Resenha: São José dos Campos de Agê Junior (Parte 2)

Essa é a continuação da resenha, veja a 1.ª parte AQUI

 11 – Barras de Ouro Encontradas na Rua XV de Novembro

A Igreja de São Benedito é a segunda edificação mais importante da cidade de São José dos Campos. A paróquia foi construída por escravos, sob supervisão do ‘Seu Zé Taipeiro’. O processo de construção foi lento, devido à falta de capital. A sua fundação é marcada por um fato interessante.

Contam que a Igreja foi terminada pela bondade de um lavrador do bairro do Jaguari, chamado João Ribeiro.

Ele teria comprado uma antiga casa na rua XV de Novembro, e, após demoli-la, encontrou uma panela de cerâmica cheia de barras de ouro. Como era devoto de São Benedito, decidiu concluir a Igreja em agradecimento.

Após a construção da paróquia, o local consolidou-se como “o templo religioso dos homens de cor — especialmente após o fim da escravidão” (Agê Junior).

Durante muito tempo, as principais festas de São José dos Campos aconteciam no largo da Igreja São Benedito, hoje conhecida como Praça Afonso Pena.

As celebrações incluíam as “Congadas” e os “Moçambiques”, que percorriam as ruas e bairros da cidade.

12 – O Primeiro Jornal

O primeiro jornal de São José surgiu no ano de 1877, o “Jovem América”, cujo diretor era o Sr. A. Sodré.

Os primeiros exemplares foram distribuídos pelo próprio dono. As oficinas ficavam instaladas na rua do Porto e pouco tempo depois mudaram para a rua Sr. Manoel Augusto Galvão.

13 – O Furacão em SJC

Na primeira edição do jornal “Jovem América”, mencionado acima, foi noticiado a passagem de um imenso redemoinho vindo dos lados de Sant’Ana “Ganhando altura e produzindo fumaça” (Agê Junior).

Segundo a reportagem, o furacão “Caminhava a toda velocidade, chegando a destruir muitas casinholas na saída de Jacareí”.

14 – A Múmia da IGREJA de São Benedito

Outro relato da imprensa de S. José foi o da demolição da velha igreja do Rosário. Na ocasião estava sepultado na parede da igreja o corpo do Capitão Miguel de Araújo Ferraz; homem de grande prestígio na época. — Até o Século XIX o enterro dentro da igreja era sinônimo de status no Brasil.

Ao retirarem os restos mortais, tomaram um susto, pois o corpo estava intacto, com os cabelos em perfeito estado.

A família foi chamada, e eles decidiram transferir o cadáver para outra igreja; desta vez a Igreja de S. Benedito. Passadas algumas semanas, o contorno do defunto apareceu desenhado na parede.

A notícia espalhou-se, e em pouco tempo já faziam fila para ver o finado. A família mandou pintar a parede novamente, cobrindo o contorno da umidade, e terminando com a romaria.

15 – Cemitérios Antigos

Os cemitérios antigos de São José estão localizados em lugares que você já deve ter passado. O primeiro encontra-se na praça João Pessoa. Isso mesmo, a praça em frente a igreja Matriz, onde ficavam os camelôs.

O segundo está no cine-palácio (hoje um estacionamento), perto da Praça Afonso Pena. E o terceiro cemitério está onde hoje é a capela São Miguel (seguindo pela rua do ‘shopping’ Centro e Praça do Sapo).

Com o crescimento da cidade, e o espaço ficando pequeno, inauguraram em 1882 um novo cemitério na rua Antônio Sales. Os antigos cemitérios foram sendo destruídos, dando lugar a casas.

Abateram-se os túmulos, cruzes foram arrancadas. Quem tinha recursos para transportar as cinzas dos parentes o fazia, quem não… Os entes estão até hoje no mesmo lugar —, onde diariamente passam milhares de joseenses.

