Pindamonhangaba é uma cidade do Vale do Paraíba, situada entre as serras da Mantiqueira e do Mar.

Marcada pela memória do Ciclo do Café e por um rico imaginário popular, a cidade reúne histórias do tempo em que o Bosque da Princesa era, literalmente, da princesa, além de relatos sobre entidades indígenas que se manifestavam nos rios Paraíba do Sul e Piracuama, entre outras histórias que atravessaram gerações e ainda despertam curiosidade e medo.
A Origem do Município
Existem duas teorias sobre a origem da cidade. A primeira atribui sua fundação aos irmãos Antônio e Braz Leme, que, em 1672, construíram uma capela e deram início ao povoado de São José de Pindamonhangaba.
Já a segunda diz que João do Prado Martins vivia na região desde 1643, sendo considerado por alguns como o verdadeiro fundador. Sem consenso, a cidade comemora oficialmente sua emancipação política em 10 de julho de 1705.
Ficha Técnica
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| Pindamonhangaba na Época dos índios | Em tupi, Pindamonhangaba quer dizer “Lugar onde se faz anzol”. |
| Início do Século XVII | O capitão João do Prado Martins recebeu terras (chamadas na época Sesmarias) na paragem chamada de Pindamonhangaba. |
| Século XVII | Nessas terras, à margem direita do Rio Paraíba do Sul, formou-se um bairro, que aos poucos, tornou-se dependente de Taubaté. |
| Entre 1840 e 1860 | Pindamonhangaba atingiu o auge da nobreza, tornando-se a cidade mais rica do Vale e a maior produtora de café da região. |
| 3 de abril de 1849 | Pindamonhangaba foi elevada a cidade pela lei provincial n.º 17. |
| 1860 | O cronista e poeta Emílio Zaluar deu a Pindamonhangaba o título de “Princesa do Norte”. |
| Século XX | Pindamonhangaba possui o ponto da linha férrea mais alta do país, ligando a cidade a Campos do Jordão. |
Lendas Tradicionais
Andando Na Chuva Sem Se Molhar

No começo dos anos 90, uma senhora muito católica de Pindamonhangaba afirmou ter visto o próprio Jesus Cristo andando pelas ruas da cidade.
Ela e o filho haviam ido ao centro pagar um carnê nas Lojas Cem. Quando voltavam, uma forte chuva começou a cair. Eles se cobriram com uma blusa e correram para dentro de uma padaria.
Segundo o relato da senhora, enquanto ela e o filho esperavam a chuva passar, uma Homem vestido de branco atravessava a tempestade e, apesar do turbilhão da chuva, Ele não se molhava.
A mulher e o seu filho saíram do abrigo e tentaram segui-Lo, mas, quando chegaram à esquina, já havia desaparecido assim como o temporal.
A Reza Infinita

Habitava antigamente em Pindamonhangaba, em tempos que a Princesa passeava no bosque, uma senhora muito distinta. Dona Elza era extremamente religiosa, e tinha por hábito rezar os mistéros do terço todas as noites. A devoção era cumprida sistematicamente, na mesma hora, no mesmo local e na mesma posição: sentada na rede.
A sua idade avançada, somada à monotonia da reza, exercia sobre ela um efeito narcótico, e fazia com que Dona Elza sempre adormecesse no meio da oração; sem ultimar a contagem dos tentos do Rosário.
Para livrar-se desse pecado venial, a boa velhinha sempre que acordava, começava tudo novamente. E assim ficava, até altas horas da noite tentando concluir a oração.
Certa noite Dona, porém, dona Elza não havia rezado meia dúzia de contas quando entrou numa modorra. Em seu estado entre os dois mundos, ela via um sacizinho no quarto, muito pretinho, com a pele reluzente, pulando com uma perna.
O saci veio em sua direção e puxou a gola do seu vestido; em seguida o seu Rosário. A velha, aflita, já suava em bicas, e após o Saci dar-lhe um peteleco no nariz, conseguiu fôlego para gritar pela empregada:
” Isaura!… Isaura!… Olha o Saci, Isaura!! Toque ele, Isaura! Toque! Toque!

O saci, ao fugir do quarto, deu uma solene bofetada em dona Elza, derrubando-a da rede. Os gritos da velha acordaram a casa inteira.
Interrogada sobre o incidente, a velha contou que havia visto um Saci entrar no quarto, e que ele a teria derrubado da rede.
A história foi confirmada pela empregada, que afirmou ter visto o pestinha na cozinha; e que ele teria dito que a ela que a sua diabrura serviria como uma lição, para a sinhá aprender a nunca mais dormir durante as rezas.
E a parir desse dia, Dona Elza nunca mais ‘modorriou’ durante as rezas.
O Condutor Fantasma
Uma mulher que trabalhou na biblioteca do Bosque da Princesa relatou um sonho premonitório em uma reunião de mesa branca. Ela não sabe como sua mente construiu essa narrativa; se foi sugestão do ambiente, o fato é que ela decidiu procurar ajuda espiritual.
No sonho relatado, ela saía pelo portão do Bosque da Princesa quando se deparava com um cortejo fúnebre que passava pela Rua Dr. Monteiro. Era um dos cortejos mais longos que já havia visto. Ela observava o condutor da carroça: um homem alto, de traços finos, sentado de maneira muito nobre em seu assento.

