Paraíba, estou hospedada na residência do Visconde de Moreira Lima, em Lorena. Após um agradável jantar, que aconteceu das sete às nove horas, retirei-me para descansar, mas, no meio da madrugada, levantei-me com o intuito de tomar água.

Enquanto me encaminhava até a escrivaninha, a luz dos lampiões iluminou um quadro.
Detive-me para contemplá-lo, segurando o copo d’água, quando, para meu espanto, a figura ali retratada pareceu piscar os olhos.
O susto foi tão intenso que, subitamente, senti uma dor aguda no ventre e derramei o copo no chão. Para minha surpresa, comecei a sangrar pelas pernas.
Chamei minha dama de companhia, que possui conhecimentos em medicina e ervas.
Ela explicou que o sangramento poderia indicar a perda de um filho, de uma gestação da qual eu não tinha conhecimento.
Sinto uma imensa tristeza, pois, após anos de tentativas e, finalmente, tendo nossos três filhos que embelezam a corte, esta revelação é um fardo que carrego com profundo pesar.
Agradeço a Deus pelos filhos que tenho e registro este acontecimento com o coração aflito.”
Diário da Princesa Isabel, 6 de novembro de 1884

“Hoje, ao romper da aurora, minha acompanhante, cuja conduta foi marcada pela discrição, obteve com sucesso a visita de uma curandeira.
Em um recinto privado nas dependências do palacete do Visconde de Moreira Lima, a curandeira conduziu uma sessão espiritual.
Com sua elocução enigmática, ela revelou que não houvera a perda de um filho, como temido.
De acordo com ela, os ventos traziam indícios de eventos futuros incertos e desfavoráveis, dentre os quais uma possível viagem para a Europa e um conflito político ainda nebuloso.
A curandeira explicou que o sangue que eu testemunhara nada mais era do que a alma do meu futuro filho recusando-se a encarnar devido aos maus presságios que envolviam a monarquia.
Experimentei um alívio ao escutar suas palavras, embora a atmosfera continuasse impregnada de inquietação.
Anseio regressar à corte, pois os eventos sobrenaturais presenciados no Vale do Paraíba ultrapassam minha capacidade de compreensão. Desejo retomar minha rotina habitual e afastar-me dessas premonições perturbadoras.”
A Morte do Conde Moreira Lima

No dia 1º de outubro de 1925, um senhor com um sobretudo longo e escuro corria pela Rua 15 de Novembro, hoje conhecida como Rua Dom Bosco, enquanto outro homem, com uma espingarda em riste, corria em seu encalço.
O senhor corria com tamanha destreza que não se atentou aonde estava passando e, ao cruzar a rua da linha férrea, a máquina de um trem de passageiros atingiu-o com um golpe tão violento que ele sofreu uma grave fratura.
Esse senhor, segundo a lenda, seria o Conde Moreira Lima, que fugia do marido de sua amante. Após esse acidente, ele teria ficado incapacitado para sempre.
Ele sobreviveu por mais nove meses e morreria, deixando a sua esposa, que também era a sua sobrinha.
Dona Risoleta não deixou descendentes. E assim, sua história se perdeu no tempo, marcada por esse trágico evento.
Lorena, Berço da Renovação Carismática Católica no Brasil

O jornal Guaypacaré, datado de 1986, página 14, registrou em seu anuário que “a Igreja do Rosário em Lorena estava recebendo fiéis que desejassem participar do Grupo de Orações ‘Deus Conosco’, liderado por ‘Tia Laura’.”
Durante muitos anos, milhares de fiéis lotaram essa igreja, provenientes de diversas partes do Brasil, incluindo personalidades notáveis, como o cantor Sérgio Reis e o enxadrista Mequinho.
Em 1990, um estudante de educação física paulistano, que na infância participara de grupos de oração, mas que na adolescência havia se afastado da fé, voltou a frequentar naquele ano os encontros católicos, após a dolorosa perda de um primo.
Durante as orações, esse jovem recebeu uma profecia de Tia Laura: “Ele será um futuro sacerdote”.
O jovem em questão chamava-se Marcelo Mendonça Rossi e, após se consagrar sacerdote, ficou conhecido como Padre Marcelo Rossi.
O padre, identificado com o carisma de Tia Laura na Renovação Carismática Católica (RCC), que evoca a alegria do Espírito Santo, aplicou os movimentos de ginástica que aprendeu no curso de educação física às coreografias dos louvores católicos.
Quem não se lembra: 🎵 “Louvemos ao Senhor, braço direito, braço esquerdo…“

