Resenha Expositiva
Após uma pane em seu avião, um piloto da Força Aérea francesa fez uma aterrissagem de emergência deserto do Saara. Nos dias em que ficou atracado consertando o motor da aeronave, ele conheceu uma criança chamada ‘Pequeno Príncipe.
Antes de começarmos a analisar o texto, vamos observar alguns conceitos importantes. Observe a imagem, o que você enxerga?

Se você viu um chapéu, infelizmente você é um adulto… E isso não é bom. O que uma criança VÊ:

Crianças são sonhadoras e enxergam elefantes dentro de cobras. Eu presumo que você entendeu essa primeira alegoria, pois o livro de Antoine é cheio delas.
Alegoria é um conjunto simbólico criado para transmitir um segundo sentido; além do significado literal das palavras.

Assim como o piloto, Pequeno Príncipe veio do céu, de um planeta chamado B-612, onde vivia com uma Rosa e três vulcões.
A Rosa é a representação da feminilidade, segundo o autor. Pois, a mulher, assim como a rosa, é bela, delicada e precisa de uma redoma que a proteja da geada.
Pequeno Príncipe vivia feliz com a Rosa, até descobrir uma mentira. Após o embuste, ele abandonou a sua rosa, procurando outras planetas, estrelas, para viver. Mas ele encontraria outras pessoas incoerentes.
O primeiro planeta onde P.P aterrissou era pequeno e cheio árvores frondosas (Baobás). Teriam ocupado todo o perímetro do astro, após o seu único morador não destruir as cizâneas.
Baobás eram as ervas daninha do planeta, e o seu crescimento poderia destruir o globo terrestre, pois ocuparia todo o espaço físico.

As árvores seriam o equivalente às sementes de joio (parábola Bíblica do ‘Trigo e do Joio’). A alegoria do Planeta de Baobás faz alusão à doutrinação, proselitismo político e as ideias destrutivas – que se não forem podadas a tempo, ocupariam a mente, intoxicando, criando fundamentalismos.
No segundo planeta Pequeno Príncipe encontrou um senhor que se autoproclamou rei. Ele vivia à espera de um súdito para dar ordens. Vê-se uma crítica aos egocêntricos, que ficam sozinhos.
O rei passou a dar ordens razoáveis, exigindo o que cada um poderia dar. Ele dizia: “A autoridade repousa sobre a razão.
Se ordenares a teu povo que ele se lance ao mar, farão todos revolução — Eu tenho o direito de exigir obediência porque minhas ordens são razoáveis”. Agora é tarde, majestade!
No terceiro astro P.P encontrou um homem vaidoso com seu chapéu. O homem tirava o chapéu quando alguém o elogiava: “Admire-me! Reconheçam-me como o mais rico, mais belo e mais inteligente…!” — Dizia ele a Pequeno Príncipe.
Há aqui uma alusão aos adultos, que estão sempre se regozijando em admirações e elogios, e nunca querem ouvir críticas.

No mundo seguinte, P.P descobriu um empresário que dedicou a vida a contar as estrelas; as quais, segundo ele, não tinham sido registradas por ninguém, e por isso ele seria o dono.
Pequeno Príncipe o interroga: “É útil para a minha flor que eu a possua, mas para você não é útil que possua as estrelas.
Você não pode guardá-las.”
Há aqui uma crítica aos materialistas, que passam a vida a acumular o vil metal. Ou mesmo aos que se gabam por conquistar várias mulheres.

No planeta seguinte, P.P encontrou um apagador de lampião. A cada minuto nesse pequeno planeta ocorria a alvorada e o lusco-fusco. E por isso o acendedor trabalhava o tempo todo sem descanso.
Há nesse trecho uma crítica aos fleumáticos, que têm preguiça de usar o cérebro. Por falta de pró-atividade, precisam que alguém lhes ordene algo óbvio. E o mais importante, a comunidade precisa revisar as suas leis.
Caso contrário, terminarão como o acendedor de lampião, que após o seu planeta diminuir a velocidade de rotação, trabalhava dobrado.
Após percorrer todos os planetas, P.P chegou a Terra. Aqui ele encontrou uma raposa, que se apegou a ele. Neste ponto da história ocorre a frase mais famosa da Obra (que Padre Fábio de Melo odeia):

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas” Ela explica que, aos olhos de P.P, ela não passa de uma raposa comum, igual às outras cem mil que existem no mundo. Mas se ele a cativar, eles terão necessidade um do outro, e ela será para sempre única. A raposa explica:
“Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz”.
Vamos entender melhor o significado do encontro com a raposa. Na China e no Japão a raposa é tida como um animal feiticeiro e feminino.
Ela é associada à natureza feminina instintiva e primitiva. Nesses países acreditam-se que as bruxas, assim como as mulheres histéricas, costumam tomar a forma da raposa. (Dicionário de símbolos)
No contexto da Obra de Antoine, a raposa seria uma mulher que aparece para confundir e destruir um amor verdadeiro.
No caso, o amor de P.P e sua Rosa. Lembrando que a Rosa é uma metáfora para descrever uma mulher delicada e cheia de espinhos.
A Raposa apareceu, apegando-se a Pequeno Príncipe, deixando-o confuso. Ela diz a frase mais importante da Obra: “torna-te eternamente responsável por aquilo que cativas”.
A raposa (astuciosa) deixa o menino com a consciência pesada por abandoná-la e voltar para a sua ROSA (bela, recatada e do lar).

Os personagens estão no deserto, e como esse local suscita reflexões (desde Jesus Cristo), o aviador passou por uma catarse.
No deserto ele refletiu a respeito de sua vida, entrando em estado de delírio; conversando com o Pequeno príncipe, que na verdade representava a criança que ele fora; a criança sonhadora que todos nós fomos.
Catarse, grego “kátharsis” e é utilizado para designar o estado de libertação psíquica que o ser humano vivencia quando consegue superar algum trauma como medo, opressão ou outra perturbação psíquica.

No final, há um o momento da morte de P.P. Ele diz: “Eu não posso carregar esse corpo. É muito pesado.” Percebe-se uma metáfora a respeito da velhice, onde o ser humano torna-se uma criança inocente, assim como P.P, que estava cansado do seu corpo.
Pequeno Príncipe passou por vários planetas e aprendeu com os erros de cada habitante. Eu pergunto a você leitor, em que planeta você vive?
FIM
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