Ela conta que, no dia seguinte, durante o horário de almoço, após se recostar em uma mangueira que havia no bosque para descansar, entrou em uma modorra, e viu um rapaz passar com uma expressão séria, econhecendo imediatamente a imagem do motorista do sonho no dia anterior.

Ela contou que se levantou e seguiu o rapaz, escondendo-se entre as árvores. Ele passou por trás de um ipê-amarelo e desapareceu.
A mulher esperou alguns minutos antes de se aproximar da árvore, mas não encontrou ninguém.
De volta à biblioteca, a curiosidade levou ela a pesquisar em um almanaque antigo de Pindamonhangaba sobre a história do Bosque da Princesa.
Ela encontrou uma lenda que dizia que “um casal havia se suicidado tomando um frasco de veneno aos pés de um ipê-amarelo”.
No dia seguinte, a mulher foi até o local onde estava a árvore e removeu as gramíneas do chão, mas não encontrou nada enterrado. Porém, notou uma inscrição no tronco do ipê, provavelmente talhada com canivete – quase apagada pela ação do tempo – com dois nomes em um coração:
“Joaquim e Evelina – ➕03-02-1888”.
Quando a médium terminou de ouvir o relato do sonho, contou a ela que a precisão daqueles detalhes se devia ao fato de aquilo ser o eco distante de uma memória de suas existências passadas, todas profundamente ligadas àquela localidade em torno do Bosque da Princesa.
O cortejo fúnebre do sonho, na verdade, era a lembrança de seu próprio sepultamento em 1888. Já o condutor nobre da carroça — o mesmo rapaz que desaparecera entre as árvores no dia anterior — era a alma de Joaquim, que ainda vagava pelo bosque, preso ao pacto de amor e tragédia, esperando pelo momento em que suas vidas finalmente voltariam a se cruzar.
A Escrava Lavínia

Na época da escravidão, vivia em Pindamonhangaba uma jovem escrava chamada Lavínia. Ela era a fiel acompanhante de Isabel, filha do fazendeiro mais rico da região. A beleza de Lavínia chamou a atenção do cruel feitor Joaquim, que começou a perseguí-la.
Certo dia, Joaquim descobriu o lugar onde Lavínia se banhava. Decidido a possuí-la, ele a surpreendeu no local.
Desesperada, Lavínia pulou no rio para fugir, mas como não sabia nadar, afundou e desapareceu para sempre. Joaquim voltou para a fazenda, fingindo que nada havia ocorrido, enquanto a família de Lavínia a procurava desesperadamente.
Consumido pela culpa, Joaquim começou a perder a sanidade e a ter visões do espírito de Lavínia, que o chamava para o rio. Certo dia, em meio à sua loucura, ele seguiu a visão até o rio e entrou nas águas, onde encontrou a morte.
Salvo pela Realeza
Essa é uma lenda extraída de um almanaque, datada da época do Brasil imperial. Diz que o Conde d’Eu e a Princesa Isabel costumavam passear pelo bosque que Dom Pedro II havia criado para ela em Pindamonhangaba, perto do Rio Paraíba.
Enquanto caminhavam e conversavam sobre a última viagem à França, avistaram uma escrava com um cachimbo na boca, fumando enquanto lavava as roupas na beira do rio.

De repente, a escrava escorregou no barranco, caiu no rio e foi levada pela forte correnteza.
Vendo o perigo de morte, a Princesa Isabel, que a essa altura já era devota da Santa encontrada no rio, compadeceu-se da escrava e ordenou ao Conde d’Eu que a resgatasse. Sem hesitar, ele subiu em uma canoa e remou rio abaixo.
A correnteza era forte, e a escrava desapareceu nas águas caudalosas e turvas do Paraíba. O Conde d’Eu remou tentando localizá-la, até que viu uma fumacinha saindo da água.
Era a escrava, que estava com pito na boca e soltava o fumo que subia à superfície. Guiado pela fumaça, o Conde d’Eu conseguiu alcançar a escrava e puxá-la para a canoa, salvando-a da correnteza.
Na margem, a Princesa Isabel aplaudia o ato heroico do marido, enquanto a escrava recuperava o fôlego e agradecia silenciosamente com um sorriso tímido.
O Rei dos Peixes

