Relatos de Terror: Terceiro Turno da Petrobrás

Os relatos apresentados a seguir estão associados à Revap, refinaria de petróleo da Petrobras em São José dos Campos.

Inaugurada em 1980, a Revap ocupa uma área de mais de dez milhões de metros quadrados e se destaca como a terceira maior refinaria do país, com capacidade para processar cerca de quarenta mil metros cúbicos de petróleo por dia.

É nesse cenário que surgem narrativas que, ao longo dos anos, começaram a ser difundidas entre petroleiros e funcionários terceirizados.

Aviso: Se termos como sangue, tendão cortado, explosões e esmagamento causam desconforto, recomenda-se evitar a leitura das histórias a seguir.

As Lendas: Mortes Múltiplas Acidentais

Uma mulher, cujo marido trabalhava no terceiro turno da Revap, dava banho em seus dois filhos pequenos quando a campainha tocou. Ela deixou as crianças sentadas na banheira e correu para atender o interfone.

No meio da cozinha, porém, desequilibrou-se no próprio rastro de água misturada com sabonete e bateu a cabeça na parede.

O homem que estava apertando a campainha era um enviado do IML, que veio informá-la do acidente fatal que seu marido havia sofrido na Revap, após uma mangueira de hidrante esmagar seu crânio.

Horas mais tarde, quando a mãe dessa mulher, que tinha uma cópia da chave, entrou na casa, descobriu o paradeiro da filha:

estava caída na cozinha, envolta em uma poça de sangue coagulado, e os dois bebês estavam afogados na banheira, com a pele rosada e os orifícios expelindo uma espuma branca.

Uma Noite de Quaresma

Vocês sabiam que a quaresma é o momento mais sombrio do folclore brasileiro? O temor que se espalha ao longo de todos os quarenta dias é tanto, que o povo antigo acreditava que não se poderia dançar, namorar ou até rir, pois seria tripudiar do sofrimento de Jesus.

A pena? A pessoa poderia criar rabo de burro ou pés de bode!

Essa história aconteceu na década de 90, no Jardim Telespark. Era época de quaresma, data que precede o martírio de Cristo na cruz, e que dizem ser proibido comer carne vermelha, bem como ingerir álcool.

Certa feita uma jovem mãe, recém-casada, ficou sozinha com o filho de três anos; o marido estava trabalhando no terceiro turno, em uma parada na Petrobrás. Passava da meia-noite, quando a jovem foi até a cozinha beber água.

Ao atravessar o corredor, ela viu no vidro da porta uma sombra atravessando o quintal; em seguida, ouviu um barulho de latas sendo chutadas.

A moça ficou tão assustada com o barulho, que deixou o copo de água cair. A moça não teve coragem de recolher os cacos de vidro, e correu para o quarto e abraçou o filho na cama.

Mesmo com a cabeça coberta, ela ouvia o estrépito de alguém pulando o muro, e o barulho das garrafas de água caindo no chão.

Debaixo da coberta, a jovem lembrou do relato que ouviu da “noite de quaresma’, e ficou com mais medo ainda. A lenda dizia que as crianças que não fossem batizadas no tempo certo recebiam a visita de espíritos zombeteiros.

No outro dia ela encontrou o quintal arrumado e com as garrafas no lugar. Teria ela imaginado isso tudo? Como lenda é lenda, ela não se sabe o que aconteceu. Mas por precaução, batizou o filho.

Os relatos anteriores são lendas urbanas, ou seja, histórias que o povo conta e que podem ou não ser verdadeiras. No entanto, a história a seguir ocorreu de verdade.

A Morte Silenciosa

No dia 26 de agosto de 1981, ocorreu o evento mais assustador da história de São José dos Campos. Em uma área de convivência da “Refinaria Henrique Lage”, próxima ao tanque “42313” (conhecido como tanque 13, ou, tanque da morte ☠️), onze pessoas morreram instantaneamente e de forma silenciosa. Estas foram as vítimas:

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Terezinha de Fátima Félix23 anosServentePrimeira vítima; deixou duas filhas
Waldemar dos Santos Pagano25Auxiliar de Seg.
Gilberto Araújo25Auxiliar de Seg.
Nelson Araújo Macedo39Operador
Winther Guimarães27Operador
João Dias da Silva–OperadorInformação não disponível
Pedro Ayres da Veiga31Operador
Antônio Wilton Leite Prado31Operador
Benedito Santos Souza–OperadorInformação não disponível
Carlos Alberto Fontenelle Moreira36Médico

Os dados da investigação revelaram que a unidade já havia apresentado problemas mais de duas horas antes.