Laura Mendes da Silva (⭐ 24 de outubro de 1916 – ✝️ 31 de dezembro de 1991), a Tia Laura, possuía um carisma singular, sendo frequentemente referida como “milagrosa” pelos fiéis e destacando-se por sua fé inabalável.
A praça em frente à Igreja do Rosário e as ruas adjacentes frequentemente ficavam congestionadas por carros, ônibus e vans que transportavam peregrinos.
Ela realizava orações por crianças doentes e adultos, rezava o terço, exibia as contas do Santo Rosário, promovia a exposição do Santíssimo Sacramento e organizava “Visitas de Fátima”, entre muitas outras atividades que desenvolvia na Igreja do Rosário.
Tia Laura foi responsável por curar diversas pessoas que enfrentavam doenças e problemas sérios, devido à fé que irradiava e ao poder que acreditava possuir por meio de sua conexão com Deus.
Durante sua passagem pelo Vale do Paraíba, Dom Pedro seguiu este itinerário:
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| Data | Ano | Localização | Paragem |
|---|---|---|---|
| 14 de agosto | 1822 | Rio de Janeiro, Rio de Janeiro | O príncipe Dom Pedro I saiu da Quinta da Boa Vista. |
| 14 de agosto | 1822 | Santa Cruz, Rio de Janeiro | Primeira parada na Fazenda de Santa Cruz, casa de veraneio da família imperial, apenas para pernoitar. |
| 15 de agosto | 1822 | Bananal, São Paulo | Parada na Fazenda Três Barras, que pertencia ao capitão Hilário Gomes de Almeida. |
| 17 de agosto | 1822 | São José do Barreiro, São Paulo | Parada na Fazenda Pau D’Alho, pertencente ao capitão Hilário Gomes de Almeida, que estava doente e recebeu o imperador na cama. |
| 17 de agosto | 1822 | Areias, São Paulo | Hospedou-se na casa do capitão-mor Domingos da Silva, enquanto os soldados pernoitaram fazendo guarda aos pés de uma figueira. |
| 18 de agosto | 1822 | Cachoeira Paulista, São Paulo | Parada rápida apenas para almoço. |
| 18 de agosto | 1822 | Lorena, São Paulo | Parada importante do ponto de vista político, hospedou-se na casa do capitão-mor Ventura José de Abreu; cumpriu agenda pública na cidade, plantou uma palmeira, visitou a Casa de Câmara e Cadeia e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. |
| 19 de agosto | 1822 | Guaratinguetá, São Paulo | Hóspede do capitão-mor Manoel José de Melo; aumento da comitiva com novos seguidores; visitou a capela de Nossa Senhora Aparecida, onde fez uma promessa. |
| 20 de agosto | 1822 | Pindamonhangaba, São Paulo | Hospedou-se no sobrado do monsenhor Ignácio Marcondes de Oliveira Cabral; na cidade, muitos se ofereceram para integrar a guarda de honra do príncipe, homenageados com um monumento na praça central e um panteão na igreja de São José. |
| 21 de agosto | 1822 | Taubaté, São Paulo | Recebido na casa do cônego Antônio Moreira da Costa; moradores esconderam suas filhas devido à fama de mulherengo do monarca. |
| 22 de agosto | 1822 | Jacareí, São Paulo | Impaciente, atravessou o rio a cavalo, trocou as calças molhadas com um morador local; hospedou-se na casa do capitão-mor Cláudio José Machado. |
| 23 de agosto | 1822 | Mogi das Cruzes, São Paulo | Hospedou-se na casa do capitão-mor Francisco de Mello; assistiu à missa na Igreja de Sant’Ana, hoje catedral. |
| 24-25 de agosto | 1822 | Penha de França, São Paulo | Dormiu ali na noite de 24 para 25 de agosto; assistiu à missa na igreja matriz. |
| 25 de agosto (manhã) | 1822 | São Paulo, São Paulo | Recebido por vereadores, religiosos e a população em frente à Igreja do Carmo. |
| 7 de setembro | 1822 | São Paulo, São Paulo | Dia histórico em que a Independência do Brasil foi proclamada. |
FIM
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