Aos pés da serra de Campos do Jordão, existe o rio Piraquama. O nome do rio, em tupi, significa “rio da enseada promissora”, e, sobre ele, existe uma lenda indígena fascinante.
Contavam os índios da etnia Puri que Ipupiara, o rei dos peixes, um ser majestoso e místico, descia a serra de Campos do Jordão nadando, em noites de lua cheia, para participar de uma tertúlia sagrada nas águas do Piraquama.
Os indígenas respeitavam e temiam esse ser e evitavam o rio nessas noites.
Certa noite, um pescador português, que desdenhava das lendas indígenas, decidiu desafiar a crença popular. Numa noite, ele foi tomar banho nas águas do Piraquama, rindo das histórias que ouvira.
Enquanto se banhava nas águas escuras, o pescador avistou um homem de aparência indígena emergir do rio. Com um olhar penetrante, o homem perguntou:
“Por que nadas em águas que não lhe pertencem?” O pescador, sem se intimidar, respondeu: “Pode parar, eu não acredito em superstições…”
O homem então proclamou: “Por desobedecer à crença sagrada, serás castigado.” Em seguida, mergulhou nas profundezas do rio, revelando uma cauda de peixe reluzente enquanto desaparecia.
Assustado e confuso, o homem tentou sair da água, mas sentiu uma corrente gelada descer da serra de Campos do Jordão, envolvendo-o.
A água tornou-se tão fria que ele sentiu seu corpo endurecer e sua respiração falhar. Preso no rio, ele sucumbiu à hipotermia.
Essa história do rei dos peixes e suas tertúlias sagradas foi provavelmente a inspiração do escritor Monteiro Lobato ao criar o cenário do Reino das Águas Claras e o personagem Doutor Caramujo, entre outros.
O rio Piraquama, desde a época do escritor taubateano, permaneceu um lugar de reverência e mistério, onde a natureza e o sobrenatural se encontram.
Lendas Urbanas
A Mão Lambida

Essa história aconteceu no bairro Mombaça. Contam que três meninas que estudavam juntas decidiram fazer uma festa do pijama em casa. Na noite da festa, os pais da menina haviam saído para um forró e deixaram elas sozinhas, mas o cão de guarda dormiu dentro da casa e ficou de vigia.
Durante a madrugada, a anfitriã da casa despertou várias vezes com ruídos estranhos na garagem.
Cada vez que acordava, o cachorro lambia sua mão, e ela se sentia reconfortada e voltava a dormir. De manhã, quando ela acendeu a luz quarto, ela presenciou uma cena de filme de terror.
As duas amiguinhas estavam com a língua para fora e sem vida na cama. A menina correu até a sala, mas encontrou outro cenário de medo: o cachorro estava deitado no tapete com uma poça de sangue ao seu redor; na parede estava escrito com sangue a mensagem: “Humanos também podem lamber.”
O Animal de Estimação no Micro-ondas

No começo dos anos 90, o micro-ondas foi considerado o eletrodoméstico mais revolucionário daquela década. Contudo, as pessoas não sabiam como ele funcionava e muitos o confundiam com o forno a gás do fogão.
Na época, as pessoas contavam vários relatos de explosões e incêndios ao tentar esquentar leite em uma caneca de alumínio.
A história de micro-ondas mais bizarra aconteceu em Pindamonhangaba. Segundo o relato apócrifo, uma mulher francesa, esposa de um empresário rico da cidade, pediu à empregada que colocasse o “gâteau” no micro-ondas.
A empregada obedeceu, visto que o gato havia se molhado na chuva. O felino foi cozinhado, e saiu sem vida do aparelho.
O detalhe trágico e risível dessa história é que, em francês, bolo se pronuncia “gâteau”.
O Grande Banquete Humano

Uma moradora de Pinda criava uma píton como animal de estimação. A cobra até dormia ao lado dela na cama, o que deixa as pessoas assusadas. Certa noite, a mulher acordou e percebeu que a cobra estava esticada na cama.
Ela achou estranho o comportamento e se lembrou que, no dia anterior, a píton havia se recusado a comer os ratos que ela colocara na gaiola.
Preocupada, ligou para o veterinário, que a aconselhou a prender a píton e esperar por sua chegada.
Contam que, quando o veterinário chegou e foi examinar a serpente, ela tentou se enrolar no braço dele, e eles tiveram que matar a cobra.
Ele explicou para a mulher que a cobra estava esticada na cama porque estava medindo o corpo dela, preparando-se para engoli-la. Por isso, havia se recusado os ratos, pois estava se preparando para um grande banquete humano.
A Tragédia da Motosserra

Durante uma festa de casamento, o padrinho reuniu os amigos do noivo e começou o tradicional ritual brasileiro de “cortar a gravata”. Esse costume consiste em trocar pedaços da gravata por doações em dinheiro, com o objetivo de ajudar nos custos da lua de mel dos noivos.
Além do tradicional ritual da gravata, o padrinho decidiu fazer uma brincadeira e, em vez de usar uma tesoura comum, apareceu com uma motosserra.
Enquanto um outro padrinho segurava a ponta da gravata, o bem-humorado caminhou em direção ao noivo com a ferramenta inusitada.
O relato a seguir tem várias versões. Algumas testemunhas disseram que o padrinho tropeçou por estar bêbado demais; outras afirmaram que a corrente enroscou na gravata. No fim das contas, a “brincadeira” resultou em ele fincando a motosserra no peito do noivo.
Os convidados, horrorizados, não puderam fazer nada, e o noivo sangrou até a morte na frente deles. O padrinho teve um colapso nervoso, correu para fora do local da festa, entrou no carro, bateu em uma árvore e morreu. Contam que a noiva se suicidou pulando da sacada no dia seguinte.
FIM
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