A exposição ao gás sulfídrico levou os trabalhadores a uma morte quase instantânea, segundo a investigação da polícia na época, devido à sua toxicidade.

De acordo com a perícia, os sintomas iniciais incluíram: irritação nos olhos, no nariz e na garganta, seguidos de dificuldade para respirar, tontura e náusea.

A exposição dos trabalhadores a concentrações mais altas do gás H2S causou perda de consciência e paralisia respiratória.

— Veja a seguir excertos do “jornal Vale Paraibano” sobre o acidente da Revap:

“Os auxiliares de segurança e os próprios operadores, que foram em socorro dos que já estavam desmaiados, não usavam máscaras de segurança.

O auxiliar de segurança Alípio Pinto, então com 27 anos, sobreviveu à tragédia. Em entrevista ao jornal Vale Paraibano da época, ele relatou os momentos de terror.

“Faltavam poucos minutos para as oito horas de quarta-feira e eu estava na sala de emergência quando recebemos o comunicado de que havia duas pessoas desmaiadas próximas ao tanque 42313.

Quando nós chegamos, três pessoas já estavam estendidas no chão”, contou. Alípio notou que uma das vítimas respirava com dificuldade, e tentou levá-la para a ambulância, mas não conseguiu.

“Na porta do carro, minhas pernas trançaram e eu só acordei no Pronto Socorro, 11 horas depois”, completa.

Os efeitos do gás sulfídrico só são notados nos dois primeiros minutos de respiração. Logo após, as narinas amortecem e você não se sente mais nada.”

Arquivo Sindipetro/SJC – Valeparaibano

Meu Relato Pessoal

Meu segundo emprego foi como auxiliar de serviços gerais na Revap, aos dezenove anos. Lembro-me de estar fumando escondido na área de vivência, quando o montador de andaimes comentou: “Você sabia que aqui morreram 11 pessoas?”

No início, achei que fosse uma brincadeira dos peões, mas no dia seguinte houve uma reunião de Segurança do Trabalho com todos os funcionários (terceirizados e petroleiros), onde a história foi contada em detalhes pelos técnicos da Petrobrás.

Eles explicaram que, após o acidente, as diretrizes de segurança foram reforçadas e as normas regulamentadoras (NRs) revisadas e aprimoradas, a fim de reforçar a prevenção e evitar a repetição de incidentes semelhantes.

Eu, particularmente, dei graças a Deus por a empresa que trabalhava na época (LOMATER) não ter assumido mais nenhum serviço de manutenção no Tanque 13, pois, depois de conhecer a história, teria muito receio de participar novamente de qualquer manutenção naquele tanque.

Nota: Apesar da proibição de fumar na área da Revap por razões óbvias, todos acabavam fumando escondidos nos banheiros químicos, nas áreas de convivência e nas salas de controle. Até mesmo os encarregados fumavam e faziam vista grosssa àqueles que desrespeitavam essa regra de segurança de trabalho.

O Isqueiro Explosivo

Esta história foi relatada em uma coluna da Gazeta de São José (jornal extinto em 2001) de 7 de dezembro de 1984 pelo colunista Jairo de Oliveira:

“Na madrugada desta quarta-feira (05-12), a Assessoria de Imprensa da Revap divulgou nota à imprensa sobre um acidente na área de tubulação da refinaria.

Segundo o depoimento de um assistente de segurança do trabalho, o soldador de uma empresa contratada morreu após a faísca de seus isqueiros de butano explodir ‘com a força de três bastões de dinamite’, afirmou Emílio Tolentino, porta-voz da empresa.”

– No final dos anos 1980, cópias de folhetos foram distribuídas pelos sindicalistas, denunciando esse acidente e exigindo melhores condições de trabalho e EPIs adequados.