16 – A Cerimônia de Abolição da Escravidão

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A cidade de S. José dos Campos foi vanguarda nacional na questão da abolição da escravidão.

Antes de ser assinada a Lei Áurea, moradores já lançavam mão de “vaquinhas comunitárias” para libertar os escravos. Um dos fatos mais notórios da época foi o do fazendeiro José Pedro de Paiva Baracho, que libertou 12 escravos de uma só vez.

Você talvez não saiba, mas as figuras mais proeminentes do movimento pró-abolicionismo são nomes de ruas e avenidas famosas. São elas: o médico José do Patrocínio, o professor Sebastião Hummel e o famoso Cônego Francisco de Oliveira Lima.

17 – O Primeiro Casamento Civil em São José dos Campos

Em 1890, quando o Governo Republicano instituiu o casamento civil no Brasil, os moradores de SJC não ficaram nem um pouco entusiasmados. Pelo contrário, para alguns “isso era contra a religião, e obra do capeta”.

O primeiro casamento civil realizado em SJC data de 15 de novembro de 1890. O casal chamava-se Antônio Nunes da Rosa e Mariana Florence Lima.

18 – A Escola Olímpio Catão

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A escola Olímpio Catão é famosa por formar várias personalidades de S. José. Vamos resumir um pouco de sua história:

 O nome é uma homenagem a um inspetor escolar, que trabalhou na época em que a escola se chamava “Escolas Reunidas”.

Em sua inauguração teve e bênção do famoso Cônego Francisco de Oliveira Lima. A personalidade mais famosa a passar pela escola foi Cassiano Ricardo, o poeta modernista.

Resenha: Diego Del Passo

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FatosOcorrência Resumo
O Tesouro da XVA Igreja São Benedito teria sido terminada com barras de ouro achadas em uma casa demolida.O primeiro “Tesouro Direto” de SJC. O sujeito demoliu a parede e achou o prêmio da Mega-Sena em barras de ouro. Sorte de quem acredita!
O Furacão em SJCEm 1877, o primeiro jornal da cidade noticiou um redemoinho que destruiu casas na saída de Jacareí.Até os desastres naturais tinham ranço de Jacareí. O furacão passou por SJC só para dar um susto e foi fazer o estrago lá nos vizinhos.
A Múmia da ParedeO corpo do Capitão Ferraz foi achado intacto na parede de uma igreja.O Capitão não queria ir embora! O corpo estava tão conservado que virou ponto turístico até a família mandar pintar a parede de novo.
Cemitérios FantasmasPraça Matriz, Praça Afonso Pena e Praça do Sapo já foram cemitérios.Você aí, tomando sorvete na Praça do Sapo, saiba que está sentado em cima de uma galera do século XIX que não foi “mudada” de lugar.
Vaquinha da AboliçãoJoseenses faziam “vaquinha” para comprar a liberdade dos escravos antes da Lei Áurea.O joseense inventou o “Crowdfunding” (Financiamento Coletivo) social muito antes da internet. Era o “https://www.google.com/search?q=Vakinha.com” da abolição.
Casamento do CapetaEm 1890, o povo achava que o casamento civil era “obra do capeta”.Casar no cartório? “Nem pensar, isso é coisa do chifrudo!”. O povo tinha medo de que, sem a bênção do padre, o juiz de paz fosse um demônio disfarçado.
Escola Olímpio CatãoA escola famosa onde estudou o poeta modernista Cassiano Ricardo.É o “Hogwarts” joseense. Se você não estudou lá ou não conhece ninguém que estudou, você é um “trouxa” (muggles) da educação local.
Largo da São BeneditoEra o centro das festas, Congadas e Moçambiques de SJC.Onde o fervo acontecia! Se você queria ver gente e participar do rolê oficial da cidade no século XIX, o destino era a Praça Afonso Pena.

FIM

2 comentários em “Resenha: São José dos Campos de Agê Junior (Parte 2)”

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