O sindicato também reivindicava profissionais especializados em segurança do trabalho, não mais assistentes de serviços gerais.

Os relatos dos trabalhadores que atuaram na área da Petrobras naquela época afirmavam que o soldador falecido era do Piauí e funcionário da “ML”.

Os isqueiros descartáveis de butano foram introduzidos pela Bic Corporation em 1972.

As investigações sobre a explosão resultaram em um acordo de 1 milhão de cruzeiros com a empresa contratada. No entanto, o valor foi consideravelmente maior, sendo essa a proposta dos advogados da empresa para evitar uma dilação processual.

Animais Gigantescos Circulando na Refinaria da Petrobrás

Encanadores da Petrobrás, durante serviços noturnos, relatam avistar animais leviatânicos circulando na área da refinaria — ratos do tamanho de cães e peixes tão grandes quanto golfinhos, nadando nas áreas de escape dos hidrantes.

A história dos animais silvestres circulando pela área da Petrobrás é curiosa. No início dos anos 80, acidentes e vazamentos de combustível eram comuns em todas as refinarias.

Foi nessa época que as NRs 14 e 15 foram implementadas. Durante esse período, o departamento de segurança do trabalho da Revap desenvolveu diversos programas de prevenção, que reduziram quase a zero os incidentes.

Impressionados com o êxito das iniciativas, os técnicos de segurança aprofundaram-se nos programas de prevenção. Em parceria com engenheiros e técnicos de meio ambiente, criaram um projeto de preservação da natureza.

Esse novo plano consistia em soltar animais silvestres na área da refinaria para demonstrar ao SESMT e aos órgãos públicos a eficácia na aplicação das NRs.

No entanto, o programa foi cancelado sem nenhuma explicação aos petroleiros e funcionários terceirizados. Há rumores de que a exposição desses animais aos compostos petroquímicos teria alterado seu DNA.

Acredita-se que esses animais que circulam pela área da Refinaria Henrique Lage, especialmente entre as tubulações, sofram alterações genéticas provocadas pela exposição contínua a compostos petroquímicos, especialmente hidrocarbonetos aromáticos que interagem com o DNA.

Esses agentes, conhecidos por seu potencial mutagênico, poderiam ter causado modificações celulares sutis, levando a anomalias físicas e comportamentais que, aos olhos dos trabalhadores, parecem beirar o sobrenatural.

Dizem que esses relatos continuam sendo disseminados pelos peões da EcoVap e Lomater nas “Casas do Norte” do Brasil.

The Last Kiss

Os socorristas da Revap contam a história de um caldeireiro que ficou preso na turbina de um compressor.

Enquanto ele realizava a manutenção, a máquina de transporte dos vapores do sistema de refinamento sugou metade do corpo dele.

Da cintura para baixo, o trabalhador foi completamente esmagado.

Quando os paramédicos chegaram ao local, avaliaram que o homem havia perdido uma quantidade significativa de sangue e que suas funções vitais estavam comprometidas.

Embora ainda estivesse vivo, qualquer tentativa de resgate ou reinicialização da máquina o mataria.

Contam que, após ponderarem sobre as consequências da remoção do homem, os médicos decidiram realizar o último desejo do moribundo.

Após receber uma forte dose de analgésicos, a esposa dele foi chamada às pressas de madrugada para dar-lhe um último beijo. Somente então, a máquina foi reiniciada e o corpo esmagado foi removido.

A Vingança do Operário

Um operário que trabalhava em um espaço confinado deixou cair um tensionador de parafuso hidráulico em um reservatório de águas residuais.

Após muito tempo e esforço, a equipe conseguiu recuperar a ferramenta. O encarregado da empresa terceirizada entregou a ferramenta ao operário e disse: “Você está demitido!”

O operário respondeu: “Tudo bem, então não vou precisar mais dessa ferramenta” e deixou o tensionador cair novamente no poço.

Contada em praticamente todas as refinarias da Pertobrás, “A Vingança do Operário” é uma das várias lendas urbanas sobre retaliações de trabalhadores contra a ingerência de encarregados e supervisores.

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